ALAN MOORE     Senhor do Caos  /   Lord of Chaos Teor Letal: Ovelhas Elétricas Teor Letal: Ovelhas Elétricas Teor Letal: Ovelhas Elétricas Teor Letal: Ovelhas Elétricas Teor Letal: Ovelhas Elétricas Teor Letal: Ovelhas Elétricas
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Antes, muito antes de "Matrix", o quadrinista mineiro Olendino Mendes ja´havia criado:


Ovelhas Elétricas
Por Olendino Mendes
Página 1:

Quadro 1: Vista de uma cidade semelhante à Chicago dos anos 30. No centro da cena uma igreja.


Epígrafe: ”Do the androids dream (...)?“ - Phillip K. Dick .
Quadro 2: Interior da igreja. Dois clérigos jogam xadrez sobre uma mesinha.






Clérigo 1: -Sabe por que as religiões tradicionais morreram?

Clérigo 2: -Sei de mil motivos! Qual é o seu favorito? A crise econômica que levou as multinacionais evangélicas à falência?

Clérigo 1: - Não!
Página 2:

Quadro 1: A mão de um dos clérigos movimenta o bispo sobre o tabuleiro.








Clérigo 2: -O fim do papado, então? Ou a transformação da própria ciência em um novo credo?

Clérigo 1: -Não, não!... Para mim o que matou as religiões foi que elas nunca alcançaram seu principal objetivo!

Clérigo 2: -Como assim?
Quadro 2: Final de um corredor hospitalar. Uma porta na qual está escrito “Necrópsia”.


Clérigo 1: Elas nunca conseguiram responder uma pergunta que todos nós nos fazemos!”

Clérigo 2: “Qual? Por que morremos?”
Quadro 3: Interior da sala de necrópsia. Um corpo inteiramente esfolado está estendido na mesa. Um médico se prepara para desmembrá-lo, com um cutelo.


Clérigo 1: “Não! A morte já não assusta tanto assim! Não quando a expectativa de vida atual é de 150 anos!”

Clérigo 2: “Qual é a pergunta, então?”
Quadro 4: Close do rosto do cadáver, com seus olhos arregalados e estáticos.
Clérigo 1: “A pergunta é muito simples...”

Quadro 5: O médico segura um dos braços do cadáver com uma das mãos enquanto ergue o cutelo com a outra, para desferir o golpe.
Clérigo 1: “... mas nunca foi respondida!”


Quadro 6: Close do rosto do médico, lívido de pavor. A mão do cadáver está apertando sua garganta.
Página 3:

Quadro 1: O “cadáver” se ergue, boca escancarada, agarrando ao mesmo tempo a garganta e o pulso do médico que, atônito, deixa cair o cutelo.


Clérigo 1: “A pergunta é: QUEM CRIOU O MAL?”


Quadro 2: O braço do cadáver, que empunha o cutelo.
Clérigo 2: “Ora... o Demônio!”
Quadro 3: O médico caído ergue as mãos para tentar se proteger.
Clérigo 2: ”Foi o Demônio quem criou o mal!”

Quadro 4: A parede de azulejos coberta de respingos de sangue.
Clérigo 1: “Sim... mas QUEM criou o Demônio?”

Quadro 5: O tabuleiro de xadrez. O bispo branco e o rei negro estão em posição de xeque.


Clérigo 1: - XEQUE!

Clérigo 2: - Está na hora! Vamos continuar a partida mais tarde!
Quadro 6: O Clérigo 2 entreabre uma cortina e olha para fora.
Quadro 7: Os dois clérigos, diante da cortina fechada.


Clérigo 2: - Estão lá, aguardando! Todas as minhas ovelhas... menos uma! Continuamos nossa conversa depois!
Página 4:

Quadro 1: Saindo da cortina, o Clérigo 2 abre os braços e encara a assembléia de fiéis.





Clérigo 2: - Nós, mais uma vez, estamos reunidos em nome do Criador Supremo!

Rom: “Esta é, para mim, uma cerimônia diferente de todas as outras!”
Quadro 2: Panorâmica da assembléia. Só há homens, em pares (como se cada um dos espectadores tivesse um sósia sentado ao seu lado).
Clérigo 2: -Vamos lembrar a parábola das duas árvores. Particularmente, vamos falar daquela árvore que, por não dar bons frutos, foi cortada e lançada ao fogo.
Quadro 3: Close do rosto do andróide Rom.

Rom: “Eu tinha adivinhado qual seria o tema da pregação.”
Quadro 4: Ao lado de Rom há um lugar vazio. Ele é o único a não ter um duplo na assembléia.
Rom: “Ele estava falando para a cadeira vazia ao meu lado!”
Quadro 5: O clérigo abre os braços num gesto dramático.


Clérigo 2: - Infelizmente um de seus irmãos perdeu a fé e foi expurgado de nosso grupo! Para ele, o salário foi a morte! lembrem-se: sem o criador supremo vocês nada são!
Quadro 6: Portaria do hospital. Dois vigias cumprimentam uma figura encapotada e de chapéu, que se encaminha para a porta.
Vigia 1: -Dr. Giella? Por favor, toque o identificador para acionar a porta!

Quadro 7: A figura coloca a mão sobre a placa de vidro de um aparelho afixado na parede.
Quadro 8: Na tela do computador operado pelo vigia surge a impressão palmar e a identificação: “Joseph Giella, Biocultor classe 1. Saída liberada.”
Vigia 1: -Tudo certo. Pode ir, Doutor. E boa noite!


