ALAN MOORE     Senhor do Caos  /   Lord of Chaos

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Quadrinista, Escritor, Ensaísta, Crítico, Ilustrador, Maquetista, Artista Gráfico ,Editor e Publicitário :

César Ricardo Tomás da Silva,  Cerito.

O mano César foi o responsável pela minha Introdução no mundo da “auto publicação”quando, há mais de 20 anos, num contato através de uma carta no renomado fanzine Historieta (Oscar Kern, Porto Alegre) nós iniciamos o projeto conjunto entitulado HIPERESPAÇO ( www.hiperhistoria.hpg.com.br), que dura até hoje. É um fanzine que visa divulgar a Ficção Científica, Fantasia e Terror em todas suas formas de expressão artística-cultural. Nestes anos todos aprendemos muito, conhecemos muita gente boa, compramos algumas brigas até, mas o balanço geral é sempre positivo.

Artista versátil e de grande talento, foi quem me ensinou também os rudimentos do “papimodelismo” eu que, quando criança, era vidrado na saudosa revista Recreio justamente porque vinham modelos de papel para montar.  Com vocês, Cerito

- Idade, onde nasceu e cresceu, estado civil, filhos, formação acadêmica e profissional

Estou com 43 anos, nasci em Sao Paulo, Capital, e fui criado na regiao do ABC, onde vivo ate´ hoje na cidade de Sao Bernardo do Campo. Sou casado com Rita de Cassia e tenho uma filhinha, a Fernanda, com 4 anos. Fiz faculdade de Desenho Industrial e dediquei-me ao design grafico, principalmente nas areas publicitaria e editorial.

-O quê e quando iniciou seu interesse pela Literatura, Quadrinhos e Cultura Pop em geral?

Foi influencia familiar. Minha mae desde cedo facilitou meu contato com as historias em quadrinhos, das quais ela tambem gostava. Os primeiros gibis que li foram nada menos que os espetaculares Almanaque do Tio Patinhas, que estavam estreando no Brasil pela Editora Abril. Fascinavam-me especialmente certas historias, que mais tarde eu saberia que foram todas feitas por Carl Barks, na minha opiniao um dos melhores quadrinistas de todos os tempos.
Nessas aventuras de fantasia pura, algumas beirando a ficcao cientÌfica, como as aventuras cientÌficas de Jules Verne, foi que eu despertei meu gosto pelo fantastico. Em seguida me deslumbraram as historias em quadrinhos de Tarzan, que naqueles anos 1960 eram publicadas no Brasil pela EBAL. Tao logo cairam nas minhas maos as historias produzidas por Russ
Manning, que adaptavam os romances de Edgar Rice Burroughs, eu entrei num verdadeiro frenesi. Assim que pude, iniciei a leitura dos romances originais do personagem, que eram ainda melhores que os quadrinhos. Por conta disso, ate hoje Tarzan e o meu personagem preferido nas HQs, e Manning minha mais profunda influencia gr
afica.
Isso quer dizer que eu comecei a gostar de quadrinhos e de literatura maisou menos ao mesmo tempo.
Tambem gostava de assistir TV, que naquela epoca era bem diferente da de hoje, e nao so´ pela ausencia das cores. Os poucos canais disponÌveis so comecavam a funcionar depois do meio-dia e a programacao infantil era muito minguada. Os desenhos do Pica-pau, do Popeye, do Tom e Jerry e dos personagens da Harvey eram exibidos sem dublagem, em ingles mesmo, ainda lembro de muitas cancoes e de algumas sequencias de dialogos. Nunca fui privado de ver a TV e por isso muitas vezes ficava ate tarde da noite assistindo filmes de terror e FC, como as series Alem da Imaginacao e Quinta Dimensao. Isso me despertou tambem o interesse pelo genero do horror. 

(Coletanea na qual cerito participou com um conto)

--Na infância você lia muito, tanto HQ quanto Literatura mainstream? Pode citar autores e obras que o influenciou?

Como ja´ disse, comecei lendo Burroughs, passei para Verne (o primeiro Verne que li foi Viagem ao Centro da Terra) e depois para H. G. Wells. Minha mae estava entao trabalhando na biblioteca publica de Santo Andre e fez uma ficha so´ para trazer os livros que eu pedia. Quando fui pessoalmente pela primeira vez ao acervo, o livro que escolhi para ler foi Espaço Eletronico,
de Phillip K. Dick. Foi uma experiencia estranha, eu estava com pouco mais de 12 anos e ainda nao tinha estofo para saborear Dick. Mas me recordo que, embora tivesse entendido pouco desse romance, percebi que o genero podia ir muito alem do que eu tinha visto ate aquele momento. Passei a diversificar lendo muito Asimov, Clarke e Bradbury, o meu preferido dentre os autores de FC mais populares.
Confesso que mainstream nao era minha preferencia, mas o que caisse na minha mao eu lia. Quando entrei para o CÌrculo do Livro, li todos os romances de FC&F que eles ofereceram e tambem muitos mainstream  e best sellers. Tive contato com a literatura classica e a literatura brasileira, tambem exigida no colegio, mas confesso que ainda ha  muitos claros na minha formacao literaria academica. Entretanto tenho um apreço especial pelo trabalho de Jose J. Veiga, que tenho como modelo.
No inÌcio dos anos 1970 comecei a ler os personagens Marvel/DC, que eram entao editados pela EBAL. Lia tudo o que podia e tinha um prazer especial pelas aventuras do Homem Aranha que, naqueles primeiros tempos, tinham um clima romantico que mais tarde se perdeu. Tambem apreciava o Thor com sua mitologia nordica e o militarismo de Hulk. Bons tempos. Gostava do Batman e do Super-homem, e dessas leituras veio a segunda onda de influencias graficas: Neal Adams, Jack Kirby e Gil Kane. Acho que foi a leitura certa no momento certo, porque logo os super-herois deixaram de sustentar a qualidade.

