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Entrevistas / Interviews
Gian Danton
por Jose Carlos Neves
Gian Danton, pseudônimo literário do Prof. Ivan Carlo
Andrade de Oliveira é Mestre em
Comunicação pela Universidade Metodista de São
Paulo, autor de várias obras de fato e de ficção, amigo e colaborador assíduo
deste site desde à primeira hora.
Lá vai: Tenho 32 anos. Nasci em Lavras, cidadezinha do interior de Minas Gerais. Sou casado (de fato, não de direito), tenho dois filhos: a Moira de três anos e o Alexandre, que já vai fazer oito anos.
-O quê e quando iniciou seu interesse pelos Quadrinhos?
Sempre li quadrinhos. Comecei com as histórias de Maurício de Sousa e Disney. Adorava as histórias italianas de Tio Patinhas, embora eu não soubesse que eram italianas. Também gostava muito das histórias mais trabalhadas do Cebolinha, especialmente as adaptações de filmes, de peças teatrais... recentemente consegui num sebo a adaptação de Romeu e Julieta; é uma obra-prima.
-Na infância você lia muito, tanto HQ quanto
Literatura mainstream? Pode citar autores e obras que o influenciaram?
Embora eu tivesse um interesse muito grande em leitura, tinha poucas obras à minha disposição. Minha família considerava perda de tempo a leitura de livros e gibis. Não os culpo, são pessoas simples, que sempre ganharam o sustento com muito trabalho e nunca tiveram muita educação formal. Mas a minha necessidade de leitura era tão grande que eu lia até caixa de sapatos. O primeiro livro que consegui comprar (porque a professora havia pedido) foi Aventuras de Xisto. Comprei no final da tarde. No dia seguinte, de manhã, já tinha terminado de ler. No final da semana já tinha lido três vezes. Na verdade, só comecei a ler muito a partir dos 13/14 anos, quando me mudei para Belém e descobri os sebos e as bibliotecas públicas. Dos 13 aos 18 anos li de tudo, indiscriminadamente. De pulp fictions de ficção científica a clássicos da literatura brasileira. Nessa época li quase toda a obra do Lobato. Do que mais me marcou, lembro de H.G Wells, José Lins do Rego, Marcelo Rubens Paiva, Satiricon, de Petrônico (que me mostrou que era possível transformar erotismo em literatura autêntica) e Júlio Verne. Este último era a opção certa. Quando não encontrava nenhum livro interessante de outro autor na biblioteca, pegava um do Júlio Verne. Era diversão garantida. Aos 13 anos conheci um amigo que, naquela época, já tinha lido toda a obra do Freud, todo o Lobato e muitas outras coisas. Aos 17 anos eu já tinha lido mais do que ele. Conto isso para dar uma idéia de ferocidade com que eu lia. Também foi nessa época que comecei a ler quadrinhos de super-heróis, que me despertaram para a utilização mais madura da nona arte. Foi por acaso: estava numa fila de banco que durava horas. Alguém levou uma revista em quadrinhos e me emprestou. Era uma Superaventuras Marvel com histórias do Demolidor, do Doutor Estranho e do Conan. Até hoje sou um fã do Doutor Estranho.
-O que o levou a, em estudando Comunicação, se enveredar pela área dos Quadrinhos que tanta restrição e preconceito acarreta? Você sofreu alguma pressão familiar ou de amigos e colegas contra?
Certa vez eu estava encerando a casa e nós tínhamos o costume de colocar jornais espalhados pelo piso enquanto a cera não secava. Nem sei se ainda fazem isso. O fato é que em um desses jornais tinha um texto sobre o Fantasma escrito por um pró-reitor da Universidade Federal do Pará (que posteriormente foi meu orientador de TCC). Naquele momento percebi que os quadrinhos poderiam ser analisados e pesquisados de maneira séria. Eu nunca tinha percebido isso. Quatro anos depois eu estava escrevendo no mesmo jornal sobre quadrinhos. Sofri muito preconceito. Minha mãe especialmente tinha um medo terrível de que eu pudesse enveredar pelos quadrinhos. A pressão maior era da família. Na universidade, não. Os professores muitas vezes me pediam para fazer trabalhos sobre quadrinhos, pois se interessavam pelo assunto. Meu TCC era sobre outro tema, mas o coordenador de TCC me convenceu a pesquisar os quadrinhos. Minha tese era de que Alan Moore tinha usado a Teoria do Caos para construir Watchmen. (ver artigo )Hoje isso é lugar-comum, mas na época isso era algo totalmente inesperado. Tanto que um jornal de Santos, o Bar, publicou um texto cujo título era: Pesquisador afirma que Watchmen foi baseado na teoria do caos. Creio que fui o primeiro a falar do assunto no Brasil. O próprio Calazans, que sempre me acompanhou em minhas pesquisas e me ajudou no TCC, não acreditou quando eu disse a ele minha hipótese.