Página 5:

Quadro 1: Os vigias se olham, enquanto o homem sai pela porta.





Vigia 2: -Ele nem disse boa noite! Sempre foi tão educado!

Vigia 1: -É... Mas o trabalho desta noite certamente o perturbou! Nunca tinha sido preciso desativar um A99!
Quadro 2: O vigia 1 digita algo no teclado. No visor está a foto do duplo do andróide Rom ao lado dos dados: “Nome: Remus; Modelo; NOVT-A99; Classe: Segurança Política; Biocultor: Dr. Joseph Giella; Psicocultora: Dra. Marion Shelley”. Em destaque, no rodapé da tela, está a frase que o vigia digitou: “DESATIVADO”.
Vigia 1: - Vá até o necrotério fazer a inspeção de rotina. Enquanto isso vou registrando o desmonte daquela carcaça!
Vigia 2: - Está bem!



Quadro 3: Os andróides de pé, diante de seus bancos, no final da cerimônia. Ao lado de Rom a cadeira vazia.


Clérigo 1: “Retomando o que eu estava dizendo, a questão é simples, mas a resposta é difícil! Afinal, se há um só Deus criador, e se esse Deus é todo bondade e amor, então... quem criou o mal?”
Quadro 4: O tabuleiro de xadrez. Uma mão, segurando o cavalo preto, derruba com ele o bispo branco.


Clérigo 2: - Cavalo toma bispo. Prossiga!

Clérigo 1: - Veja o caso daquele par de andróides A99, Romulus e Remus!
Quadro 5: Rom e Remus perfilados lado a lado, como em uma foto antiga.

Clérigo 1: “Foram criados juntos, pelo mesmo processo, com os mesmos componentes bio-mecânicos, treinados pelas mesmas pessoas...”
Quadro 6: Remus, na mesa de autópsia, tendo a sua pele arrancada.


Clérigo 1: “No entanto, Remus apresentou desvios de comportamento e tivemos que desativá-lo e mandar destruí-lo! Já seu par continua leal e eficiente! Onde está o erro?”
Quadro 7: Portaria do hospital. O vigia 2 chega correndo.


Vigia 2: - Dispare o alarme, rápido! O andróide fugiu! Ele matou o Dr. Giella!

Vigia 1: - O que está dizendo? Não pode ser!
Quadro 8: O interior da sala de autópsia. O Vigia 1 (em primeiro plano) leva as mãos à cabeça, incrédulo. O Vigia 2 examina o cadáver do médico!






Vigia 1: - Não pode ser! Nós vimos o Dr. Giella se identificar e sair!

Vigia 2: -Veja como foi fácil para o andróide nos enganar! Ele vestiu a roupa do médico, arrancou a pele da mão dele e a usou como uma luva!

Vigia 1: - Mas ainda assim... responda: Quem reativou esse andróide?
Página 6:

Quadro 1: Os dois clérigos jogando xadrez.







Clérigo 1: - Remus esteve aqui, ouvindo nossas pregações, confessando suas fraquezas, comungando sua pastilha diária de fenocilato de betazol... O que o fez agir como agiu?

Clérigo 2: - Hmm! Boa jogada!
Quadro 2: Rom parado em uma esquina movimentada. Seu comunicador de pulso faz um bip. Ele está atendendo.

Rom: - NOVT-A99 Rom, às órdens!

Voz: - Rom, aqui é a Dra. Shelley! Preciso falar com você agora mesmo!
Quadro 3: Rom eleva o comunicador até a altura dos lábios, como quem procura conversar com sigilo.

Rom: - Devo ir agora ao consultório?

Voz: - No consultório, não! Vou dizer aonde...
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Ovelhas Elétricas
Por Olendino Mendes
Quadro 4: Panorâmica da cidade. Em destaque um edifício encimado por uma pirâmide luminosa. Dele sai uma voz.
Voz: - Senhores, estamos diante de algo muito grave!


Quadro 5: Sentados diante de uma mesa de reuniões várias autoridades militares e civis. Ao centro, pela ordem, o Major Hogarth, o General Gaines, a Dra. Shelley e uma cadeira vazia.
General: - Havia uma cadeira vazia ontem à noite na assembléia dos andróides A99. Agora há um lugar vazio em nossa mesa. Pela primeira vez, em sete anos, o Dr. Giella não está aqui, conosco.
Quadro 6: O General espalma as mãos sobre a mesa, com expressão grave no rosto. A seu lado, a Dra. Shelley espelha a expressão.

General: - A Dra. Shelley irá expor aos senhores a gravidade dos acontecimentos! Dra.?

Shelley: - É meu dever comunicar aos senhores...
Quadro 7: As outras pessoas da mesa reagem com expressões de estupefação.

Shelley: - Que toda a classe de andróides A99 da polícia política, que era de responsabilidade minha e do Dr. Giella, está sendo desativada!
Página 7:

Quadro 1: A Dra. Shelley prossegue.





Shelley: - Por razões que ainda investigamos, a unidade NOVT-A99 Remus passou a ter comportamento errático, com sucessivas quebras do código de ética! Apenas esta unidade apresentou tais falhas e foi desativada!
Quadro 2: A Dra. Shelley, o General e o Major se põem de pé.






