ALAN MOORE     Senhor do Caos  /   Lord of Chaos
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Entrevistas  /  Interviews


                        NELSON CASTRO ( www.centralcomics.com)

Nelson Castro, o artista argentino Oscar Zarate ("A Small Killing"), a quadrinista Melinda Gebbie ("Lost Girls") e Paulo Costa (cronista do Centralcomics.com)) num momento de descontração no Festival de Amadora / Nelson Castro, Argentinian artist Oscar Zarate , Melinda Gebbie  and Paulo Costa (  Cronista do Centralcomics.com) in Amadora.

-Nelson,, para iniciar faça-nos sua apresentação: Idade, onde nasceu e cresceu, estado civil, filhos, formação 
acadêmica e profissional

Neste caso vou buscar o texto preparado, que dou a todos os sites que me pedem isso. Nasci no ano da graça de 69 na cidade do Porto - Portugal onde me mantenho fiel e invicto. Depois dos estudos trabalhei em áreas ligadas à gestão de produtos, chegando a chefiar uma secção de distribuição duma das maiores empresas distribuidoras de publicações de Portugal. Nos tempos livres ia-me dedicando à elaboração de sites para a internet. Com o sócio Hugo Jesus criei a www.duplamente.com uma empresa de produção de sites onde além da actividade comercial, criamos um dos sites de referência da BD em Portugal - www.centralcomics.com Sou bom rapaz, toco piano, e falo francês (Inglês, falo, leio e escrevo). O meu maior orgulho são as minhas duas filhotas. Sou casado e bem casado.

-O quê e quando iniciou seu interesse pela Banda Desenhada (BD)?

Cedo começei a folhear livros de banda desenhada das colecções do Tintin que me iniciaram no grande vicio da BD. Lembro-me que recebia 20$00 de semanada e que os ia logo gastar na compra dessa revista semanal que custava esse valor, ficava logo sem dinheiro para outras coisas. Quando tinha 13 anos um amigo da escola me emprestou o nº 9 do Superaventuras Marvel, que continha a historia do Demolidor e Rei do Crime do Frank Miller. Fiquei siderado, e tratei logo de comprar todos os nºs em falta, e começei a comprar regularmente o Superaventuras Marvel e Herois da TV. 

-Na infância você lia muito, tanto BD quanto Literatura mainstream? Pode citar autores e obras que o influenciaram?

Lia mais BD. Quanto a literatura, lia essencialmente livros de Ficção Cientifica (Frederick Pohl, Robert A.Heilen, K.Dick)ou livros que abordavam temas sobre a Atlantida, Sociedades Secretas, Ufologia, etc... Claro que sempre fui lendo uns classicos da Agata Christie, Edgar Alan Poe, Conan Doyle. Isto na  nfancia/adolescência e nada que eu possa dizer que me influenciaram. A verdadeira influencia veio da BD.Frank 
Miller (Demolidor), Jim Starlin (Warlock), Byrne (X-Men- A Saga de Fenix) e, claro está, mais tarde o Alan "Mestre" Moore.

-Atualmente o que tem feito na BD?

Para já faço a gestão do site CentraComics com o Hugo Jesus, e tento apoiar a BD em Portugal. Não sou artista nem argumentista, por isso tenho de me limitar a promover aquilo que gosto de ler. Se tivesse mais dinheiro ou influencia nos centros de decisão estaduais ou municipais gostava de fazer uma associação e promover espaços fisicos para divulgação de BD. Nunca se sabe.

-Quando foi seu primeiro contato com o trabalho de Alan Moore e qual deles te causou um impacto maior e especial?

A determinada altura eu tinha deixado de comprar as revistas da Abril Brasileira, que perderam muita qualidade principalmente por causa das histórias. A culpa nem era da Abril, mas sim da Marvel que deixou de ter historias que me agradassem. Fiquei cerca de dois anos sem ler comics. Um dia (tinha eu 20 anos) peguei o livro Watchmen de um alfarrabista (loja que vende livros usados) e li aquilo. Fiquei completamente fascinado com toda a historia e a profundidade do livro. O que mais me fascinou foi encontrar um leque de personagens que apesar de serem super-hérois poderiam ser qualquer um de nós. O livro não tratava de acção, nem salvar a menina do vilão, nem combater ameaças inter-planetárias, mas tratava do ser humano, das suas riquezas e fraquezas, das mascaras que temos de usar e do que está para alem delas. Watchmen é um livro mágico, daqueles que se abre em qualquer pagina ao acaso e essa pagina nos ensina algo. Ele abriu-me as portas da percepção que eu ainda nem sequer sabia que existiam (um jovem com vinte anos pensa que já sabe tudo). O livro mudou realmente a minha vida. 