-Qual foi a primeira obra que publicou, o feedback suscitado e como é o curso que ministra nesta área?
A primeira história em quadrinhos chamava-se Floresta Negra. Crédito para o compadre Bené Nascimento (Joe Bennett). Certo dia ele chegou com uma história desenhada, mas sem texto e me pediu para escrever os diálogos e legendas. Dois meses depois essa história saiu na revista Calafrio. Foi em 1989, dezembro, acho. O Zalla era um cara meio antiquado e não fez comentários positivos. A história fugia do esquemão de terror com o qual ele estava acostumado. Tanto que ele mudou o final. Na história um cavaleiro enfrentava um demônio que assombrava uma floresta. No final, ele colocava um crucifixo em uma árvore para abençoar o local e impedir que surgissem outros demônios. Como nas histórias da Calafrio, todo herói tinha que virar monstro no final, o Zalla mudou o texto para algo como: “Você coloca o crucifixo na árvore, pois sabe que não poderá mais usá-lo... afinal agora você é o novo demônio da Floresta Negra!!!!!!!!!!!!!”. Um sarro, pois nada no desenho dava a entender que ele tinha virado um demônio. Apesar da acolhida fria do editor, os leitores gostaram.
-Quando foi seu primeiro contato com o trabalho de Alan Moore e qual obra lhe causou algum impacto especial?
Demorei muito para ler as histórias de Alan Moore. Eu
tinha lido uma história do Monstro do Pântano, uma das primeiras, em que ele
tem alucinações com os personagens principais da série. Achei muito estranho.
Na época eu era fã de Frank Miller. Cavaleiro das Trevas era livro de
cabeceira. Acontece que o sonho do Bené era desenhar uma história de Alan
Moore (posteriormente ele conseguiu isso, com o personagem Supreme), assim ele
começou a tentar me convencer a ler as histórias de Moore. Um dia acabei
aceitando ler Watchmen (eu não tinha gostado porque achava o desenho
antiquado). Rapaz, li tudo em um dia. No final não conseguia nem pensar
direito. Mudei completamente a forma de ver os quadrinhos a partir daquele dia.
A partir daí, comecei a caçar qualquer coisa que fosse do Alan Moore. Viciei
mesmo.
-Qual trabalho do mago bardo de Northampton que você considera sua obra-prima e porquê?
A obra-prima é Watchmen. É a mais bem realizada, a mais bem desenhada. E é nela que Moore demonstra que domina completamente a linguagem de quadrinhos. Ele usa diversos estilos, muda o estilo de acordo com as necessidades da história: puramente narrativo na história de piratas, puramente diálogos na história principal, para dar realismo... Mas os trabalhos que mais gosto são V de Vingança e Miracleman. Acho que ele foi mais intuitivo e menos racional nesses dois trabalhos.
-Ao seu ver, quais foram as inovações mais importantes do autor?
Especificamente sobre Watchmen e sua instigante forma narrativa – já apelidada de O Cidadaõ Kane das HQs – o que tem a nos dizer?Pergunta difícil. Não que sejam poucas. O problema é o
oposto. Foram tantas inovações que fica difícil escolher o que foi mais
importante. Para mim, a inovação mais importante foi o caráter informativo do
texto. Antes de Moore o texto nos quadrinhos era, quase sempre, redundante com
relação ao desenho. Veja Chris Claremont. Muito do que o desenho já dizia,
Claremont insistia em dizer nos balões. Alan Moore galgou o texto a um novo
degrau ao demonstrar que ele podia ser usado para demonstrar ao leitor tudo
aquilo que o desenho não podia mostrar: as motivações mais profundas dos
personagens, a própria personalidade deste, sons, cheiros, tudo... Antes de
Moore a grande estrela era sempre o desenhista. O leitor comprava a revista por
causa do personagem ou do desenhista. Moore demonstrou que o roteirista pode
fazer quadrinho autoral. Hoje muita gente compra uma revista por causa do
roteirista, coisa que não acontecia antes.
