\n'; document.write(barra); } } changePage();
| INTRODUCTION | ACKNOWLEDGEMENTS | INTERVIEWS | ARTICLES | GALLERIES | BIBLIOGRAPHY | LINKS | WANTS |
| INTRODUÇÃ0 | AGRADECIMENTOS | ENTREVISTAS | ARTIGOS | GALERIAS | BIBLIOGRAFIA | LINKS | PROCURAS |
Entrevistas / Interviews
Crítico
de Quadrinhos e Cultura Pop ROBERTO
TIETZMANN
por José Carlos Neves
Roberto
Tietzmann,
31, é outro gaúcho - de Porto Alegre - que, Publicitário e Professor Universitário de profissão, já
realizou curtas em vídeo e também
curte Quadrinhos -
Vagabond, Quarteto Fantástico de John Byrne, o underground de Robert Crumb e a
obra revolucionária de Alan Moore.
Tem
participado com desenvoltura em sites especializados, expondo sempre opiniões
pertinentes e de muita propriedade.
-Roberto,
- o Tiertzmann
é de origem germânica? - você é docente de qual cadeira?
Por
parte de mãe é Von Hohendorff, que é do sul da Alemanha. Por parte de pai,
Tietzmann, é da região que hoje é a República Tcheca, e provavelmente mais
ao oriente. Mas não deixe o sobrenome enganar. Sou brasileiro antes de mais
nada e acima de tudo.
Trabalho
com cadeiras relacionadas à televisão e publicidade principalmente.
-O
quê e quando iniciou seu interesse pela Quadrinhos, Artes Plásticas e Cultura
Pop em geral?
Desde
criança. Aprendi a ler com meus pais lendo quadrinhos para mim e vendo Vila Sésamo.
-Na
infância você lia muito, tanto HQ, quanto
Literatura? Pode citar autores e obras que o influenciaram?
Muito
mais HQ que literatura. HQ em proporções industriais. O que mais gostava eram
as histórias Disney criadas por Carl Barks, as
grandes aventuras do Tio Patinhas contra a Maga Patolójika, os Metralhas e o Pão-Duro
Mac Mônei. Também li 99% da coleção Vaga-Lume, da Editora Ática, onde
gostava principalmente dos livros de Marcos Rey.
-O
que você tem feito atualmente no gênero? Quais seus novos projetos?
Em
realização audiovisual, além de lecionar em duas universidades cadeiras a
respeito
(Unisinos e PUCRS), preparo uma série de documentários a partir de uma viagem
que realizei pela Alemanha em fevereiro.
-O
que você acompanha em Quadrinhos hoje?
Gosto
bastante de Alias da Marvel Max. A série do Hulk também está interessante.
Leio um pouco de mangá também. Procuro boas histórias e artes interessantes
-Quando
foi seu primeiro contato com o trabalho de Alan Moore e qual obra lhe causou algum impacto especial?
Watchmen.
Essa série fez a minha cabeça!
-Qual
trabalho do mago de Northampton que você considera sua obra-prima e porquê?
Conheço
pouco do trabalho mais amplo de Moore, mas para mim Watchmen é insuperável.
-Ao
seu ver, quais foram as inovações mais importantes do autor? Especificamente
sobre Watchmen e sua instigante forma
narrativa – já apelidada de O Cidadão
Kane da Nona Arte – o que tem
a nos dizer?
Moore
é um mestre das tramas, conseguindo estar ou um passo adiante dos leitores ou
fazendo uma HQ absolutamente ortodoxa (como Tom Strong) que nos devolve o prazer
de ler uma revistinha com heróis simples e sinceros.
Moore
consegue como poucos sintetizar o crível dentro do fantástico.
-Você
acha que ainda existe espaço para seres musculosos e com super-poderes, metidos
em colantes, na verdadeira Cultura Pop, mais madura? Pergunto porque muitos fãs
dos super-heróis, ao mesmo tempo que admiram Alan Moore, o detestam por
considerar que ele praticamente destruiu o gênero com Watchmen. E você?
Acho
que sim, ainda há espaço. Mas a maioria dos conflitos atuais dos supers de
collant parece bastante desgastado, repetindo fórmulas. Moore reconheceu isso e
virou o gênero do avesso.
-E
From Hell, você acha que Moore
conseguiu atingir plenamente seu intento de
forjar em uma HQ o caldeirão que nos preparou o Século XX, com toda sua
paranóia, conspirações, contradições, horror e beleza?
Olha,
não li em quadrinhos. Só vi o filme, que não gostei muito.
