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Entrevistas / Interviews
ESCRITOR
SÉRGIO
BARCELLOS XIMENES
por José Carlos Neves
-Sérgio,
vamos à inevitável “ficha”: Idade? Onde você nasceu, cresceu e vive
atualmente? Casado? Filhos? Formação
acadêmica e profissão?
Sou
carioca de nascimento (22/8/1954). Vivi na Cidade Maravilhosa até 1982, quando
me mudei para Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro.
Estado civil: solteiro, sem filhos. Instrução: curso superior
incompleto (Psicologia, na UFRJ). Profissão: escritor.
-O
quê e quando iniciou seu interesse pela Literatura e Cultura Pop em geral? Na
infância você lia muito? Pode citar autores e obras que o influenciaram?
Leio
desde pequeno. Minhas primeiras leituras foram as revistas semanais e mensais,
além dos gibis. Meu pai trabalhava na Fleishmann Royal e recebia muitas
revistas de cortesia, por causa dos anúncios da empresa. Quando ele chegava com
o pacote à noite, era um festa entre os filhos. Além das revistas, sempre
havia um jornal diário em casa. Também comprei muitos gibis nas bancas, até a
pré-adolescência. Nessa fase, passei a comprar livros de ficção e a tomá-los
emprestados da biblioteca pública do bairro onde morava (a Tijuca). Lembro-me
especialmente da coleção de livros de Júlio Verne. Tentei aprender leitura
dinâmica com eles. Até hoje não aprendi.
Lia
pelo prazer de ler. Não me lembro de nenhuma influência específica, nas áreas
de estilo e de conteúdo.
-E no cinema, o que você
realmente gosta? O que achou, a propósito, de “Cidade de Deus”,
principalmente em termos de roteiro, edição e narrativa?
Não assisti a
"Cidade de Deus". Deixei de me interessar por filmes há alguns anos,
depois de um período de estudo sobre a técnica do roteiro, realizado em filmes
que alugava no videoclube. Comecei a perceber a quantidade de clichês, fórmulas
batidas e redundâncias utilizadas no cinema norte- americano, a ponto de
adivinhar a seqüência de várias obras. Desde
então, me angustia a perspectiva de perder duas horas de vida com um produto
artístico de baixa qualidade, seja na telinha, seja na telona.
Quando esgotei o estoque
de fitas não-americanas do videoclube (italianas, russas, francesas etc),
deixei de alugar filmes.
Os melhores filmes que já
vi não são norte-americanos. O melhor filme de guerra, por exemplo: "Vá
e Veja", polonês.
--Muitos
escritores escrevem para tentar
lidar com a desordem emocional que ele (e todos nós ) vivemos e nos
encontramos. O que você pensa disto?
A
arte é o reino da subjetividade e da experimentação. Se o escritor opta por
aquele caminho particular, não deve ser julgado pela opção, mas pelo que
fizer dela, ou seja, pelo que tem a dizer sobre essa opção e pela qualidade
geral da obra.
-Você
também escreve ficção? Já publicou?
Passei
pela inevitável fase catártica no início da década de 80. Na fase catártica,
o novato pensa que basta colocar suas idéias geniais no papel, sem muito
cuidado, para ver a história da literatura universal dividir-se em dois períodos:
antes e depois dele. Foram uns 10 a 12 livros, quase todos de ficção, na forma
de cordel, poemas, contos, romances. Cheguei a escrever uma ficção científica,
"Depois da Guerra Final". Lixo artístico. A literatura brasileira não
perdeu nada com as mais de 30 rejeições que minhas obras precipitadas
mereceram.
Quanto
às publicações, participei de vários livros na área de não-ficção. Como
autor único, só duas obras: o "Vocabulário de Rimas da Língua
Portuguesa", lançado em 1983, e o "Minidicionário Ediouro da Língua
Portuguesa", lançado em 1997. A primeira obra vendeu uma edição de 5 mil
exemplares e não foi reeditada. A segunda já passa dos 5 milhões de
exemplares, contando a venda nas livrarias e as encomendas do MEC, para o
Programa Nacional do Livro Didático.
-O
que tem escrito atualmente e quais seus novos projetos? No ensejo, discorra
sobre a gênese do seu profícuo Blog do Romance, objetivos, motivações e feedback obtido.
Estou
produzindo um livro de não-ficção, por contrato. E iniciando o meu primeiro
romance, por prazer. Quanto ao Blog do Romance, surgiu do desejo de ler sobre a
técnica do romance, na Web. Evoluiu para a defesa dos direitos do leitor,
especificamente do direito de expressar a avaliação subjetiva dos romances
lidos. Agora possui também uma série sobre a história do romance brasileiro e
outra sobre técnicas úteis ao romancista, além de uma página com centenas de
citações sobre o gênero, subdivididas
por temas.