-Como se iniciou profissionalmente no genero e qual foi sua primeira atividade?

Minha primeira incursao profissional foi com quadrinhos. Ha anos eu conhecia um outro quadrinista jovem, Mario Mastrotti, com quem ja´ mantinha alguma producao amadora, quando nos apareceu um trabalho para uma distribuidora do Rio de Janeiro, a Editora Carneiro Bastos. Tratava-se de uma serie de sundays com o Fantasminha Pluft, personagem de um livro de Maria Clara Machado. Ele nao sabia bem o que fazer numa historia infantil, pois sua tira era de charge polÌtica e social, e me chamou para fazer os roteiros. Como eu tambem sabia ilustrar, fazia os roteiros desenhados, definindo, alem do texto, a geometria da pagina e o lay-out dos
personagens. Isso facilitava o trabalho dele no desenho e arte-final, e fizemos umas duas ou tres duzias de pranchas assim. A editora pagou uma grana boa pelo pacote, valeu ate´ a pena irmos ao Rio para receber. As vezes eu penso que deveriamos, eu e o Mastrotti, retomar essa parceria
- temos varios projetos excelentes parados desde aqueles tempos - mas apesar de ainda hoje trabalharmos juntos em muitas coisas, nao conseguimos voltar aos quadrinhos.

-Quando foi seu primeiro contato com o trabalho de Alan Moore e qual obra lhe causou algum impacto especial?

Nao tenho certeza absoluta, mas acho que foi nas historias do Mr. Milagre, publicadas no Brasil por uma editora pequena, que era do Joao Tano - Editora Tannus.. Havia muito comentario sobre o material, eu conhecia os caras que estavam produzindo a revista e eles garantiam que era de arrebentar. E era mesmo. Pena ter durado poucos numeros. E´ um material que merece ser publicado na Ìntegra.

-Qual trabalho do mago bardo de Northampton que voce considera sua obra-prima e porque ?

Sem duvida que e´ Watchmen. Embora Moore tenha feito muitas outras historias espetaculares, como a reformulaçao do Monstro do Pantano, A Liga dos Cavalheiros Extraordinarios, Do Inferno e V de Vinganca, nenhum deles tem tanto poder quanto Watchmen - (Leia aqui tambem interessante artigo de Cerito sobre Watchmen)

-Ao seu ver, quais foram as inovacoes mais importantes do autor?

Nao sei se essa inovaçao foi merito somente dele. Como Moore e´ ingles, ao emprestar para os super-herois - um produto tipicamente americano - o estilo britanico sofisticado que ja´ era praticado nos quadrinhos deles  de modo geral, causou um efeito devastador. Basta ler as tiras de humor de Romeu Brown para conferir a qualidade do trabalho britanico nos quadrinhos, bem antes de Moore. Ocorre que Moore parece gostar mesmo de super-herois, coisa rara entre os europeus, e essas duas caracterÌsticas reunidas pela primeira vez ate´ entao, resultaram num produto diferenciado e logo imitado.
Hoje ha´ muitos roteiristas ingleses atuando com os supers gringos, como Neil Gaiman e Garth Ennis, fazendo bons trabalhos tambem. Ate´que Moore e Gaiman começassem a fazer roteiros para os supers nos EUA, esse trabalho era reservado aos autores americanos, que nao tinham - e ainda nao teem - espÌrito erudito e arcabouço cultural tao amplo quanto de seus colegas britanicos. Moore e os demais ingleses que trabalham com quadrinhos nos EUA
desenvolveram um novo tipo de HQs, para um publico diferenciado que escolhe suas leituras pelo nome do roteirista, nao pelo desenhista. Isso aproxima os quadrinhos da literatura, algo que ate' entao era merito exclusivo de Will Eisner nos EUA.
Acredito, entretanto, que houve uma realimentaçao no processo todo, nas influencias que cruzaram varias vezes o Atlantico, iniciando pelo material da EC Comics e da Warren que influenciou os autores franco-belgas na Metal Hurlant, que devolveu essa influencia aos americanos na Heavy Metal, que influenciou o mundo inteiro e abriu caminho para a sofisticaçao grafica e de linguagem nos quadrinhos - e carimbou os passaportes e as carteiras de trabalho dos roteiristas britanicos.

Especificamente sobre Watchmen e sua instigante forma narrativa – já apelidada de O Cidadaõ Kane da Nona Arte  – o que tem a nos dizer?  