-E From Hell, você acha que Moore conseguiu
atingir plenamente seu intento de
From Hell é uma obra instigante. Ela fala do século XIX, mas remete ao século XX. Jack diz: eu criei o século XX. De fato, o século passado foi o século do genocídio. Antes fazia-se a guerra para conquistar territórios, no século XX fazia-se a guerra para exterminar quem era diferente. Hitler é o filho dileto de Jack. O mais curioso nessa HQ é que Moore pegou um tema batido, de certa forma até ridicularizado pelas versões anteriores, e fez uma obra-prima. Costumo dizer que Moore tem o dom de Página do Script Original de Watchmen,com os esboços de Dave Gibbons/Original Watchmen ´script,with roughs by Gibbons
Midas: transformar qualquer coisa em ouro. Exceto, claro, Spaw, que é e sempre será muito ruim, independente de quem o escreva.
-E de Big Numbers a inacabada magnus-opus,
a Teoria do Caos, os Fractais? Você acha que uma HQ tem a capacidade de abarcar
tamanha complexidade e ser compreendida?
Em minha dissertação de mestrado, investiguei se os quadrinhos poderiam ser usados como meio de divulgação científica. Concluí que os quadrinhos são péssimos para divulgar fatos e descobertas científicas. Todas as revistas que analisei e que tentaram isso, fracassaram. As razões são muitas. Entre elas a defasagem entre o conhecimento científico e o tempo necessário para escrever, desenhar, editar, imprimir e levar às bancas um gibi. Quando a revista finalmente sai, aquele conhecimento já está ultrapassado. Além disso, a obrigatoriedade de divulgar fatos científicos tira dos quadrinhos o caráter lúdico. Entretanto, as HQs são ótimas divulgadoras de paradigmas científicos, especialmente os novos paradigmas, que surgem nos períodos de revoluções científicas. Os adeptos desse novo paradigma sabem que os cientistas normais (aqueles que estão filiados ao paradigma antigo) jamais mudarão de lado. Resta a eles convencer as novas gerações. Foi o que aconteceu com a teoria do caos. Quase todos os quadrinistas britânicos se puseram a divulgar a teoria do caos. Na época em que Alan Moore e Grant Morrison começaram a falar de fractais, de efeito borboleta, essas teorias eram encaradas por boa parte da comunidade científica como puro charlatanismo. Hoje a teoria do caos é reconhecida. Creio que quadrinhos como Watchmen, Big Numbers e Homem-animal tiveram boa parte de responsabilidade nisso. Big Numbers não saiu inteira, mas a sua repercussão foi enorme. Inclusive a descontinuidade da série criou ainda mais interesse. A teoria da informação explica isso. Muita gente começou a se interessar pela teoria do caos a partir das obras de Moore. Além de mim e de você, posso citar pelo menos uma dezena de pesquisadores.
-Especificamente nesta instigante seara – que você e todos os leitores já devem ter percebido, é a minha preferida, objeto de estudos e quase obsessão –e à parte o que já nos brindou (veja Artigos 18,20 e 21) sabe se a teoria do Caos já sofreu alguma “atualização” desde quando divulgada maciçamente pelo matemático francês Benoir Mandelbrott?
A teoria do caos é um paradigma. Como tal, ela sobreviverá
mais ou menos inalterada por um longo tempo. O paradigma é uma esponja à qual
cada cientista vai preenchendo um vácuo. O que tem havido é que alguns
pesquisadores mais recentes têm preenchido alguns vácuos da teoria. Talvez um
dos mais recentes tenha sido o Coletivo de Sistemas Dinâmicos, na Universidade
de Santa Helena, nos EUA. No Brasil o tema tem sido muito pesquisado na área de
comunicação. Além de mim, pessoas como Flávio Calazans têm se dedicado ao
assunto. E, claro, você.