Shelley: - Como Não detectei falhas no programa gerenciador, o Dr. Giella resolveu estudar o hardware da unidade. Durante a autópsia, ao que parece, o andróide foi misteriosamente reativado, matou o Dr. Giella e fugiu!

General: - E ainda não foi encontrado! Senhores, compreendam bem a gravidade de tudo isso!
Quadro 3: Vista externa do prédio, com a cidade ao redor.


Voz: - Algo... ou alguém, descobriu como interferir no software ou no hardware de nossos andróides. Eu os convido agora a testemunhar o incineramento sumário de TODOS os andróides A99 restantes!
Quadro 4: Os andróides desativados estendidos lado a lado sobre uma esteira rolante, cercados por um grande maquinário.
“A árvore ruim será cortada e lançada ao fogo.”


Quadro 5: O general se dirige à dra. Shelley, que parece constrangida.

General: - Dra. Shelley, quer ter a bondade...?

Shelley: - Oh! Sim... Sim, senhor!
Quadro 6: A mão da Dra. Shelley acionando um botão. Após o clic começa um ruído contínuo de engrenagens.
Quadro 7: Close do rosto da Dra. Shelley, que deixa cair uma lágrima. Continua o ruído de engrenagens.
“Haverá choro e ranger de dentes?”

Página 8:

Quadro 1: Shelley e o General conversam.







Shelley: - Han? Desculpe... Perguntou alguma coisa, General?

General: - Eles sentirão dor?

Shelley: - Não! Eles... estão desativados!...
Quadro 2: Os andróides sendo conduzidos pela esteira a uma fornalha.
Shelley: “...São apenas carcaças!
... ao custo de 90.000 Dólares, cada uma.”
Quadro 3: Shelley enxuga a lágrima com as costas dos dedos.


General: - Desculpe! Perguntei porque estou notando que...

Shelley: - Desculpe, General... mas não pude evitar!
Quadro 4: Shelley estende a mão, a qual segura um pequeno disco reluzente.

Shelley: - Passo às suas mãos todas as gravações do projeto A99. Aqui estão o software gerenciador e todos os resultados!
Quadro 5: A mão do general tocando o disco na mão de Shelley.




Shelley: - Todas as noventa personalidades desenvolvidas, as memórias de todas as missões, tudo o que eles aprenderam e todas as emoções que sentiram estão gravadas aqui!
General: - Emoções? às vezes penso que Paul Rensie estava certo!
Quadro 6: Shelley e o General se afastam, conversando.
Shelley: - Paul Rensie? O que ele disse?
Quadro 7: Ruído de engrenagens. O rosto do andróide Rom se aproximando das chamas.
Quadro 8: O rosto de Rom começa a se incendiar.
Quadro 9: O rosto ardendo como tocha, começando a se desintegrar.

(Fim de episódio)

Página 9:

Quadro 1: Vista da cidade. Aparece a entrada de uma pequena alfaiataria (Uncle Tom’s). Anoitece.









Epígrafe: “Vivemos, realmente, em um admirável mundo novo, habitado por homens que raciocinam como máquinas, e máquinas que se emocionam como homens!”
- Paul Rensie, crítico literário, na comemoração do centenário da publicação de “Brave New World”, de Aldous Huxley (2032).
Quadro 2: Interior da alfaiataria. A figura encapotada e de chapéu abre a porta, fazendo soar os sininhos atados a ela. O alfaiate, um velho negro, olha para o visitante.
Alfaiate: - Desculpe, senhor, mas já estou fechando a loja!
- Senhor?

Figura: - Eu sei disso! Estava esperando lá fora!
Quadro 3: O visitante, com o rosto oculto pela penumbra.
Figura: - Eu o estive observando! Você parece ter as mesmas medidas que eu!
Quadro 4: O alfaiate gesticula, embaraçado.


Alfaiate: - Acredito que sim, senhor! Terei o maior prazer em serví-lo amanhã! Por hoje...
- Han?
Quadro 5: O alfaiate, em primeiro plano, olha para o visitante, que começa a tirar uma luva.



Quadro 6: A mão esfolada do andróide Remus. Ao fundo o rosto assustado do alfaiate.

Alfaiate: - O senhor usa luvas cirúrgicas! É médico... ou sofreu algum acidente?

Figura: - Sofrí, sim!... Um terrível acidente!

Remus: - Como pode ver, perdi toda a minha pele! ... e preciso de uma nova, com as minhas medidas!
- Vim ao alfaiate certo?
Quadro 7: Exterior da loja. Grito de pavor do alfaiate.
Quadro 8: Vista da cidade. O edifício com a pirâmide luminosa.
Página 10:

Quadro 1: Sala do General Gaines. Ele está diante da vidraça ampla, olhando a cidade. Sentado em uma cadeira em primeiro plano, o Major Hogart conversa com ele.


General: - Quero que mantenha vigilância constante sobre a Dra. Shelley, Major!

Major: - Há suspeitas sobre ela, Senhor?
Quadro 2: O General se volta.




General: - Não quero que aconteça algo a ela antes que tudo se esclareça! Já lhe ocorreu que o andróide pode procurá-la? Ou quem quer que tenha se apossado dele?

Major: - Ela ficou bastante abalada com tudo isso!
Quadro3:





General: - Todos nós ficamos! São décadas de trabalho e apuro técnico colocadas em xeque!
E um prejuízo considerável com a destruição de todas aquelas unidades!