Watchmen mudou minha maneira de encarar os quadrinhos. Ate´ o dia em que terminei a sua leitura, eu encarava os gibis de uma forma compartimentada.Embora ja´ apreciasse o quadrinho europeu e o underground americano, eram coisas isoladas entre si, como se fossem artes diversas e inconciliaveis.Watchmen demonstra que nao existem abismos entre os generos, a nao ser aqueles que as editoras criaram para facilitar seu trabalho comercial.Entao deixei de fazer concessoes.Hoje eu exijo no mÌnimo o melhor de qualquer mÌdia, o que me permitiu, com grande alÌvio eu confesso, abandonar definitivamente a leituras de super-herois em geral.

-César, eu lembro que você chegou a apreciar muito os  X-Men. O que achou da versão hollywoodiana? Acha que ainda existe espaço para seres musculosos e com super-poderes, metidos em colantes, na verdadeira Cultura Pop, mais madura? Pergunto porque muitos fãs dos super-heróis, ao mesmo tempo que admiram Alan Moore, o detestam por considerar que ele praticamente destruiu o gênero com Watchmen. E você?

De fato, eu acompanhei os X-men desde sua estreia, com Jack Kirby, e gostei da fase de Chris Claremont. Mas nao ha´ muito ali de verdade, apenas um pouco de magia infanto-juvenil. Como tal, tem valor sentimental, mas nada mais do que isso. Parei de ler os X-men, assim como todos os demais supers, depois de Watchmen.
Quando soube que Hollywood preparava uma nova versao dos mutantes para o cinema (nao foi a primeira, voce sabe disso), nao fiquei muito animado. Tambem estou muito exigente com o cinema e nao tenho mais paciencia com adaptaçoes caca-nÌqueis e sequencias. So´ assisti ao primeiro filme do X-men ha´ poucas semanas, quando foi exibido na TV aberta, e confirmei que
realmente nao valia o meu ingresso. O filme e´ tao  descartavel quanto os gibis, nao apresentou nada de novo e soou como uma versao patetica de Matrix. Os atores foram desperdiçados, fora o Wolverine nenhum dos personagens tem qualquer carisma. Ja´ dizia Walt Disney que uma boa historia se faz com um bom vilao. Nem isso X- Men teve. Magneto ficou parecendo um daqueles palhaÇos do Batman Forever.

-Acha que ainda existe espaço para seres musculosos e com super-poderes, metidos em colantes, na verdadeira Cultura Pop, mais madura?

Quanto ao genero como um todo, minha opiniao e´que esta esgotado. Nao tem mais nada a dizer ha´ algum tempo e reprisa os mesmos temas cada vez com menos talento. Watchmen realmente colocou um ponto final na pretensao de qualquer super-heroi em ser levado a sÈrio. Mas e´ possÌvel que esse esgotamento seja cultural, e nao conceitual, quero dizer, talvez seja a
cultura americana que nao consegue dar abordagens novas ao tema. Os ingleses provam que ainda da´ algum caldo se espremer bem; e os japoneses tambÈm estao reciclando varios desses mitos, com algum sucesso - pelo menos comercial.

-Muitos fãs dos super-heróis, ao mesmo tempo que admiram Alan Moore, o detestam por considerar que ele praticamente destruiu o gênero com Watchmen. E você?

Ha algum tempo li uma declaracao de David Lloyd, parceiro de Moore em V de Vinganca, condenando o trabalho de Moore com os supers, especialmente Watchmen, porque isso revitalizou um genero que na opiniao dele deveria ter sido sepultado. Compartilho da opiniao de Lloyd quanto ao destino dos supers em geral, mas nao acho que Watchmen fomentou o genero. O que comprova que a obra e´ realmente muito rica por abrigar leituras tao ambÌguas.
Watchmen pode virar a cabeca e transformar amor em odio. Nao porque a historia seja ruim, muito ao contrario, È excelente. Na verdade, pode ser que seja de fato a melhor HQ de super-herois ja´ escrita. Mas ela produz um efeito estranho nas pessoas.
Primeiro porque ela realmente retrata uma situaçao realista para os supers, de uma forma que nenhum outro autor conseguiu (mesmo Frank Miller fica parecendo um amador perto do trabalho de Alan Moore). Isso pode causar no leitor um fenomeno de frustraçao cumulativa, pois tudo o que vier a ler dos supers depois parecera´ um mal-amarrado de cliches sem graça, que ele vai odiar mas nao vai conseguir parar de consumir porque vai querer provar a si mesmo que os supers ainda tem o que dizer. E sua vida vai se tornar-se um sofrimento eterno.
Mas o efeito mais contundente e´ aquele que se sofre quando se faz uma leitura intensa, dessas nas quais dialogamos com a obra. O trabalho de Moore em Watchmen coloca os supers numa tal situaçao de dramaticidade que qualquer outra coisa que vier depois soa ridÌcula. Isso foi o que aconteceu comigo. Minha relaçao com os super-herois tem duas fases distintas divididas pela leitura de Watchmen. Antes, eu era um colecionador compulsivo. Depois dei um fim nisso e passei a ser muito seletivo.

-E From Hell, você acha que Moore conseguiu atingir plenamente seu intento de forjar em uma HQ o caldeirão que nos preparou o Século XX, com toda sua paranóia, conspirações, contradições, horror e beleza?