-Qual trabalho você considera ser a obra-prima dele e porquê?

Watchmen, sem duvida e pelas razões que acima citei. Alem de ter toda uma constituição formal de narrativa muito complexa. Destaco tambem o V for Vendetta, Small Killing e From Hell. 

-Ao seu ver, quais foram as inovações mais importantes do autor?

Foi transformar os comics de um veiculo de entretenimento para algo realmente maduro e quase literário. Foi dar leituras paralelas, cruzadas ou por camadas a uma unica história. Com Alan Moore um comic book é uma cebola, que se vai descascando por camadas. À superficie temos aquela casca acastanhada que é a primeira leitura. Uma camada fina e fragil que com um pequeno esforço a quebramos para descobrir outra no seu interior, depois outra, e mais outra. Em leituras anteriores a Watchmen tinha encontrado algo assim nas histórias de Frank Miller, Steve Englehart (DR.Strange) e Jim Starlin (em Warlock, aquela saga que culmina com a morte dele no velhino Grandes Heroi Marvel, tem algo de Kafkaniano), mas essas historia apenas continham duas camadas, nada que se compare com a profundidade que Alan Moore dá às suas histórias.

-Especificamente sobre Watchmen e sua instigante forma narrativa – já apelidada de O Cidadaõ Kane da BD – o que tem a nos dizer?

Tudo isso que falei acima. Ainda mais as simetrias, e as histórias dentro de histórias e a forma como elas se encaixam. A riqueza dos personagens, sem excepção. O final surpreendente que retorna ao início (como Citizen Kane). E sim, Citizen Kane é o Watchmen do cinema :)

-E From Hell, você acha que Moore conseguiu atingir plenamente seu intento de forjar em uma BD o caldeirão que nos preparou o Século XX, com toda sua paranóia, conspirações, contradições, horror e beleza?
                                                                                                          

 

Acima de tudo retrata uma época Victoriana cheia de contradições, e mais uma vez Moore mostra-nos o que poderá existir por detras de uma acção que se pode mostrar vulgar ao olhar do comum dos mortais. Neste caso, a historia dum assassino de série é uma grande conspiração maçónica para ocultar um segredo, que se transforma na motivação pessoal de um homem em concretizar o seu designio. Moore continua a nos mostrar que há mais para além do que os olhos vêem. 

-Ainda a propósito, o que você pensa da Magia?

Só a palavra tem algo de mágico. Magia. Não sou profundo conhecedor nem sei a que niveis se pode manifestar. Há muitos charlatões que com pequenos truques de hipnotismo se dizem mágicos. Mas acredito que qualquer um pode ter poderes magicos ou de adivinhação. Recorro às teorias expressas em From Hell para compreender um pouco sobre isso. Já agora em exclusivo para o seu site - em Novembro de 2001 eu fiz um jogo de tarot em minha casa e com um familiar, com alguns conhecimentos básicos que tinha sobre o assunto. As cartas entre outras coisas ditaram que em tempo próximo haveria hospitais ou doenças. 15 dias depois eu estava internado num hospital com uma ulcera. 90% do que ditaram as cartas aconteceu e os restantes 10% podem ter acontecido se eu fugir um pouco à interpretação linear que dei na altura. Eu acredito que, como 
estava tão concentrado no jogo do Tarot, de alguma forma aquilo bateu certo e se fez Magia. 

-E de Big Numbers a inacabada magnus-opus, a Teoria do Caos, os Fractais? Você acha que uma BD tem a capacidade de abarcar tamanha complexidade e ser compreendida?