Major: - Mas não tivemos escolha!
Quadro 4: Os andróides estendidos na esteira.


Major: “Os A99 partilhavam o mesmo programa gerenciador. Se um deles foi acessado por desconhecidos, os outros poderiam sê-lo a qualquer momento!”
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Ovelhas Elétricas
Por Olendino Mendes
Quadro 5:



Major: - O andróide Remus começou usando palavras rudes. Depois maltratou civis, disse heresias ao confessor, questionou ordens e, por fim, fez o pior: foi o primeiro andróide a matar seu biocultor!
Quadro 6: Vista da cidade. Aparece a alfaiataria.


Major: “Agora ele é apenas mais um habitante entre 28 milhões, nesta cidade! E nem podemos relatar sua fuga à população!”
Quadro 7: Interior da alfaiataria. Remus, com o rosto ainda esfolado, costura uma “luva” de pele na mão e no antebraço, enquanto ri.
Quadro 8: Com a boca escancarada numa gargalhada demente, Remus enfia a pele do rosto do alfaiate na cabeça, como quem veste um capuz.

Remus: - Rá-rá-rá-rá-rá!
- Agulha, linha, e uma tesoura afiada! Você tinha tudo de que eu precisava! Até mesmo uma pele do meu tamanho!
Página 11:

Quadro 1: Exterior de um edifício. Ruído de um telefone tocando.
Quadro 2: O aparelho tocando dentro de um apartamento vazio.
Quadro 3: O Major, com o fone no ouvido, expressão de impaciência no rosto.
Major: - Vamos! Atenda!...

Quadro 4: Close do Major.



Voz: - Alô?
Major: - Tenho que ser breve! Fez os contatos? Sim? Na hora e local combinados, então!
- Até logo!
Quadro 5: O Major coloca o fone no gancho.
Quadro 6: Interior do apartamento. A Dra. Shelley com o fone nas mãos. Pela janela pode-se ver a igreja.
Página 12:

Quadro 1: Exterior da igreja.
Quadro 2: Os dois clérigos estão jogando xadrez.






Clérigo 1: - Boa jogada!

Clérigo 2: - Não sabia que jogar com o velho tabuleiro fosse tão mais divertido!

Clérigo 1: - É mesmo! Há quanto tempo estamos jogando?
Quadro 3:





Clérigo 2: - Não sei! Só sei que naquele tempo eu ainda tinha um rebanho de A99!

Clérigo 1: - É!... você foi profético em sua homilia: Falou no fogo do inferno e eles foram todos incinerados! Um só pecou e todos mereceram a morte!
Quadro 4:






Clérigo 2: - Por falar nisso, por que estávamos discutindo a origem do mal, anteontem?

Clérigo 1: - O tabuleiro de xadrez me fez lembrar a cultura persa. Eles resolveram o dilema aceitando a existência de dois deuses: um deus do Bem (Ormuz) e um deus do Mal (Ahriman).
Quadro 5: (Para ilustrar o diálogo podem ser usadas imagens de templos persas.)




Clérigo 1: “No princípio, Ormuz criou o dia, e Ahriman a noite; Ormuz plantou um jardim e um pomar, Ahriman trouxe as pragas e as plantas daninhas... e assim por diante. Ormuz era o deus da Verdade, Ahriman o Pai da Mentira. Esses dois deveriam guerrear durante 12.000 anos. Então, o bem triunfaria!
Quadro 6:






Clérigo 2: - Ainda estamos neste período?

Clérigo 1: - Bem, o último dos quatro períodos de 3000 anos começou por volta de 600 A.C., quando nasceu Zaratustra.

Clérigo 2: - Já ouvi esse nome!...
Quadro 7:



Clérigo 1: - Zaratustra era filho de uma virgem, a qual concebera após ser tocada pelo deus Ormuz!

Clérigo 2: - Êpa! Conheço uma história parecida...
Quadro 8:






Clérigo 1: - Pois escute mais: muito jovem, Zaratustra se retirou no deserto, foi tentado por Ahriman, uniu-se aos humildes e pregou a fé em Ormuz, entrando em conflito com a casta dos sacerdotes tradicionais. Ao morrer, foi levado ao céu por um raio!

Clérigo 2: - Espere aí!... Onde aprendeu essas coisas?
Quadro 9:






Clérigo 1: - Eu não navegava no ciberespaço apenas para jogar xadrez on line! Há duas correntes religiosas lá, agora! Uma é o Masdeísmo; outra, mais popular entre as Entidades Binárias, é o velho Gnosticismo, de Basilides!

Clérigo 2: - Vamos voltar ao jogo?
Página 13:

Quadro 1: Exterior do prédio, onde antes tocava o telefone.
Quadro 2: No interior do prédio estão o Major, a Dra. Shelley, Professor Swan (um velho cientista), e Schifreen (um jovem hacker).

Major: - Falta chegar alguém?

Shelley: - Não! Podemos começar! Todos já se conhecem?
Quadro 3: Schifreen, embaraçado. A Dra. Shelley atrás dele.




Schifreen: - Olha, eu... sinceramente!...

Shelley: - O que há, Schifreen? Está incomodado com a presença do Major Hogarth?

Schifreen: - É que...
Quadro 4: O Major encara Schifreen.