Ainda nao tive capital suficiente para ler toda a serie de Do Inferno. Tenho apenas o primeiro volume e sua leitura e´ um tanto inconclusiva. Mas acho um exagero, de qualquer forma, acreditar que uma HQ possa ter essa pretensao, a nao ser em parte, e´ claro. Uma visao ampla e completa da natureza do SÈculo XX ainda nao esta concluÌda, nem mesmo que reunamos toda
a literatura e cinematografia produzida a respeito. Somos o Seculo XX, ele encharca nossa carne. Estamos ligados emocionalmente a ele e nao sei se conseguiremos vislumbra-lo completamente algum dia. Isso sera´ tarefa para os historiadores do futuro, nossos netos e bisnetos. Mas podemos deixar nossos depoimentos. Acredito que e´ o que Moore fez.

--E a versão para o cinema agradou? Porque?  

Nao vi. Nao vou muito ao cinema ultimamente.

O que espera da de Liga dos Cavalheiros Extraordinários?

Nao muito. Como disse acima, nao gosto de adaptaçoes; nao me motiva ir ao cinema assistir uma historia que eu ja´ conheco, principalmente se a unica coisa que ela tiver a oferecer for meia-duzia de efeitos especiais novos. Ademais, a versao do quadrinho e´ tao interessante que prescinde de uma filmagem. Costumo apreciar muito mais as historias originais. Recentemente me surpreendi ao assistir na TV aberta o excepcional "O clube da luta", um filme perturbador, bem feito, bem montado e bem dirigido, com atores no ponto. O melhor filme que eu vi desde Matrix, Truman Show e Os doze macacos.Os demais nao me interessaram. Filmes de super herois eu passo longe, nao quero nem ouvir falar. Depois de ver o X-men na TV entao, vade retro! Porcaria sem tamanho. Vou tentar fazer o sacrificio de ver Homem Aranha e Demolidor quando passar na TV, mas jah acho que nao vale a pena nem isso. Demolidor eu nao me liguei, talvez em outros tempos eu ateh arriscasse em consideracao as boas HQs do personagem, mas traumatizei depois de ouvir de gente que curtiu X-men (se eh que isso eh humanamente possivel) que o filme eh legal.

- Sei que você tem uma formação espiritualista, se podemos definir assim.O que pensa da Magia?

Tenho em conta que a magia nao e´ e nao deve ser sacralizada. Gosto de pensar que, como ja´ disse um escritor de FC, toda a tecnologia muito avançada e´virtualmente identica `a magia, o que me convence que a ciencia explicara',  mais cedo ou mais tarde, tudo o que hoje chamamos de magia. Ou seja, toda a magia e´ um fenomeno natural, como a consciencia e as emoçoes,
que a ciencia tambem ainda nao compreende totalmente. Ja´ existem pontos de contato bastante perturbadores entre a ciencia, a magia e o sagrado. Filmes como Matrix, por exemplo, usam e abusam de alguns desses conceitos, sugerindo teorias interessantes a respeito dessa relaçao.Por isso tudo, e desde muito tempo, nao tive dificuldade em conciliar minha fe´ crista com a ciencia, a especulaçao da FC e o ocultismo. De fato, acredito que ela foi reforçada.

-E da obra  Big Numbers a inacabada magnus-opus de Alan Moore, a Teoria do Caos, os Fractais? Você acha que uma HQ tem a capacidade de abarcar tamanha complexidade e ser compreendida?

Antes de tudo e´´ preciso saber se algum autor tem, de saÌda, essa pretensao. Depois, se ele tem informaçao suficiente. E, finalmente, se esta sendo serio a respeito. Raramente esses treis fatores andam juntas em qualquer criaçao artÌstica, o que torna o discurso da ficçao um tanto
leviano na grande parte das vezes. No caso das HQs isso fica ainda mais evidente porque os leitores, em geral, nao se importam muito com o conteudo da historia para alem de suas impressoes plasticas. E as editoras, sabendo disso, preferem economizar recursos e dar aos leitores tao somente o que eles querem, principalmente na industria americana.
Entretanto, ha uns e outros quadrinistas que se rebelam contra esse sistema e partem para a iniciativa individual, fundam suas proprias editoras e tentam, pelo menos, ser mais ousados. Embora tenham pouca audiencia, conseguem realmente ir mais fundo, como e´o caso de Big Numbers. Mas acho difÌcil imaginar que algo tao sofisticado, como voce sugere, seja ainda claramente compreensÌvel, pois nao encaro a obra artÌstica como um tratado tecnico e seus significados serao modulados pela percepçao de cada leitor.
Volto a citar Matrix, um filme exemplar nesse aspecto, que dispoe de uma variedade ampla de nÌveis de leitura. A grande maioria dos espectadores perceberao apenas as camadas mais evidentes, como as coreografias de luta e os efeitos especiais. Uma parcela menor ficara maravilhada com a parte tecnica, a fotografia, a trilha sonora portentosa e o roteiro elaborado;
uma grupo ainda menor se deliciara identificando as referencias culturais e historicas do argumento. Mas poucos, muito poucos mesmo, chegarao a se perturbar pelas sugestoes transcendentais da historia. A linguagem das HQ tambem tem esse potencial. Eu citaria a novela grafica "As Aventuras de Luther Arkwright " de Brian Talbot, como uma das que mais me impressionaram nesse sentido. (leia aqui Artigo do proprio cerito sobre esta novela grafica)

- Ainda nesta direção metafísica, qual  é a sua concepção do Tempo? Considera-o a Quarta Dimensão do Espaço, como teorizou Einstein?