Eu acho que sim, principalmente se for o Moore a fazer. Mas como sabe só existiram dois nºs e não foi possivel conhecer toda a intenção do Moore. De qualquer forma se lêr A Small Killing tem um grande exemplo de como certas teorias/narrativas complexas se podem transformar em BD. Quando o Oscar Zarate esteve em Portugal ele referiu que a ideia de Small Killing tinha sido dele e que a apresentou ao Moore para a escrever. Nunca imaginei. Pensei que todo o livro seria uma ideia do Alan Moore.

-Sobre a BD em Portugal, o que você considera que a distingue das Histórias em Quadrinhos brasileiras, se 
conheces estas?

Como o David Soares já disse, numa entrevista ao seu site, existem diferenças culturais flagrantes. Eu pessoalmente, e os brasileiros que me desculpem, do pouco que tentei ler de HQ brasileira não me impressionou. Tanto que deixei de tentar procurar mais HQs do Brasil, mas estou sempre aberto a que me deiam dicas sobre bom material Brasileiro. Se calhar fui eu que não procurei bem.Gosto de alguma BD Portuguesa, mas Portugal tambem tem alguma limitação principalmente ao nivel do argumento. Há excepções, 
das quais destaco o David Soares ou José Carlos Fernandes com obras fantásticas. 

-Sobre a Exposição-Homenagem a Alan Moore, Argumentos, realizada em Amadora, você acha que o evento atingiu plenamente os objetivos dos seus realizadores? E atendeu às expectativas do público?

Eu gostei muito. Tanto da exposição, como do Catálogo, como da homenagem ao Mago em geral. Perdi (ganhei) muito do meu tempo conversando com os colaboradores do Alan Moore. É que algum do conteudo da exposição eu já conhecia pois sempre fui curioso em ler e conhecer todos os pormenores do Mestre. Aliás o seu site está sendo uma das minhas visitas regulares. 

-Se você compareceu, teve algum contato com os artistas colaboradores de Moore presentes (Villarrubia, O’Neill...) e, principalmente, com sua atual esposa Melinda Gebbie? Quais foram suas impressões sobre eles?

Excelentes. Melinda, Villarubia e Zarate foram espetaculares, responderam a uma série de perguntas que lhes fiz no auditório e como não deu tempo ainda estiveram comigo no bar do FIBDA a saciar a minha curiosidade sobre o seu trabalho com o Alan Moore. Villarubia fez um desenho da minha filhota e a Melinda foi incansavel a assinar e desenhar todos os meus livrinhos onde ela participa. (ainda são alguns :) Enfim, no meio disto tudo 
o melhor é perguntar a eles que impressão tiveram de mim, pois eu devo me ter portado como um autentico fanboy. Rick Veicht já tinha conhecido de anos anteriores e tambem é um tipo excelente. Kevin O'Neil e David Loyd infelizmente não os conheci (porque eu sou de outra cidade longe do local da exposição).

-Como está o mercado da BD atualmente em Portugal e, por extensão, no resto da Europa?

Está em pleno crescimento e espero que o projecto da CentralComics esteja a ajudar a isso. Edições há muitas, agora é preciso divulga-las e mesmo arranjar novos mercados para a BD. Creio que todos os agentes de BD em Portugal estão empenhados em fazer da BD uma arte respeitada fora dos circulos habituais de consumo. Aqui há uns anos a edição em Portugal tinha um caracter elitista e os agentes intervenientes da altura sempre a quiseram manter assim, ficando as edições a deverem-se a subsidios. Um caracter mais comercial da BD fez aumentar um pouco mais a edição e agora acho que se houver qualidade, pode haver lugar para todos, menos para os que confundem elitismo com desenhos de 4ª classe, porque alguns subsidios já acabaram.Na europa parece que ainda está melhor. Em Portugal só se edita uma percentagem minima do que França, mas em França a BD é uma arte consagrada e em Portugal ainda é uma coisa para miudos ou maluquinhos da BD. 