O
fio condutor do blog mantém-se desde o seu início: a técnica do romance literário.
Pelas
mensagens que recebo, deduzo que o site é consultado mais por escritores
novatos, leitores de romances, professores de Literatura, estudantes de Letras,
jornalistas, professores de redação e escritores.
-Sobre literatura policial,
o que acha de nossos autores mais niilistas, como Rubem Fonseca e
Ana Miranda?
Quais outros você destacaria?
Li três livros de Rubem
Fonseca: "Bufo & Spallanzani", "Vastas Emoções e
Pensamentos Imperfeitos" e "Diário de um Fescenino". Gostar, não
gostei de nenhum. Só de conhecer a obra do autor. E parei por aí. Já
"Dias e Dias", da Ana Miranda, o único que li dessa autora, me
impressionou positivamente pelo domínio da técnica e pelo tratamento afetuoso
dedicado à protagonista.
-E Ficção Científica,
também lê? Algum autor e/ou obra a destacar?
Não leio. Há muitos gêneros
que gostaria de ler (por exemplo, o romance histórico), mas me falta o tempo.
-E no Horror?
-Quais
foram os eventos mais importantes que já ocorreram em sua vida?
Excluída
a vida íntima, sobre a qual não comento (sou daquela última geração à qual
os pais ensinaram separar a vida particular da pública), sobra a vida
profissional. Nessa, destaco duas realizações.
Primeiro,
a descoberta da origem histórica de uma palavra muito conhecida no inglês,
"crosswords" (palavras cruzadas). O "Dicionário Oxford", o
mais importante da língua inglesa, registra o ano de 1914 como o da primeira
ocorrência da palavra. No meu site sobre a história das palavras cruzadas,
provo que a palavra surgiu em fevereiro de 1867, na forma da expressão "cross
words". Naquele site, apresento mais de 200 imagens escaneadas dessa
palavra, entre 1867 e 1913. A descoberta foi realizada através da internet e
será incluída na próxima edição do "Oxford English Dictionary".
Segundo,
a avaliação do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD-2004), que
classificou o "Dicionário Ediouro", do qual participei como o autor
da base de dados, como o segundo melhor do Brasil, logo abaixo do inatingível
"Míni Aurélio".
-E
atualmente, o que lhe e´ realmente imprescindível, seminal?
-
Acha que a nossa Literatura de gênero tem evoluído? Quais autores - tanto de
ficção quanto de fato, ensaístas, críticos, etc -
você considera dignos de nota?
Não
tenho um juízo formado sobre o momento atual da literatura nacional, até mesmo
porque gosto de evitar generalizações. E a arte é qualitativa, não
quantitativa. Quanto vale para a área poética um Mário
Quintana? Cem poetas
medianos? Mil deles?
Mais
útil do que destacar nomes individuais seria ressaltar que o momento é um dos
mais propícios para o surgimento de novos escritores, graças à oportunidade
de prática oferecida pela Web e à ampla difusão de informações. Nenhuma
outra geração de escritores teve tantos estímulos quanto esta, para a realização
do seu sonho. Se ela conseguirá aproveitar a oportunidade, é outra questão.
-
Qual é a sua concepção do Tempo? Considera-o a Quarta Dimensão do Espaço,
como teorizou Einstein ou tem outra visão?
Outra.
O tempo é meu inimigo na área pessoal e meu amigo na área profissional.
"Inimigo" porque um dia de 24 horas só pode ter sido idéia de um
Deus brincalhão. Todas as experiências feitas com pessoas confinadas em
cavernas e em cápsulas submarinas (ao menos, as que tive oportunidade de
conhecer) resultaram num "dia" de 24 horas de vigília e 12 horas de
sono -- aparentemente, o ciclo natural do corpo humano. A espécie humana surgiu
no planeta errado, considerando-se o aspecto "tempo". Por isso, essa
impressão visceral de que não há tempo para nada.
Um
dia correto, de 36 horas, traria outra vantagem: hoje eu teria metade da minha
idade real.
E
"amigo" porque o tempo é o maior amigo do escritor. Se o locutor erra
a palavra, ao enunciá-la, só lhe resta pedir desculpas ao espectador. Se o
pugilista se distrai por um segundo, acorda deitado, olhando para o árbitro. O
escritor pode errar cem vezes e só apresentar ao editor ou ao público a centésima
primeira versão de seu trabalho: justamente a mais bem-feita.