Major: - Não precisa se incomodar! Temos, no Serviço de Inteligência, a ficha de milhares de hackers iguais a você! E você não é considerado dos mais perigosos!
- Você é tido como maluco!
Quadro 5: Shelley apresenta Swan.



Shelley: - Este é o professor Justus Swan. Quase tudo o que sei, devo a ele!

Swan: - É um prazer, senhores!
Quadro 6: Shelley indica ao grupo uma porta.

Shelley: - Mas vamos logo ao meu escritório! Nosso objeto de estudo está lá!
Página 14:

Quadro 1: Vista noturna da cidade. Exterior do Bavaria Night Club, adornado com símbolos nazistas.
Quadro 2: Ross (corpulento, cabeça raspada e bigode) e Vess (louro, franzino e de rabo-de-cavalo), estão sentados a uma mesa bebendo canecas de cerveja. Ross se volta, com ar de surpresa e raiva.
Ross: - Com mil diabos! Veja aquilo, Vess!



Quadro 3: Em primeiro plano, Ross começa a se levantar da cadeira. Ao fundo, de costas, Remus com o capote mas sem o chapéu, já usando a pele do alfaiate, aproximando-se do balcão.
Ross: - Êi negro! Não entrou no bar errado?
- Êi! Estou falando com você!

Vess: - Vá com calma, Ross!
Quadro 4: Ross já de pé se dirigindo a Remus, que continua de costas, impassível.
Ross: - Além de feder, você também é surdo?

Quadro 5: Primeiro plano: o rosto de Remus com a pele enrugada e mal aderida à carne. Ele tem um aspecto asqueroso: boca torta, pálpebras caídas, um grande rasgo na testa costurado toscamente. Ao fundo, Ross grita raivosamente.
Ross: - Você fede carniça! Caia fora daqui!




Quadro 6: Ruído sêco. O punho cerrado de Ross acerta um murro na mão espalmada de Remus, que apara o golpe.
Quadro 7: Ruído de esmagamento.Grito de dor. A mão de Remus se fecha, esmagando o punho de Ross.
Quadro 8: Ross de joelhos, gemendo. Remus, de pé, ainda segura seu punho. Vess se aproxima dos dois.





Vess: - Por favor, senhor, solte o meu amigo! Compreenda que a sua presença aqui é uma provocação!

Remus: - Procuro Kurt Vess!

Vess: - Sou eu!
Quadro 9: Remus encara Vess, que o olha boquiaberto.






Remus: - A senha é... Daêva!

Vess: - O... o q-que disse?

Remus: - DAÊVA!

Vess: - Oooh! V-Você veio mesmo!
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Por Olendino Mendes
Página 15:

Quadro 1: Vista externa do prédio onde Shelley mora.
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Quadro 2: Schifreen, Shelley, Swan e o Major diante de uma mesa coberta por um lençol.


Shelley: - Estão todos cientes de que estamos violando leis do Estado, senhores?

Swan: - Sim... Mas ainda não sei quais, exatamente!
Quadro 3: Shelley puxa o lençol, revelando o rosto adormecido do andróide Rom.
Shelley: - A primeira delas: apropriação indevida de um bem da Federação.
Quadro 4: Schifreen e Swan, assustados.



Schifreen: - @!#§&!! Um A99! É de verdade?

Swan: - Não compreendo! Eles não foram todos incinerados?
Quadro 5: Shelley e o Major.

Shelley: - O alto comando pensa que sim... com excessão do Major Hogart, claro!
Quadro 6: Todos se acercam do andróide.








Shelley: - Eu atraí o andróide para cá e o desativei logo que soube da decisão de destruir sua classe. Desde então ele está desativado, por segurança!

Major: - Providenciei para que uma carcaça obsoleta, recoberta com a pele retirada do andróide Remus, fosse incinerada no lugar dele!

Schifreen: - Grande! E o que vamos fazer com ele?
Quadro 7: O rosto adormecido de Rom. Schifreen e Shelley, ao fundo.



Shelley: - Vamos tentar descobrir, examinando-o, como alguém conseguiu assumir o controle de seu duplo.

Schifreen: - Posso ter acesso ao código do Programa Gerenciador? Não Acredito!
Página 16:

Quadro 1: Uma máquina de jogar xadrez .
















“Em 1950 (há 140 anos, portanto) o matemático Norbert Wiener publicou Cibernética e Sociedade - o uso humano de seres humanos. Wiener (1894-1963) descrevia os princípios básicos da Cibernética: entropia, feedback, automação, informação, comunicação, aprendizagem. Já em sua obra póstuma Deus, Golem e Companhia (1964), Wiener comentava os pontos de contato entre a Cibernética e a religião. Para Wiener o raciocínio abstrato, o dom de aprender e se reproduzir, não seriam prerrogativas dos seres humanos outorgadas pela Divindade. Como o computador que, ensinado a jogar xadrez, eventualmente vence seu próprio mestre, as máquinas seriam também capazes de aprender, selecionar conceitos úteis e, dados os recursos, criar outras máquinas à sua própria imagem. “
Quadro 2: Um microcomputador. Na tela do monitor a imagem difusa das mãos e rosto de uma pessoa que parece observar atentamente o que ocorre “do lado de fora” da tela (como alguém que cola o rosto à vidraça de uma janela).