-E em prosa, você tem algum trabalho publicado ou em projeto? Quais seus autores preferidos, gênero e obras que mais lhe influenciaram? 

xiiiiii. Não tenho nada publicado nem sou de forma alguma um criador. Na literatura, gosto muito de ler o nosso Prémio Nobel José Saramago. Gosto dos livros de Luis Stau Monteiro, um escritor Português (dos anos 60 e 70) a que ainda não deram o devido valor em Portugal. Estrangeiros gosto do Oscar Wilde, George Orwell e pouco mais. Gosto muito de ler poesia, onde Fernando Pessoa é obrigatório. E sou o fiel detentor do unico 
exemplar e original do Livro Branco do Xico (Francisco Miguel Cunha), um dos melhores poetas que já li e meu amigo pessoal (o melhor). Já agora, sempre me recusei a ler Kafka porque acho que me ia fazer mal à cabeça (risos).

-Sei que és um dos principais artífices do excelente site www.centralcomics.com.Nos informe as motivações que o levaram a cria-lo, sua repercussão, se tem tido acesso de interessados por BD de outros países e quais são seus objetivos.

Obrigado pelo excelente, mas não vale a pena exagerar. A ideia original foi do meu sócio Hugo Jesus, que começou a fazer e tratar do site quando iniciamos o nosso negocio de produção de sites para a Internet. Na altura o trabalho era pouco e tinhamos oportunidade de trabalhar no Centralcomics. O Hugo fez uns convites a várias pessoas que nos ajudaram a fazer do site o que ele é agora. Foi a colaboração de pessoas como o Paulo Costa (o nosso inquiridor da área de comics), David Soares (um mago da escrita), Daniel Maia (um caça noticias excelente e um dos nossos motores principais) que fizeram crescer o site. O Hugo Jesus é o editor e eu sou ... o animador... tratando tambem da parte de programação e de alguns contactos comerciais ou promocionais do site. Recentemente contamos tambem com as colaborações do Pedro Mota (um dos mentores do Festival da Amadora), da Celia Kage (uma excelente crónista da área de Manga), do Gonçalo Garcia (com excelentes ensinamentos sobre a BD Franco-Belga), e do Luis Graça (que nos tem enviado excelentes críticas). Desculpe a imensa lista mas creio que todos eles merecem uma menção por nos ajudarem a ter orgulho naquele projecto. 
Pelo menos é um site que reune a boa nata do meio da BD. Autores, editores, jornalistas e fans são visitantes regulares que sabem que ali encontram sempre noticias actualizadas. E por ser apenas de lingua Portuguesa os visitantes estrangeiros são essencialmente Brasileiros. Embora o nosso site já tenha sido referenciado em alguns sites americanos como a fonte de algumas noticias (principalmente por alturas da exposição do 
Moore na Amadora).Estamos numa fase de mudança sustentada, e estamos a pensar implementar novos pontos de interesse para os nossos visitantes. Neste momento já vamos na 2ª edição dos chamados Troféus 
CentralComics, os unicos prémios em Portugal a serem atribuídos pelo julgamento dos leitores.O nosso objectivo é tomar conta do mundo. :))

-.Conhece muitos fans do Moore em Portugal ? 

Realmente muitos se dizem fans do Alan Moore porque certamente tambem reconhecem nele uma qualidade 
excepcional. Mas acredito que nem todos tenham um interesse absoluto por toda a obra do Moore, passando ao lado dos trabalhos como Birth Caul, Snakes and Ladders, Small Killing e outro material menos mainstream. Alguns porque estão muito habituados aos herois de collants, outros porque não gostam dos desenhos dos artistas que Moore escolhe para esses trabalhos. Mas creio que estes trabalhos são o que distinguem um Moore argumentista de comics e o Moore escritor (acompanhado por ilustrações).Muitos leitores não conhecem todo o Moore, por não serem do tempo em que algumas das obras foi editada e não se dão ao 
trabalho de as procurar e comprar. Acredite que me dá uma pena enorme ser dos poucos que leu e conhece todo o ruin do Moore de Miracleman e é dificil encontrar alguem para falar sobre essa serie em Portugal. 
Eu costumo dizer que sou o fan nº 2 do Alan Moore em Portugal. Não é porque conheça alguem mais fan do que eu, mas porque ainda não encontrei ninguem que queira disputar o titulo comigo.

-Gostava de conhecer pessoalmente o Moore? De que gostava de falar com ele?

Claro que gostava. Gostava de o convidar a vir a minha casa, para falar sobre os livros dele que eu tenho nas minhas prateleiras. Eu tenho sempre a impressão que o Moore é uma pessoa que me faz recordar de coisas que sempre estiveram na minha cabeça mas que nunca se deram a conhecer até ler o que ele escreve. 