-Você
acredita na Magia, na Cabala e outros desdobramentos, ou tenta também - como o James
Randi tupiniquim, Padre Oscar Quevedo - "explicar tudo à luz da
Parapsicologia" ?
Cada
pessoa busca respostas para os mistérios à sua maneira.
-O
que você pensa da Magia? Lê a respeito? O quê e de quem?
Acredito
que funciona muito bem em tramas, mas quando tentam fazer funcionar na realidade
é 99,9% enganação.
-Mas,
ainda nesta direção metafísica, qual é a sua concepção do Tempo?
Considera-o a Quarta Dimensão do Espaço, como teorizou Einstein ou tem outra
visão?
O
tempo é uma forma de compreendermos nossa existência do universo. Não li o
suficiente para opinar sobre o resto.
--Você
se interessa, além da curiosidade, pela fascinante Teoria do Caos, seus
fractais e grande potencial criativo?
Sim,
é uma espécie de chave do mundo.
-Quais
obras (quadrinhos,literárias, cinema ) que julga melhor ter aplicado o Caos
como metáfora?
Uma
amiga, Giselle Jacques, fez um curta chamado “Teoria do Caos”, onde a vida
de um sujeito se transforma em entropia pura. Divertidíssimo.
-
Cool!
Preciso entrevista-la também. O que
você acha que dificulta para o quadrinista brasileiro sobreviver de sua arte?
Falta de talento ou de mercado?
Talento
não falta. Falta um mercado local para absorver mais gente.
-Conhece
e o que acha do trabalho de Mike Deodato, atual campeão no desenho de super-heróis
emblemáticos, da Marvel/DC?
Mal
posso esperar pela estréia dele no Hulk, edição brasileira.
-E os
artistas brasileiros da “velha guarda” como Jayme
Cortez, Ignácio Justo ,
Walmir Amaral, Salatiel de Holanda, Igayara, Colin, Shima,
Edmundo Rodrigues,
conheceu o trabalho deles?
Sim,
principalmente de Cortez e Colin. São sensacionais e não se prendem aos cânones
que estamos acostumados com super-heróis.
-Você
concorda que, depois de uma onda iniciada, ao meu ver, na Image, o desenho de
super-heróis tem optado por uma arte mais realista – em termos de visual e não
de temática.Melhor explicando: seres de músculos anabolizados impossíveis não
são realistas. Mas sua representação no papel,
quase sempre iluminados por no mínimo duas fontes de luz – uma mais
forte e no lado oposto a esta, outra mais fraca, ou de luz rebatida, torna as
figuras mais realistas, mais tridimensionais, se me entende – como faz Dale
Keown e principalmente o italiano Paolo
“Druuna”Serpieri. Concorda que existe esta tendência?
Acho
que a palavra “realista” é muito forte e incorreta. Acredito que desde a
Image Comics, McFarlane e Jim Lee, etc. se renovou principalmente a representação
de cenas de ação e violência. Elas ficaram muito mais bonitas de se ler.
-Eu
disse realista no sentido de não ser estilizado - melhor explicando: os
músculos são exagerados, mas não são "inventados". O que você
pensa do desenho anatômico do italiano Paolo Eleuteri Serpieri, criador da
voluptuosa Druuna, principalmente em termos do uso da iluminação bi-lateral
que ele faz e também de sua arte-final em traços cruzados, de diversas formas,
para interpretar os vários tons de sombreamento no desenho?
Ele
consegue torná-la muito atraente!
-Quais
dos nossos autores e artistas você julga mais em condições de produzir uma
obra de fôlego?
Não
gostaria de citar nomes, mas acredito que assim que as condições de mercado
melhorarem, haverá uma explosão de títulos de qualidade.
-Experiências
até do Pentágono, comprovaram a eficácia expressiva dos Quadrinhos em
transmitir qualquer idéia por atingir, através do somatório sinérgico de
imagens com texto, os dois hemisférios cerebrais. Será isto talvez que
explique o grande sucesso do gênero nos paises do Oriente (China,Japão,Coréia
principalmente), já que seus alfabetos ideogramáticos (os caracteres
representam imagens e não sons) têm o mesmo efeito? Conhece algum estudo
abalizado sobre o assunto?
Na
comunicação estudamos coisas semelhantes a isto. Uma comunicação que usa
mais de uma forma de expressão pode se vincular a mais memórias e áreas do cérebro,
sendo potencialmente bastante gratificante para o leitor. Mas, como tudo na área,
depende de centenas de fatores e não pode ser reduzido a apenas aos lados do cérebro.