Não li.
-O que pensa do Tempo e da multidimensionalidade do espaço? Considera o tempo a quarta dimensão do espaço, como proposto por Einstein?
Não há como falar em tempo sem falar de termodinâmica, mais especificamente da terceira lei, a leia da entropia. A entropia é a única prova científica que temos da existência do tempo. Recentemente a revista Scientific American publicou um especial sobre o tempo, como visões psicológicas, físicas, antropológicas, filosóficas. Parece não haver um acordo sobre o assunto. O tempo é um dos meus temas prediletos, mas confesso que ainda não cheguei a uma conclusão definitiva sobre o assunto, talvez ninguém jamais chegue.
-Sobre as músicas e espetáculos de recitação e performances de Magia do grande mago bardo, voce tem algum conhecimento a respeito para tecer suas considerações?
Gostaria muito de assisti-los. Um amigo me enviou a xerox de uma versão gráfica de uma peça de Moore. Infelizmente emprestei para um amigo que perdeu esse material antes que eu o pudesse ler..
-Ainda a propósito, o que você pensa da Magia?
Já pesquisei muito a magia e, de certa forma, já a pratiquei, especialmente a magia elemental. Mas, digamos assim, tive o meu Newcastle e me afastei do tema. Com a magia você libera forças muitas vezes incontroláveis. Além disso, há a lei do eterno retorno, do Karma. Tudo que você faz volta para você. Esse é um dilema que a magia não consegue resolver.
-Voce busca as obras importadas de Alan Moore também, ou espera por versões tupiniquins? E se busca importar, tem obtido sucesso? Poderia nos dar os detalhes (onde as consegue,etç)
Nunca é demais lembrar: moro em Macapá. É provavelmente a capital mais isolada do país. Por um lado é bom. Aqui por exemplo, não há roubos de carros, simplesmente porque não há para onde fugir com o carro. Para sair de Macapá, só de navio ou de avião. Mas tem o aspecto negativo: ficamos longe de tudo. Se para quem mora em São Paulo muitas vezes é difícil adquirir novos trabalhos de Moore, imagine para mim. Dou graças aos céus quando encontro algum material na internet, como recentemente em que baixei todas as histórias que não tinha da série Miracleman. Na época em que o real estava equiparado ao dólar, meus amigos de Curitiba pediam material pela Phantagraphics e eu também fazia meus pedidos. Consegui Lost Girls assim. Hoje isso é quase impossível.
-Em rápidas pinceladas, apresente-nos suas considerações sobre as seguintes obras, caso as tenha lido: Brought to Light, A Small Killing, The Birth Caul e Snakes and Ladders.
Mais uma vez lembro: moro em Macapá. Dei uma olhada em Smal Killing de um amigo, em um congresso de comunicação, mas não tive tempo de ler. The Birth Caul estava naquele grupo de xerox que um amigo perdeu...
-Sobre o atual estágio dos Quadrinhos o quê você pensa que acontecerá com este inquestionável veículo de idéias e comunicação perfeita? – é sabido que o próprio Pentágono comprovou sua eficácia máxima em ministrar conhecimentos.
Espero que tenha tanta vida quanto a literatura. Sinceramente, muita gente profetizou que os quadrinhos iam acabar quando a Abril acabou com a linha de quadrinhos. Mas aí está a Panini, firme e forte, dando lucro e lançando cada vez mais revistas. No início da década de 60 todo mundo dizia que os quadrinhos iam acabar por causa da concorrência da televisão. Aí Stan Lee e Jack Kirby fizeram Quarteto Fantástico e os gibis voltaram a vender bem. Só temo que dentro de algum tempo a nona arte se elitize, pois isso, se só tivermos leitores adultos, logo não teremos mais leitores.
-E no Brasil?