Gosto da definiçao de Isaac Asimov, que disse que todos viajamos no tempo `a velocidade de 24 horas por dia. Mas nao encaro o tempo como uma dimensao navegavel, se e´ isso que voce sugere. Podemos, e´ claro, mudar a velocidade com que avançamos nele, conjecturando
as possibilidades disso atraves da aplicaçao de algumas teorias cientÌficas ou das praticas ditas magicas, mas nao acredito que o tempo possa ser invertido, permitindo a viagem para o passado. Essa e´ uma das muitas fantasias cientÌficas que maravilham os fans de FC&F, mas que nao passam de fantasias mesmo, tal como a imortalidade do corpo, as invasoes alienÌgenas
e o som de explosoes no espaço sideral. Mas gosto do efeito climatico que essas fantasias proporcionam no discurso de ficçao, das possibilidades alegoricas que se pode obter com elas.

-Como você imagina um ser ou objeto (como o Tesserato- figura ) da Quarta Dimensão?

Vi uma boa descriçao do tesserato num artigo cientÌfico e achei bastante facil de visualizar. E´ claro que nao pode ser exibido no espaço tridimensional, mas ha´ um paralelo bastante simples: um cubo tridimensional nao pode ser demonstrado plenamente numa folha de papel, mas podemos distorcer suas dimensoes de forma a ter uma projeçao bidimensional, uma "sombra" de suas arestas. Isso chama-se perspectiva. De forma analoga, podemos construir a "sombra" do tesserato na terceira dimensao.
Imagine um quadrado feito de arame. Se soldarmos em cada um dos seus quatro angulos, a 90 graus, uma vareta de arame do mesmo tamanho dos lados do quadrado, e depois soldarmos um outro quadrado nas pontas dessas varetas, teremos um cubo de arame. Um tesserato teria em cada vertice desse cubo aramado, mais uma vareta a 90 graus com as treis ja ali montadas. No espaço tridimensional isso e´ impossÌvel, mas a "sombra" tridimensional do tesserato pareceria com dois cubos de arame, um maior em torno do menor, ligados pelos vertices com varetas. Nao me pergunte para que serve. Sinceramente, eu nao faço a menor ideia. Mas e´ um exercÌcio academico interessante.

-O que acha da imberbe Teoria do Caos, com seus Fractais e o popular "efeito borboleta"?

Nao sei muito a respeito, mas parece que isso tem um significado importante para voce, uma vez que ja o citou varias vezes. Ha´algumas aplicaçoes dessa teoria em matematica e fÌsica, mas imagino que nao seja algo facil de demonstrar em linguagem simples.
Entao, de leigo para leigo, digamos que eu tenho a minha propria noçao de caos, que significa a maneira de ser da natureza. Na natureza nao existe racionalismo, nao ha´ linhas retas nem cÌrculos perfeitos. O caos e´ a moeda corrente da natureza, cada fractal se intercomplementando, as vezes em harmonia, outras vezes em choque, causando o "colapso das probabilidades"
da fÌsica quantica. Milhares de alternativas sao determinadas, segundo a segundo, pelo choque ou combinaçao desses fractais e, dessa forma, a natureza encontra o seu caminho.

-Já leu as obras do matemático-filósofo soviético P.D. Ouspenski?

Nao, mas gostaria de saber a respeito.

-Voltando aos seus escritos, o que você fez que considera o melhor até agora?

Nao sei responder, pois sou muito crÌtico com o que faço. Sempre concluo que poderia ter sido melhor. Penso que essa questao so´ pode ser respondida pelos leitores.

-E atualmente, o que tem escrito?

Quase nada. Tenho historias cozinhando ha´ anos na minha cabeça, algumas ja´ estao no ponto ha tempos, mas nao arrumo jeito de passa-las para o papel. Tenho o defeito de me envolver com muitas coisas ao mesmo tempo e no fim das contas, produzo o que e´ mais prioritario. O que pode ficar pra mais tarde, fica. No momento, minhas prioridades imediatas sao a ediçao da Nova Coleçao Fantastica e a elaboracao de um novo conceito editorial para o Hiperespaço.

-Alguma produção em Quadrinhos?

Sao mesmo caso. Mas tenho umas e outras idÈias, igualmente mal-paradas.

--Voce sempre batalhou arduamente por um autêntico Quadrinho nacional. Ele existe?

Olhando para tras vejo que essa batalha nao foi eficiente. De fato, foi uma coisa estabanada e sem foco, uma luta contra moinhos de vento e viloes inexistentes. O quadrinho nacional so´ emergira da pratica intensiva, da relaçao contÌnua entre autores e leitores, da exposiçao dioturna da arte e de sua popularizaçao. Isso me parece quase utopico neste momento. Entao fingimos que existe uma HQ nacional. Mesmo os exempl

os mais interessantes sao tao limitados que mapear o autentico quadrinho nacional e´quase um exercÌcio de adivinhaçao.
- O que você acha que dificulta para o quadrinista brasileiro sobreviver de sua arte? Falta de talento ou de mercado?