Quanto
à natureza física, real ou relativa, do tempo, quando o dia tiver 36 horas
conseguirei tempo para pensar nessa questão teórica.
-Como
você imagina um ser ou objeto (como o chamado Tesserato) proveniente da 4º
Dimensão, se ele pudesse ser visualizado pelos nossos sentidos tridimensionais?
Prefiro
não opinar sobre o que não conheço. Ou sobre o que não consigo entender.
Aceitei a evidência inquestionável de que minha mente é mais apta para lidar
com o lado prático da vida do que com o lado teórico quando abandonei o livro
"Uma Breve História do Tempo", do físico Stephen
Hawking, na página
30.
-Acho que teve a ver
com a tradução, que foi péssima. Mas tem outros fascinantes, como "Hiperespaço",
de Michiu Kaku; "A 4ª Dimensão", de
Rudy Rucker e até " O Círculo do Tempo"
, do físico brasileiro Mário Novello, um dos meus próximos entrevistados.Você acha que nossa
incapacidade de “enxergar dimensões mais elevadas” e´ um problema
relacionado unicamente a nossa condição humana ou também envolveria algum
aspecto espiritual – na falta de um termo mais “neutro”?
Entendo
que algumas pessoas afirmam ter acesso a essas supostas dimensões extras da
vida e a fenômenos próprios dela, e que as explicações mais corriqueiras
para essa capacidade são as de dom, evolução espiritual e treinamento específico.
Novamente, a questão se resume a uma prova concreta: no dia em que eu tiver
acesso a elas, acreditarei em sua existência. Dependendo, é claro, do que eu
tiver tomado antes de ter a experiência.
-Você
acha que as nossa limitações cognitivas atualmente são tecnológicas,
filosóficas
ou epistemológicas?
Se
a pergunta se refere ao ser humano individual e às suas capacidades orgânicas,
as limitações são estruturais: derivam do nosso equipamento sensorial. As
crenças pessoais e a própria linguagem que empregamos para entender o mundo
decerto afetam a percepção dele, mas seu efeito, assim me parece, se concentra
mais na interpretação dos fatos percebidos (as posições que tomamos em relação
a ele) e no estabelecimento de distinções úteis (o exemplo clássico dos
esquimós e das várias palavras que criaram para designar a neve), e menos na
nossa capacidade de ver ou não ver a realidade. Quanto à expansão dos limites
naturais dos nossos sentidos, esse é um problema e um objetivo próprios da
tecnologia. Serei eternamente (que esperança ...) grato a quem inventou os óculos.
-O
que acha da imberbe Teoria do Caos, com seus Fractais e o popular "efeito
borboleta"?
Conheço
pouco sobre essa teoria, mas sempre que leio sobre o "efeito
borboleta", penso: "só existe uma borboleta no mundo?". Ou seja,
o resto do sistema permanece estático enquanto aquele efeito se propaga do
Brasil até a Índia? Ou todas as partes de um sistema estão sempre em
atividade, nos mais variados graus, podendo interferir nesse efeito inicial, a
ponto de rapidamente torná-lo desprezível? Se uma minúscula farpa se aloja na
planta do meu pé, toda a minha postura se altera, ao andar. O sistema inteiro
rende homenagem à força inesperada daquele pedacinho desgraçado de madeira.
Portanto, o mínimo *pode* afetar o máximo. Mas apenas sob certas condições.
Se eu elimino a farpa, o que resta do seu efeito?
-Dá
o que pensar...Como
acha que esta teoria pode ser aproveitada por exemplo em algum enredo
literário?
Já
não é? Quando um ficcionista insere sutilmente uma pista no enredo,
desconsiderada a princípio pelo leitor, mas que mais tarde provará ser um
elemento fundamental no desenlace da trama, essa pista não é o equivalente
literário da borboleta de asinhas superpoderosas, ao reverberar sua importância
por todo o enredo? Ou quando um evento aparentemente inconseqüente no passado
de um personagem se torna a chave para entender o seu destino na vida, esse
evento não apresenta o mesmo tipo de efeito?
-Quais
os seus comentários (e, por favor, pode falar a vontade) sob a ótica da
critica literária a obras seminais, mas que muita gente cita sem nunca ter lido
– ou abandonou-as sem compreendê-las – como: Ulisses e Finnegan´s Wake, de
Joyce; Em Busca do Tempo Perdido, de Proust; Tristam Shandy, de Laurence Sterne;
A Montanha Mágica, de Thomas Mann e algumas ouras de Virginia Wolf, E.L.Doctorow,
Falkner?