-O Moore tambem tem momentos maus em criatividade ?

Boa pergunta. Há muita gente que critica a fase da Image do Moore. Não entendo porquê. No puro estilo de entretenimento que ele aplicou nessas historias encontro sempre algumas camadas de cebola a descascar ou teorias malucas para reflectir. 
Um dos piores trabalho do More são as Short Stories do Tom Strong. Um personagem riquissimo que podia ser explorado de outra forma e foi um pouco sub-aproveitado em pequenas historias que podiam ser feitas com outro personagem qualquer. É a unica coisa que crítico nos trabalhos do Moore. Creio que a Balada de Halo Jones é tambem um dos trabalhos mais superficiais do autor, mas tem a ver com a fase inicial da carreira, onde não podia estar a criar da forma que ele poderia ter capacidade para o fazer. 

-Voce acredita na Magia como Moore a propõe? Acha que tem alguma utilidade prática na vida do dia-a-dia?

Segundo me parece as praticas e rituais que Moore faz servem essencialmente para materializar ideias, essa é tambem a razão das suas performances. Segundo ele, algumas das suas invocações se materializaram, mas tambem afirma que muitos vezes para as obter esteve sob o efeito de alucinogeneos. Ele tambem afirma que seja qual for o metodo da invocação ou a origem do invocado, pelos vistos teve resultados práticos. Se é verdade ou uma forma de promover o seu nome ou imagem, já não sei dizer. O que é certo é que sem ter praticado grandes rituais, eu próprio já tive as minhas experiencias mágicas, quer voluntariamente, quer por ter sido apanhado ocasionalmente em fenomenos mágicos.

-E sobre a Discografia de Moore, o que conheces, tanto em termos de músicas mesmo (canções) quanto em termos de narração dramatizada e performática (Grand Theatre of Marvels, Snakes and Ladders etç)? Qual considerou a mais instigante e que realmente atingiu seus objetivos de despertar um estado alterado de consciência no espectador e./ou ouvinte?

Penso que tenho toda a discografia onde Moore intervem de alguma forma. O V for Vendetta, baseado no livro, é um disco que nos ajuda a entrar no universo do comic. Tambem tenho um disco dos Sinister Ducks, na altura que a onda do Moore (vocalista) era o Punk (quack,quack). O Brought to Light é uma narração e dialogos baseados no livro. Os que mais aprecio são o Grand Theatre e o Angel Passage, que realmente alteram de certa forma o nosso estado de consciência. Mas esse efeito tambem o consigo ter em alguns albuns do Michael Nyman, ou o This is the Sea dos Waterboys. Já agora e por ser para si, fica aqui o link para sacar algumas musicas que tambem tenho a certeza que vão alterar alguns estados de consciência, para o bem ou para o mal. E se conseguirem ouvir lá pelo meio um piano, eram os meus dedos a tocar nas teclas. Basicamente 
tambem eram uns rituais de invocação.http://www.duplamente.com/ignotodeo.html (Na seção Links o leitor poderá encontrar um para algumas das Recitações e Canções Mágicas de AM, para download em MP3- JC).

             CD The Highbury Workig, por Alan Moore e Tim Perkins/ CD by Alan Moore and Tim Perkins

-Ainda sobre este tema, o que achou do CD "Lisboa "do seu compatriota David Soares?

Mais uma experiencia alucinante do David Soares. Uma viagem por uma Lisboa sob os olhos do David, que obviamente teria de ser sombria e algo misteriosa. As musicas de fundo foram bem escolhidas e o David até tem jeito para rock star :)). Acho que falhou um pouco na parte tecnica da gravação. Acho que a mistura podia ter sido melhor executada. Eu sou do Porto, e creio que a cidade do Porto seria uma boa desculpa para o David tentar o seu segundo CD. A minha cidade é mais granítica e sombria e tem certos locais que de certeza 
inspirariam o David para um novo CD. Desde que o David não pare de escrever e fazer BD, venham mais CDs

É isto aí, amigo. Muito obrigado por nos ceder parte do seu precioso tempo.

Foi um prazer fazer esta entrevista.