Talento e mercado nao faltam, isso pode ser comprovado pelo que se ve nos fanzines e pelos numeros de venda de muitas revistas de quadrinhos estrangeiros nas nossas bancas. O que realmente falta e´ confiança, profissionalismo, seriedade, memoria e competencia, em todas as etapas do processo produtivo, enquanto sobra individualismo, pretensao, prepotencia,exclusivismo e ganancia. A "industria" de quadrinhos no Brasil e´ uma piada de mal gosto, na verdade e´um paraÌso de interesses insuspeitos. Nada de bom consegue emergir desse estado de coisas.

-Como nacionalista ferrenho que é , também considera que  o nosso artista “se vende” quando passa a publicar no Exterior, nos EUA principalmente,  adequando-se ao estilo e mudando até mesmo de nome?

Nao sou nem nunca fui nacionalista ferrenho, embora algumas de minhas opinioes possam dar essa impressao. Tenho uma grande capacidade de aceitar diferenças, e ate´ gosto delas. Nao posso condenar, de nenhuma forma, um artista que consegue uma boa oportunidade fora do Brasil. Cada profissional tem que abrir seu proprio caminho na selva e se a picada o levou para o mercado estrangeiro, foi resultado de um esforço pessoal. Ninguem veio dos EUA com os cheques na mao em busca de mao de obra barata, os artistas brasileiros tiveram que enfrentar uma concorrencia dura, com artistas estrangeiros com muito mais base teorica, e ganharam seu espaço na area..Isso fortaleceria o quadrinho brasileiro, caso tivÈssemos aqui uma  industria honesta e produtiva. Mas como o que rege a publicaçao de quadrinhos no Brasil e´ o nÌvel de QI (Quem Indica), no qual so amigos do rei teem espaco, alguÈm que demonstra ter potencial para conquistar seu terreno sozinho e´ alvo de inveja e ciumeira. Ate´ um pouco de medo, pois os
artistas bem instalados temem que esses autores independentes os desalojem de seus cantinhos confortaveis. O unico resultado negativo para um artista que deixa de batalhar no Brasil
È que ele perde completamente o foco de sua cultura, sem nunca realmente conseguir substituÌ-la pela cultura estrangeira que adotou por motivos profissionais. Vira um zumbi, sem determinaçao e sem identidade. Quando acaba a "fase estrangeira", nao consegue mais se adequar no Brasil. Perceba que, de tantos e tantos artistas que prestaram servicos aos estrangeiros, nenhum deles voltou a realizar algo de relevancia no Brasil. Outra ma consequencia do estrangeirismo foi a acentuada desvalorizaçao dos roteiristas. Como somente os ilustradores sao aproveitados pelos estrangeiros, ficou a impressao forte de que uma HQ nao precisa oferecer mais nada alem de um bom desenho - e isso e´pregado em muitas das escolas de quadrinhos chefiadas por desenhistas que em algum momento foram contratados por estrangeiros. Esse conceito equivocado causou, e ainda causa, uma decadencia acentuada na qualidade literaria dos quadrinhos nacionais.
(Revista HORRORSHOW, da qual Cerito foi um dos editores) 
-Como Editor, quais são seus próximos projetos?

Estou reformulando todo o conceito editorial do Hiperespaço, que deixara´ de ser um fanzine para tornar-se um selo. Estou publicando a Nova Coleçao Fantastica, uma serie de livros artesanais de bolso com novelas e antologias de FC&F nacional, e pretendo lançar, ainda em 2003, uma antologia literaria, cooperada e semi-profissional, comemorando os 20 anos de publicaçao do Hiperespaço. Para 2004 pretendo montar outra antologia, dessa vez de HQs em forma de album, e a partir de entao produzir pelo menos um livro ou album por ano.
Na internet mantenho um pagina com a historia do Hiperespaço (www.hiperhistoria.hpg.com.br
) e estou desenvolvendo um projeto para um site com resenhas de livros de FC&F, baseados num fanzine que editei ha´alguns anos.

-Dos concluÌdos, qual o que preza mais, o que foi mais gratificante?

Sem duvida que foi muito gratificante editar o Hiperespaço durante estes 20 anos, mas o formato de fanzine e´ um tanto anacronico em tempos de internet. Os fans estao cada vez mais conectados e nao mantem o mesmo interesse por noticiosos impressos. Entretanto ainda preferem ler novelas e romances em papel, e isso fica evidente na boa recepçao da Nova Coleçao Fantastica, que tambem me da muita satisfaao publicar.

-Sobre Ficção Científica em especial, você acha que já passou a “fase cyberpunk” e mesmo a “slipstream”, como tem afirmado categoricamente autores do porte de Bruce Sterling e William Gibson, eles próprios classificados como principais mentores desta nova “new wave”?

Se os seus proprios fundadores assim o dizem, quem sou eu para discordar?
Mas e´ evidente o envelhecimento do cyberpunk. Os romances escritos nessa proposta trabalhavam com futuros proximos, e a propria realidade os superou. O que nao quer dizer que um ou outro autor talentoso nao possa fazer brotar agua de pedra. Frank Herbert, autor de Duna, demonstrou que e´ possÌvel revisitar um sub-genero aparentemente esgotado (no caso, a space-opera) e construir uma obra-prima. Vivemos tempos estranhos na FC&F.
Ate´ os anos 1970 havia muita expectativa pela virada do seculo, que prometia um futuro luminoso e humanista. Mas quando finalmente o atingimos, ele nao e´nem luminoso nem humanista, as mesmas velhas mesquinharias e preconceitos estao tao presentes como sempre, um pouco mais selvagens ate´. Entao o futuro, no imaginario coletivo, tornou-se um lugar desagradavel. Praticamente toda a FC&F agora volta-se para o passado, com o Steampunk
(nos moldes de A liga dos cavalheiros extraordinarios por exemplo) e as Historias Alternativas. Tambem na fantasia, a mitologia celta e medieval ganhou forca. O passado parece soar melhor que o futuro na opiniao de autores e leitores.