Tenho o sonho de algum dia um editor de quadrinhos tenha a mesma visão que teve a Rede Globo no início dos anos 70. Na época todas as novelas eram feitas a partir de textos importados de Cuba. Havia até uma cubana, Glória Magadan, que mandava e desmandava nas novelas. Uma vez a Janete Clair perguntou a ela porque ela não escrevia novelas no Brasil. A resposta: o Brasil não é um país romântico, portanto é impossível ambientar novelas no Brasil. Hoje as novelas brasileiras são reconhecidas mundialmente. Ao contrário do que achava a Glória Magadan, o Brasil se revelou um ótimo país para novelas. Sempre penso nisso quando vejo um quadrinista brasileiro fazer histórias ambientadas nos EUA, com personagens John e Mary. Ou quando donos de estúdios dizem que não trabalham com roteiristas brasileiros porque os brasileiros não sabem escrever histórias de super-heróis. Talvez não saibamos fazer histórias de super-heróis como os americanos fazem. Mas o britânicos também não sabem. E aí está: os britânicos se destacaram por fazerem algo diferente...
-O quê voce acha que pode explicar o atraso
brasileiro em relação, não digo aos EUA, mas à Europa, por exemplo, no que
concerne a álbuns de qualidade (salvo raras exceções, é claro, como os de
Mutarelli, Mestre Shima, Mozart Couto e uns poucos outros abnegados)?
O problema no Brasil não é só de qualidade. É também de quantidade. Eu prefiro álbuns com qualidade gráfica irretocável, como os feitos na Europa, mas temos que pensar nos leitores que não têm dinheiro para pagar um material assim. A Grafipar, por exemplo, tinha qualidade gráfica lastimável, mas o conteúdo era bom.
--Eu li os seus livros “A Agulha Hipodérmica” – que organizou junto com o prolífiquo Calazans, o Cláudio Magalhães e Chris Benjamim, para a Faculdade Seama - , “Spaceballs”- vol. VI da Coleção Fantástica do Hiperespaço/Megalon– e os considerei instigantes, no mínimo.Dão o que pensar. Fale-nos sobre estas obras e seus projetos em andamento – se não for “segredo “?
Agulha Hipodérmica faz parte dos meus projetos acadêmicos/científicos. Nessa área, estou produzindo um livro de metodologia científica e outro de teorias da comunicação. Na área literária, estou editando o pulp fiction Casa do Terror, para o site Nona Arte (www.nonaarte.com.br). Esse pulp fez tanto sucesso que levou o André a me convidar a idealizar outros projetos semelhantes. Assim, estou organizando um pulp fiction de aventura, com personagens fixos. Algo no gênero das revistas americanas da década de 20/30 que publicavam personagens como Tarzan, Conan, O Sombra, Doc Savage... Sempre curti muito esse tipo de literatura.
-E sua pesquisa sobre a Fábrica de Quadrinhos da saudosa Grafipar, que nos revelou talentos de altíssimo nível, como Mozart Couto, como está e qual seu objetivo?
Sou um apaixonado pela Grafipar. Essa paixão aconteceu em 1985, quando me deparei com uma revista da Grafipar num sebo. Era uma revista Fêmeas, com capa de Rodval Matias (uma guerreira montada em um sáurio) e miolo quase todo de Mozart Couto. Foi meu primeiro contato com quadrinho nacional não-infantil. E foi um ótimo começo. Mas algo que sempre me incomodou é que muita gente, até quadrinistas, desconhece esse período fundamental da HQB. Ou seja, a Grafipar estava entrando no limbo e em pouco tempo seria impossível até mesmo encontrar suas edições. A partir daí eu e o Antonio Eder fizemos um acordo: íamos envidar todos os esforços para adquirir todos tipo de publicações da Grafipar que pudéssemos conseguir. Começar a escrever sobre o assunto foi uma forma de compartilhar isso. Não publiquei esse material na forma de livro ainda porque a pesquisa ainda está incompleta. Uma pessoa que está me ajudando muito e que gostaria de demonstrar meu agradecimento é o Edgard Guimarães, do fanzine IQI, que está me conseguindo cópias xerox das revistas que não tenho. Um trabalho e tanto, pelo qual serei eternamente grato.
-E, finalizando, exponha suas críticas sinceras ao nosso modesto Site e sugestões para aperfeiçoá-lo.
Críticas? Eu só poderia agradece-lo pela oportunidade. A única crítica que poderia fazer ao seu site é a falta de um mecanismo na capa que identificasse quando há novidade em algum dos links. De resto, só posso parabenizá-lo pela sua pesquisa sobre o mestre Moore e por ter compartilhado essa pesquisa conosco.
Obrigado, Amigo.