“A partir da década de 1980 espalharam-se pelo mundo os chamados “vírus de computador”. Estes minúsculos programas eram dotados de “instintos” básicos: sobrevivência, predação e reprodução. Foram, das primeiras experiências rudimentares de Inteligência Artificial, a mais bem sucedida. A partir da década de 2010 estudantes e entusiastas da Inteligência Artificial (IA), começaram a colocar na Internet seus modelos de Entidades Binárias (EB). As EB eram programas complexos, que emulavam o raciocínio humano. Usuários da rede se divertiam conversando com as EB ou observando como elas interagiam. Algumas pessoas, assustadas, questionaram a eventualidade de as EB interferirem no mundo “real”.”
Quadro 3: Um Golem, como o representado no filme de Paul Wegener (uma estátua de barro com trajes hebráicos). A estátua deve estar numa atitude que mostre movimento.









“Para assombro mundial, 15 anos depois as EB tinham desenvolvido uma cultura própria. Compunham música, escreviam narrativas, promoviam exposições de arte e proferiam conferências sobre diversos temas filosóficos e matemáticos. Neste ponto, o maior Mestre mundial de xadrez era Lazlo, uma EB admiradora do pioneiro Wiener. Foi nesta época que começou-se a suspeitar da existência de duas EB “supranormais” na Rede. E foi também quando a IA e a clonagem de corpos humanos se uniram para dar vida ao mito do Golem. Como o monstro de barro das lendas hebraicas, dotado de vida mas incapaz de decidir seu próprio destino, o andróide saiu da ficção para a realidade.”
Quadro 4: O rosto de Rom, ainda deitado sobre a mesa, com vários fios conectados à cabeça. Pelo seu ouvido entra um grosso cabo.













(Fim de episódio)
“A prática comum de clonar corpos sem cérebro para transplantes motivou as experiências de implantação de cérebros artificiais em tais corpos. Um corpo humano cujas funções cerebrais naturais se resumiam ao básico (as mesmas de qualquer animal) recebeu o implante de um microchip que substituiu as áreas “nobres” do cérebro; aquelas que possibilitam raciocínio abstrato, aprendizado e princípios morais. Com o uso de tais andróides, governos totalitários pretendiam corrigir o “erro” de Deus, já que passavam a dispor de escravos infalíveis, incapazes de desobedecer uma ordem, pelo fato de não saberem distinguir o bem e o mal. Mas, depois de décadas de sucesso, algo saiu errado!”



Página 17:

Quadro 1: Vista exterior da igreja. Dela sai uma voz.








Epígrafe: “Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? já foi nos séculos passados, que foram antes de nós.”
Eclesiastes 1,10

Voz: - Êi, Dárius! Não vamos jogar hoje? Estou esperando há tempos!
Quadro 2: Ao fundo, o clérigo 2 está segurando uma porta entreaberta enquanto fala para o interior do quarto. Em primeiro plano o clérigo 1 (Dárius), sentado diante do computador. Ele usa um aparelho de realidade virtual (semelhante a óculos escuros e pesados, com fones cobrindo as orelhas e um microfone de telefonista).
Clérigo 2: - Dárius? Está me ouvindo?






Quadro 3: A cabeça de Dárius, vista de trás e a tela do monitor, onde se vê o diagrama de um tabuleiro de xadrez.
Clérigo 2: - O que está fazendo? Estudando a tática para me derrotar? Ora veja!

Quadro 4: Close do rosto de Dárius, banhado de suor.



Clérigo 2: - Dárius? Você está bem? É perigoso usar essas coisas! É proibido...

Dárius: - Da... Daêva!
Quadro 5: O clérigo 2 arranca o aparelho da cabeça de Dárius, que tem os olhos revirados para dentro das órbitas, com expressão de agonia.
Clérigo 2: - Dárius!


Quadro 6: Desfalecido, Dárius desaba da cadeira. O clérigo 2 o olha, assustado.
Quadro 7: O clérigo 2 olha para a tela do monitor onde surgiu a mensagem “Transmissão interrompida”.
Clérigo 2: - O que...

Página 18:

Quadro 1: Vista da cidade. O edifício onde Shelley mora. Dele sai uma voz.


Voz: - Sabíamos que você teria facilidade, Schifreen!

Quadro 2: Schifreen ao computador. Swan o assiste.






Swan: - O modelo de Inteligência Artificial dos andróides evoluiu a partir do código de algumas entidades binárias, particularmente Lazlo! Sabemos que você as conhece bem!

Schifreen: - O código, sim! Mas não gosto da personalidade de muitas delas! Lazlo, então, é um fascista irrecuperável!
Quadro 3:








Swan: - Mesmo? Há muitos anos não jogo com ele! Quando o conheci, ele... não era assim!

Schifreen: - As EB, como as pessoas reais, aprendem coisas boas e ruins, e mudam com o tempo! Lazlo já tem 36 anos de idade, é o dobro do meu tempo de vida!

Swan: - É? Tudo isso?
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Ovelhas Elétricas
Por Olendino Mendes
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Quadro 4:
Schifreen: - As EB também têm a sua própria religiosidade! É com isso que nós, hackers estamos lidando! Sabemos que eles têm uma religião messiânica e uma data para o fim do mundo! Mas não a revelam aos seres humanos.