-E o que acha que teremos agora? Será que finalmente chegaremos  à época em que, como sempre preconizou  o André Carneiro, ficção não terá mais rótulo, e tudo poderá ser considerado “mainstream”? Sim, pois sob esta ótica, O Perfume de Patrice Suskind, mesmo certos contos de Os Dublinenses, do clássico James Joyce, sem falar em suas obras-primas Ulisses e Finnegans Wake, são pura FC ou, no mínimo, Fantasia – e até com certos elementos de Terror. Concordas?

A fantasia faz parte da literatura mainstream desde sempre, e o terror e a FC sao ramos da fantasia. Em geral, qualquer obra bem realizada traz varios nÌveis de leitura e um deles eventualmente permite a abordagem fantastica. Tudo esta ligado de algum modo e as mais diversas obras sempre ecoam e dialogam entre si.
A FC, diferente de outros generos, cultiva uma funçao sociologica bastante definida, quase uma missao. E´ a de conjecturar sobre as consequencias das atitudes que tomamos como especie e como civilizaçao. So´ a FC aborda esse tema sem pudor, valendo-se da extrapolaçao, da especulaçao e da alegoria. Isso distancia a FC dos demais generos que, geralmente, preferem tratar de dramas privados.
Mas o leitor nao esta´ ligando pra isso, muito menos o verdadeiro artista, que cria porque precisa, tal como respira e alimenta-se, e definir se o que sai de sua mente e´ ou nao FC, È irrelevante. Essa questao interessa somente aos crÌticos, academicos e editores, que precisam classificar e catalogar as obras para melhor compreende-las e explora-las.
O argumento que "tudo e´FC" (ou as vezes sua corruptela "FC e´ tudo") e´ defendido pelos autores de FC que querem acreditar que suas obras fazem parte do canone mainstream. O problema e´ que isso nao acontece porque sao exatamente os crÌticos, academicos e editores que definem o canone. Ademais, os autores de FC nao parecem dispostos a participar da "liturgia" mainstream, digamos assim. Nela, eles teriam que se expor frente ao mercado mainstream e `a crÌtica mainstream, e isso eles nao querem. E´mais confortavel estar apenas entre seus iguais, que ja´ estao predispostos a aceitar a FC sem reservas. Entao, e´ a maneira de ser do autor de FC que o auto-segrega do mainstream; È a propria FC que nao quer ser mainstream. E em igual medida, o mainstream tambem acaba desprezando a FC.

- E especificamente a Literatura de FC tupiniquim, atualmente capengando sem um “mercado “mas por outro lado bem mais amadurecida, a julgar por recentes contos publicados pelos fanzines, o que você acha que “está faltando “?

A literatura brasileira e´rica na tradicao fantastica, muitos autores consagrados dedicaram obras a fantasia. Mas o Brasil nunca teve mercado para uma genuÌna FC nacional.
Um mercado pressupoe editoras publicando e leitores consumindo, e isso nunca existiu para a FC daqui. O que houve foi a iniciativa isolada de um e outro editor, como Gumercindo Rocha Dorea, da GRD, que nos anos 1960 arriscou seu prestÌgio e seu dinheiro investindo em FC nacional. O ambiente era tao vazio que ele teve de encomendar textos de FC para autores que
nunca tinham escrito FC antes e que se arrependeram depois. Mesmo assim, foi um momento importante para a FC no Brasil.
Do mesmo modo, Jeronymo Monteiro, Jose´ Sanz e Fausto Cunha doaram seu quinhao de confiança, mas editar um livro e´ muito mais que imprimi-lo. O verdadeiro trabalho começa depois que o livro sai da grafica: distribuir, divulgar, vender. E isso ninguem soube fazer bem.
O interessante e´ que para os autores de FC esta´ bom assim. Continuam escrevendo, nao teem que enfrentar a crÌtica especializada nem passar pelo crivo dos leitores, publicam facilmente nos fanzines que so´ eles mesmo leem, e a vida continua. Mercado, pra que?

-Quais dos nossos autores você julga mais em condições de produzir uma obra de fôlego?

Ha algumas publicadas no passado por autores hoje veteranos, como Andre´ Carneiro e Rubens Scavone. Eles teem plena categoria para faze-lo, mas nao produzem mais. E os autores que produzem satisfazem-se com fanfics e pastiches para os fanzines.
Alem do mais, nenhuma editora esta´  investindo em FC nacional. Onde seria vista essa obra? Num fanzine? Num site de fanfics na internet?
Talvez seja mais proveitoso esperar por uma boa obra de fantasia vinda do mainstream e do meio infanto-juvenil. Na verdade, ja´ ha´ varias delas, embora os fans empedernidos de FC facam questao de ignora-las.