Dos
livros mencionados acima, já li "Ulysses" e estou lendo "Em
Busca do Tempo Perdido".
Sou
absolutamente radical na defesa dos direitos do leitor. Nenhum leitor *tem* que
ler livro algum (a não ser um estudante, é claro), ou tem que se sentir
obrigado a gostar ou a não gostar de livro algum. Ele tem, sim, que ser
radicalmente fiel à *sua* experiência de leitura, seja ela qual for. Por isso,
não tenho problemas em afirmar que "Ulysses" foi a pior obra de ficção
que já li. Não consigo lembrar de um livro tão pouco amigável, do ponto de
vista do leitor, quanto o de James Joyce. Li todas as 957 páginas, e estou em
busca do tempo perdido por mim em cada uma delas.
Quanto
ao livro de Proust, estou apenas no começo da leitura e, se me incomoda o
estilo repleto de frases-borracha (aquelas que a gente estica, estica, estica,
até quase arrebentar ... a paciência do leitor), reconheço que o conteúdo é
bem mais acessível e inter
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-Sabia
que um artista europeu quadrinizou a seminal obra de
Proust e que está fazendo o maior sucesso (de crítica e de público) essa
transposição midiática? E dos
autores brasileiros, quais – de qualquer época - se comparariam aos
mencionados?
Ainda
não li "Grande Sertão: Veredas", de
Guimarães Rosa. Está na lista
de espera. Um internauta me avisou que seria o equivalente brasileiro de
"Ulysses". Para minha felicidade de leitor, torço para que ele esteja
errado.
-Acha
que as chamadas artes populares e de entretenimento, como o Cinema e os
Quadrinhos, têm também a capacidade de, através de seu experimentalismo
formal, metalinguagem e outros recursos estilísticos, mas sobretudo de conteúdo
humano, que realmente nos enleve, nos atingir em cheio como as grandes obras
literárias? Algum exemplo?
Se
há um ser humano criativo por trás de qualquer forma ou meio de comunicação,
o conteúdo pode ser elevado ao nível de arte. Não acredito numa hierarquia de
meios artísticos de expressão, na qual uns seriam mais importantes ou mais
louváveis do que os outros.
Qual
é a arte mais completa? O Cinema. Qual é a arte que produziu a maior
quantidade de lixo artístico na história da civilização? O Cinema, se
considerarmos o montante gasto nas produções hollywoodianas e a qualidade artística
da maioria dos filmes.
Portanto,
o meio não é importante. A questão é o que se faz com o meio e a qualidade
do criador que manipula artisticamente esse meio.
No
mais, vale o gosto de cada um para escolher o meio no qual procurará, como
consumidor, esse "conteúdo humano" que é um pressuposto da Grande
Arte.
-Aprecia
também a literatura do recluso Thomas Pynchon e porque?
-E
fora do globalizado eixo EUA/Inglaterra, quem atualmente esta´ fazendo
a
Atualmente,
por causa do meu blog temático, estou me concentrado exclusivamente em autores
brasileiros.
-O
que faz o estilo? A capacidade de engendrar metáforas eficientes ou o uso quase
mágico da palavra?
O
estilo é um dos exemplos corriqueiros daquilo que a teoria sistêmica denomina
de "propriedade emergente", ou seja, uma qualidade que surge (emerge)
da combinação de vários fatores, mas que não pode ser apontada concretamente
ou associada a um componente específico. Outro exemplo: a vida. Ninguém aponta
para a vida, só para um ser vivo, ou seja, um ser que apresenta essa
propriedade. Outro exemplo: o entrosamento de um grupo. Mais um: o clima, no
sentido meteorológico.
Assim,
a escolha das palavras, a estrutura das frases, o conteúdo (abstrato, concreto,
imagístico) do texto, o tamanho dos parágrafos e vários outros fatores se
combinam para produzir aquela impressão genérica que chamamos de
"estilo" de um autor. Sendo seres de hábitos como todos nós, os
autores tendem a repetir suas escolhas (de palavras, frases, conteúdo etc.).
Por esse motivo, podemos identificar um estilo específico se manifestando em
suas várias obras.
Também
por isso, ninguém consegue imitar com perfeição o estilo de outro autor. Quem
o tenta, cria uma caricatura de estilo, porque apenas a superfície do estilo é
imitada, aqueles componentes mais óbvios, enquanto outros fatores que
contribuem para criar a impressão geral deixam de ser reproduzidos por não
terem sido identificados. Pena que muitos novatos caiam nessa tentação.
Daí
porque se diz que "o estilo é o homem".