Estamos sempre usando os dois lados.
-E
sobre os mangás,
você aprecia todos, ou somente os manga-ká? (quadrinhos “mais adultos”, de
desenho mais realista)
Gostei
muito de Lobo Solitário e atualmente não perco um
Vagabond. Mas também me divertia demais com Dr.
Slump, ou seja, uma bagunça.
-O
que tem a nos dizer sobre Vagabond, essa fantástica narrativa gráfico-visual
da estória do maior samurai de todos os tempos?
A
arte é sensacional e as tramas prendem a atenção. O uso do silêncio e da
sutileza é algo marcante.
-Além
da extrema poesia do texto, do “pacing” mais lento que muitos criticam, mas
que constituem a marca registrada
do quadrinho nipônico, o que você acha dos desenhos, principalmente nas cenas
de combate e no detalhismo (Caramba! Tem cenários cujas árvores apresentam
suas milhares de folhas desenhadas uma-a-uma....)
Sim,
neste ponto Vagabond se aproxima mais da decupagem de um filme, onde a imagem
traz muitos significados e menos que o texto, como nos quadrinhos americanos em
geral.
-Você
leu os livros “Musashi” (Estação Liberdade-SP, de Eiji Yoshikawa)? Tem
alguma
atração especial pelo gênero, pelo “bushidô” e cultura oriental?
Não,
mas leio os quadrinhos J ! Sou preguiçoso!
-E
“Blade”, a nova saga
samurai-cyberpunk da Conrad, está acompanhando também?
Comprei
alguns, mas não curti muito. Mas acho que vai fazer o maior sucesso.
-E
do underground Robert
Crumb, o pai-dos-alternativos,
o que você tem a nos dizer ?
É
o cara que conseguiu pegar o desenho careta estilo “disney-fofinho” e
transformar em algo completamente subversivo. É um gênio.
-Acha
que as chamadas artes populares e de entretenimento, como o Cinema e os
Quadrinhos, tem também esta capacidade de, através de seu experimentalismo
formal, metalinguagem e outros recursos estilísticos, mas sobretudo de conteúdo
humano, que realmente nos enleve, nos atingir em cheio como as obras literárias
? Pode mencionar exemplos?
Podemos
ser motivados por quaisquer obras que nos emocionem. Não tem porque desprezar
os quadrinhos ou o cinema, ou a televisão. Mas tampouco há porque desbancar e
jogar for a a literatura. E cada pessoa é tocada de acordo com sua história
pessoal e vivências.
-Aproveitando
a deixa, o que você achou de “Cidade de Deus” em termos formais e também
no retratamento de uma realidade cruel, sim, mas que representa apenas uma das
miríades de facetas de nossa realidade?
Gostei
muito. É um filme que nos leva a um passeio por um mundo violento, mas muito próximo
da realidade.
-Retornando
a temas mais filosóficos, que você
acha que é a consciência em si?
A
capacidade de acender a luz da consciência na mera existência, para citar Jung
que Moore cita em Watchmen.
-O
que acontece com a
\n';
document.write(barra);
}
}
changePage();
Te
digo quando chegar lá. Espero que tenha um terminal de email.
-Quais foram os eventos mais importantes que já ocorreram em sua vida.
Eu
poderia dizer a você, mas então teria que matá-lo. Como nos filmes de
espionagem!
-Qual
foi a experiência mais louca que você já experimentou na vida?
Nada
de tão extraordinário. O prazer está nas pequenas coisas da vida.
-Qual
foi o sonho mais louco que você já teve?
Congelar
o tempo como quem aperta pause no videocassete quando quisesse.
-E
atualmente, o que lhe é realmente imprescindível, seminal?
Fazer
o que gosto em todos os aspectos da vida. E um pouco de dinheiro para comprar
HQs e ir ao cinema.
-Quais
sites da web você visita com freqüência?
etc.
-Quase
finalizando, o que tem a dizer sobre nosso modesto site, criticas e sugestões
para aperfeiçoá-lo?
Acho fora de série a dedicação que você tem ao procurar coisas para o site. E muito obrigado pela atenção.
OBS:
Imagens de "O CRIME", um vídeo-interativo da cadeira de Linguagem da
Vídeo do curso de Pós-Graduação da PUCRS, roteirizado por Roberto Tietzmann
- a partir de uma idéia de Ana Cláudia Dolzan ;
Leia AQUI o tratamento final do Roteiro do curta e veja
AQUI um dos seus story-boards