-Sobre desenho, César,como começou o seu interesse, quais as influências  do início e os  artistas que admira atualmente? E nos Quadrinhos?

Desenho desde criança. Mas como gosto de desenhar tanto quanto de escrever, e gosto ainda mais de ler, nao me dediquei ao desenho como poderia. Ainda considero-me um aprendiz.
Sobre influencias, ja citei algumas, mas sempre estou adotando novos mestres. No que se refere aos quadrinhos, tenho como ideais os trabalhos de Hugo Pratt e Ivo Milazzo.

-Voce continua desenhando? Tem publicado?

Nos ultimos anos tenho me dedicado `a gravura, tanto em metal  - figura - como em madeira, e tambem tenho feito muitos cartuns, eventualmente eles sao publicados no Pasquim 21. Alguma coisa pode ser vista no meu portfolio em www.ceritocity.cjb.net

-E o nosso querido HIPERESPAÇO, a quantas anda, agora que pretende alterar
os rumos de sua historia?

Como eu ja´disse, o Hiperespaço como fanzine cumpriu sua missao. Nao ha mais sentido em editar um fanzine em papel para ser lido por uns poucos eleitos, quando isso pode ser feito com muito mais eficiencia e abrangencia numa ediçao virtual (que esta´ nos planos). Entao o fanzine, que teve sua 52ª ediçao publicada em abril de 2003, est  transformando-se em uma variedade de projetos independentes, amarrados entre si pela chancela do Hiperespaço, que lhes da´ muita credibilidade.

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Como o leitor interessado pode adquirir os nº s atrasados, quais os que estão disponíveis,etc?

  Antes de mais nada, deve ir ao site www.hiperhistoria.hpg.com.bbr e consultar as minutas dos conteudos de cada ediçao para escolher as que interessam. Alem das 52 ediçoes do Hiperespaço, o site apresenta todas as ediçoes especiais, a Coleçao  Fantastica e a Nova Coleçao Fantastica. Tudo esta´  disponÌvel e as consultas e os pedidos podem ser feitos atraves do e-mail cerito@terra.com.br

-O que acha da Arte Digital (CGI)? Viu o recem-lançado "Animatrix", principalmente o episodio "O Voo Final de Osiris"?

Vi o Osiris na TV, a tecnica impressionante, mas CGI jah estah meio demode.Parece que tudo quanto eh CGI eh feito pela mesma pessoa, pois nao ha espaco para estilo do desenho. Isso eh desagradavel num desnho animado. A historia eh legal e como o filme eh curtinho, nao chega a dar no saco. Mas passa longe, muito longe, dos melhores desenhos animados que jah vi e nao chega nem perto do Matrix original em termos de impacto. A publicidade diz que o DVD do Animatrix tem 9 episodios, cada um em uma tecnica diferente, e um deles foi feito pelo cara que fez a Aeon Flux, que eu adoro. Ainda nao vi, mas acho que vale a pena comprar o DVD. O que de fato me anima para ir ao cinema eh o novo desenho animado longa metragem do Haiao Miyazaki que ganhou o Oscar e estah passando em algumas salas. Mas ainda nao sei extamente onde.

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Militando há tanto tempo “no ramo” você pde dizer que valeu – ou vale – a pena?

Se a ideia e´ ter realizaçao pessoal, e´ plenamente recompensador.
Entretanto, se o objetivo for ganhar dinheiro, nao vai ser muito bom nao, o maximo que se pode almejar e´ nao ter prejuÌzos, e pelo menos isso eu consegui.

-Finalizando, amigo, faça o “comercial”da Sociedade Brasileira de Arte Fantástica-SBAF, da qual é o principal mentor e mantenedor

A SBAF anda meio "fora do ar."  Depois que parei de promover as HorrorCons em Sao Paulo, a SBAF apenas tem assinado algumas publicaçoes. Entretanto estou tentando montar um novo grupo de interesse em Santo Andre´, com o apoio da biblioteca da cidade. Ainda estamos no inÌcio, sem muita base, mas se a coisa prosperar a SBAF voltara´ a promover atividades.
Fica o convite a quem quiser comparecer aos encontros, que acontecem nos segundos sabados de cada mes , das 9 horas ao meio-dia, no Espaço dos Escritores, no segundo andar da Biblioteca de Santo Andre´(que tem um fabuloso acervo de FC&F), na Praça IV Centenario, s/nº.

-Valeu, Amigo! foram respostas muito instigantes.

Hummm... nao sei se posso considerar isso um elogio, afinal nao fui assim tao fundo em quase nada. Se voce quiser boas entrevistas terah de faze-las ou por telefone, ou pessoalmente, gravando e transcrevendo. Tambem e´ uma boa ideia nao fazer sempre as mesmas perguntas pra todo mundo, isso e´ meio enfadonho. Tente ir mais na pessoa, para isso tem que conhecer bem o trabalho dela e tentar cutucar a onça algumas vezes. E nunca, nunca mesmo, submeta previamente a entrevista ao entrevistado, ele tem que autorizar a publicacao antes e aguentar as consequencias do que disser.

Cerito e´ tambem um modelista excelente

Aqui, uma amostra de seus "papimodelos""

(modelos de naves espaciais baseados na Saga Guerra nas Estrelas e do caça Firefox feitos em papel)

e escultor - aqui, escultura em argila.