Swan: - É por coisas assim que vocês são considerados um bando de loucos! As EB não são pessoas! São apenas programas!
- Só falta você estar suspeitando de que quem dominou o andróide foi esse tal Ahriman que vocês dizem viver na Internet!
Quadro 5:
Schifreen: - Certamente não foi Ormuz! Posso perguntar a ele, se você quiser!
Quadro 6: Vista da cidade. Um prédio decadente nos subúrbios.
Voz: - Com quem está fazendo contato?
Quadro 7: Interior de um apartamento. Paredes descascadas e sujas. Remus está sentado ao computador. Vess o observa, curioso.
Vess: - Cara, que site é esse? Nunca vi, nem ouvi falar! E que língua é essa? Grego? Russo?
Página 19:

Quadro 1: Remus começa a arrancar a pele do rosto.


Vess: - Êi! Por que você está fazendo isso?
Quadro 2: Remus conecta um cabo grosso (idêntico ao que foi mostrado ligado à cabeça de Rom) na porta do modem, na lateral da CPU do computador.
Quadro 3: Remus conecta a outra extremidade do cabo à sua cabeça, através do ouvido.
Vess: - Ué! Você tem tomadas na cabeça! Que demais!

Quadro 4: Remus operando o teclado, com seus olhos esbugalhados.
Vess: - E agora? O que está fazendo, hem?

Quadro 5: A tela do monitor. Surge um quadro de mensagem e uma barra de progressão. “Baixando 381 de 1740 arquivos”. “Tempo restante estimado: 0.38 minutos”. Por trás do quadro vê-se um texto em caracteres sânscritos.
Quadro 6: O edifício onde Shelley mora.

Voz: - Por favor, Andrew! Não é o momento adequado!
Quadro 7: Shelley e o Major conversam, muito próximos.
Major: - Você sabe por que entrei nesta loucura! Foi por você!
Página 20:

Quadro 1: O Major, irado.




Major: - Estou colocando em risco minha carreira, minha liberdade e, quem sabe, minha vida! E as coisas estão indo pelo pior caminho possível!
Quadro 2: O major anda pela sala, abrindo os braços dramaticamente.




Major: - Amanhã eu entro no escritório do General gaines e digo: descobrimos uma conspiração na Internet! Nossos andróides estão sendo abduzidos por um demônio digital!
- Como descobri isso? Com a ajuda da psicocultora que o senhor suspendeu, um professor aposentado e um hacker maluco!
Quadro 3: Em primeiro plano, Shelley vira a cabeça, surpresa, para olhar o Major. Ao fundo, ele está com ar estupefato, levando as mãos à cabeça.

Shelley: - O que você disse? Eu estou suspensa?

Major: - Eu... eu...

Shelley: - O que foi?
Quadro 4: Shelley se volta para o ponto que o Major está fitando e também se assusta. Ele aponta, incrédulo.
Major: - Veja aquilo!

Shelley: - Oh!
Quadro 5: O andróide, ainda coberto pelo lençol, está sentado sobre a mesa.
Shelley: - Q-Quem reativou o andróide?

Quadro 6: Schifreen entreabre a porta do outro aposento e põe a cabeça para fora, exultante.
Schifreen: - Deu Certo! Iarrú!

Quadro 7: Rom sentado, já sem o lençol, Shelley e o Major.
Rom: - A Dra. disse que queria falar comigo!...

Major: - O que vocês fizeram?
Quadro 8: Swan e Schifreen.

Swan: - Schifreen fez! Quebrou a proteção do código e acrescentou uma rotina que reativa o andróide após um tempo determinado!

Schifreen: - Acredito que foi isto o que fizeram com o outro andróide!

Swan: - Só resta uma coisa a descobrir...
Página 21:

Quadro 1: Schifreen.


Schifreen: - É! Como se conectaram fisicamente ao andróide para acessar seu código?
Quadro 2: O Major, Shelley e Swan.


Major: -Remus era um andróide perturbado! Ele mesmo poderia ter se conectado a uma rede pública!

Shelley: - Não acredito! Ele nunca faria isso espontâneamente!

Swan: - Há uma pergunta que se sobrepõe às outras:
- O que foi que deixou Remus perturbado?
Quadro 3: Close do rosto de Rom, ainda com o cabo conectado ao ouvido.
Rom: - As confissões periódicas com padre Dárius!

Quadro 4: Os rostos espantados de Shelley, Major, Swan e Schifreen.
Quadro 5: O edifício nos subúrbios.
Quadro 6: A tela do monitor com texto em sânscrito. O quadro de mensagem com barra de progressão agora diz: “Apagando arquivos”. “Tempo estimado: 0.46 Minutos”.
Quadro 7: Vess abrindo uma porta e olhando para fora.

Vess: - Claro que podem entrar! Mas vão com calma! É melhor não perturbá-lo!
Página 22:

Quadro 1: Panorâmica. Em primeiro plano o rosto impassível de Remus. Ao fundo vários membros da turma de Vess olham com curiosidade e surpresa.





Jovem 1: - Cara! O que ele tá fazendo?

Jovem 2: - O que houve com a pele dele?

Jovem 3 (Sussurro): - Que fedor!

Remus: - Boa noite, senhores! Aguardem um pouco!
Quadro 2: A tela do monitor. O quadro de mensagem diz: “Finalizando a transferência.”
Quadro 3: Sem se voltar para os rapazes, Remus arranca o plugue do ouvido, enquanto fala.
Remus: - Tenho algumas tarefas para vocês!
- Duas delas são no mesmo endereço!
Quadro 4: Na calçada em frente ao prédio onde Shelley mora. Schifreen, em sua moto, se despede de Swan. Ainda é noite.