-
Dostoyevski
escreveu que na ficção, a consciência das personagens devem
interagir e se debater até somente com as consciências das outras personagens,
ficando o autor totalmente “de fora”. Como pensa que um conto ou romance
deve ser, formalmente falando, para atingir esse objetivo?
Se
entendi bem o conceito do escritor russo, a partir da pergunta, trata-se de uma
defesa da narração com predominância das cenas, ou seja, da descrição
direta, não intermediada pelo narrador (a não ser quando esse narrador também
é um personagem interagindo com outros). Considero essa concepção mais artística,
elegante e tecnicamente dificultosa do que a atualmente em voga, que privilegia
a interferência abusiva do narrador. A adesão de autores ao modismo da
metalinguagem já estragou muitas histórias interessantes.
Quanto
ao "como fazê-lo", trata-se de uma questão relativa ao controle do
ponto de vista, ou foco narrativo: só pode ser narrado aquilo que combina com a
vivência dos personagens escolhidos como foco.
-Você
acha que a “sede” do nosso “espírito” – ou essência, ou anima, o
nome que se dê - se encontra na mente? Ou tudo não passa de um aperfeiçoamento
fantástico de uma verdadeira “maquina orgânica” com seus ilimitados neurônios
e suas ligações sinápticas?
Se
eu tiver alma ou espírito, que ela(e) me perdoe, mas ainda não tive nenhuma
evidência de que realmente existe (viu no que dá, ficar brincando de
esconde-esconde com o corpo?). Mas enquanto há vida, há esperança de mudar de
convicção. Estou aberto a reconsiderações. Que ela(e) apareça quando
quiser, para uma conversinha amiga.
-O que você acha que é a
consciência em si?
Pergunta fascinante.
Não tenho uma certeza a respeito, só um desejo: que ela seja uma das
faculdades da alma, e que esta exista e seja mesmo uma entidade que sobrevive à
morte. Agora, que o dia não tenha 24 horas lá do outro lado, senão eu mudo o
meu desejo.
-E
o que pensa que
acontece com a consciência após a morte?
Sempre
pensei nessa situação extremamente desagradável (a morte) como uma festa (mórbida,
é claro) para a qual todos fomos convidados. Quando estamos na expectativa de
ir a uma festa, de que adianta passarmos horas pensando quem estará lá, que músicas
tocarão, quem desafinará mais no videokê, quem ficará com quem, quantos
passarão da conta na bebida? Basta esperar a hora chegar, e saberemos. Não
importa a minha concepção de morte, vida após a morte, alma, Céu, Inferno,
plano astral, consciência ou o que for: a experiência real valerá mais do que
qualquer expectativa fantasiosa. Assim, dou todo o crédito a ela (à experiência
real), desde já. E quanto mais esse conhecimento demore a vir a mim, melhor.
-Quais sites da web você
visita com freqüência?
Os principais portais
nacionais e os sites de jornais brasileiros e estrangeiros, e de agências de
notícias.
-Qual foi a experiência
mais louca que você já experimentou na vida?
De novo, só considerarei a
vida profissional. Fazer um trabalho histórico completo me valendo somente do
material coletado por meio da internet. O resultado está em http://www.palavrascruzadas.com
-Qual foi o sonho mais louco
que você já teve?
Meus sonhos devem ser criações
da minha alma fugidia. Raramente me lembro deles.
-Tem alguma pergunta que não
foi feita mas que, por você ter algo realmente interessante a acrescentar, você
gostaria de responder?
"Qual é a sua citação
preferida?" (sugiro a inclusão dela em seu questionário-padrão).
Resposta: "Nada do que
é humano me é estranho" (Terêncio).
-Boa!
Mas a respeito do "questionário-padrão" , teria entrevisto aí uma
pontinha de ironia ou crítica? Foi bom abordar esse assunto pois tenho também
a oportunidade de esclarecê-lo aqui: às vezes algum leitor me critica,
argumentando que faço as entrevistas sempre iguais, tipo mesmo um
"padrão" Ao que sempre respondo que, como sou eu que as faço, eu
escolho as perguntas. E as que se repetem ou são, imprescindíveis (dados
biográficos e sobre a "obra" do entrevistado), ou curiosidade pelo "gossip',
muito própria do brasileiro; ou, obviamente, porque são os assuntos que mais
me interessam, mais me fascinam e sobre os quais gostaria de obter o máximo de
"conhecimento". No mais, têm as questões inerentes a cada
entrevistado também...Obrigado, Sérgio,
por dividir conosco um pouco do seu precioso tempo.