Schifreen: - Tem certeza de que não quer uma carona, Professor?

Swan: - Obrigado! Acho que vou caminhar um pouco! Estou precisando!
Quadro 5: Swan se afastando na noite.
Quadro 6: Swan desaparece nas sombras.
Página 23:

Quadro 1: Vista externa da igreja. Amanhece o dia.
Quadro 2: O Major, o Abade e Shelley caminham por um corredor.
Abade: - Estamos todos abalados com esse incidente! O padre Dárius está começando a se recuperar!
Quadro 3: O abade abre uma porta.
Abade: - Vamos ver se ele já tem condições de falar!
Quadro 4: O Abade horrorizado. Ao fundo Shelley abraça o Major, escondendo o rosto.
Abade: - Bom di... OH! Que Horror!

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Quadro 5: Dárius na cama, com uma perfuração na testa e o rosto e o travesseiro ensanguentados.
Quadro 6: Um clérigo vem correndo pelo corredor ao encontro dos três

Clérigo: - Abade! Arrombaram a porta do templo!

Abade: - Mais isso? Roubaram algo?

Clérigo: - Todas as hóstias, senhor!
Quadro 7: Shelley e o Major.


Major: - Hóstias?

Shelley: - Fenocilato de Betazol! Remus está por trás disso, com certeza!
- Ele precisa desta substância! Sem seu uso diário o andróide se degenera! Os tecidos não se fixam e o sistema nervoso entra em colapso!
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Ovelhas Elétricas
Por Olendino Mendes
Página 24:

Quadro 1: Uma pessoa jovem usando um aparato de realidade virtual e operando um computador.



“A velha Internet, já centenária e abandonada pelos governos e corporaçöes que migraram para outras redes mais seguras, tornou-se a grande depositária de todo o progresso humano nas artes e na ciência. Mais do que isso, o ciberespaço se tornou um mundo paralelo à realidade, com habitantes e paisagens próprias. ”
Quadro 2: A mesma pessoa, braços abertos, “voando” sobre uma paisagem fantástica.


“Já em 2025 aparatos permitiam aos humanos “entrar” nos mundos virtuais habitados pelas entidades binárias. Pais e educadores se desesperaram com jovens que viajavam horas a fio por mundos fictícios, muitas vezes se recusando a voltar à realidade.”
Quadro 3: Um grupo de pessoas, em trajes modernos, passeando em uma cidade medieval.

“Em vários países os aparelhos foram banidos. Em outros tentou-se outra saída: o uso educacional. Escolas e universidades criaram sites onde se podia, virtualmente, visitar períodos históricos diversos, ou conhecer ecossistemas já extintos. Mas isto ainda não foi a solução.”
Quadro 4: Uma pessoa em estado terminal num leito de hospital.



“Casos de “abdução digital” se tornaram comuns. As vítimas de tais “abduções” não voltavam de suas viagens. Seu corpo, transformado numa casca vazia, definhava até a morte.”
“As viagens virtuais foram então definitivamente proibidas.”
Quadro 5: Vulto da pessoa que olha “de dentro do monitor” (como no quadro 2 da página 16).

“A humanidade descobriu, de maneira trágica, que as Entidades Binárias não eram mais apenas uma curiosidade. Eram uma outra sociedade, complexa como a nossa, onde o Bem e o Mal também estavam em luta.”

"Ze Carlos,  Ovelhas Elétricas é uma daquelas
histórias citadas no site, que ficam amadurecendo na minha cabeça por anos a
fio. Os primeiros esboços foram feitos em 1988! Em 1999 (acho), pus no papel
a primeira parte do roteiro. A segunda ainda está em processo. Você gostaria
de dar sugestões? Vou te adiantar as linhas gerais:
-Lazlo quer pressionar Swan para ganhar novo corpo, mas o único corpo
adequado é o do androide Rom, que está em poder do hacker Dave;
-Dave, por sua vez, tenta humanizar o andróide Rom, para pô-lo em contato
com a EB "do bem" Ormuz, e descobrir qual EB invadiu o mundo "real";
-A humanização de Rom cria uma situação curiosa: ele se apaixona pela
doutora Shelley e ela "balança" com isso, criando um triângulo inusitado com
o Major;
-Sexo, intrigas, Rock n' Roll, perseguições, anticlimax, etc;
-O final está em aberto. Pensei vagamente em algo do tipo: ao descobrir que
Ormuz não é tão "do bem assim", (ele estava por trás das primeiras abduções
de humanos, tentando dominar seus corpos) os habitantes do mundo real
declaram guerra ao mundo virtual. As EB são caçadas e exterminadas. O
andróide Rom, claro, deve ter um final mesiânico, sacrificando-se de alguma
forma pelo bem de todos. A ditadura burocrática também merece ser extinta.
Algo assim.

Não assisti Matrix. As influências mais notáveis na história são Phillip K.
Dick (essa aparece até no título, mas com sentido reinterpretado), o único
episódio de Arquivo X que assisti até hoje, "Vivendo no ciberespaço", 2001

(reparou na musiquinha que o andróide canta?), e as tais sagradas
escrituras.

Ovelhas foi escrita para o Dave Gibbons desenhar (Brincadeira!
Brincadeira!)... Não, eu não penso em desenhá-la. O desenhista, seja quem
for, poderá contribuir com idéias
."

Olendino.