\n'; document.write(barra); } } changePage();
| INTRODUCTION | ACKNOWLEDGEMENTS | INTERVIEWS | ARTICLES | GALLERIES | BIBLIOGRAPHY | LINKS | WANTS |
| INTRODUÇÃ0 | AGRADECIMENTOS | ENTREVISTAS | ARTIGOS | GALERIAS | BIBLIOGRAFIA | LINKS | PROCURAS |
Entrevistas / Interviews
Antes
de “Druuna” do italiano Serpieri, já tínhamos nossos “sonhos
adolescentes” embalados por
“Maria Erótica”. Antes do mangá-boom
e de “Lobo Solitário” já tínhamos as aventuras de samurais, pela saudosa
Editora Edrel – SP. Antes de ao menos saber do que se tratava o nome japonês
“ninja”, verdadeiro ícone do folclore nipônico hoje totalmente
“corrompido” por Hollywood, fomos
brindados com “Ninja, o Samurai Mágico”, nos idos de 1967, também pela
Edrel; E o que dizer do famoso “Clube de Quadrinhos Bico de Pena”, uma
“academia”, um nome mítico para os então “candidatos a quadrinistas”
que acompanhavam avidamente as “revistinhas da Grafipar”? Por trás de todos
esses inquestionáveis feitos, está um cara simples, discreto, bem “zen”,
para não negar a raça, Cláudio Seto, um dos mais importantes quadrinistas,
criadores e incentivadores das HQBs.
Nunca
me esqueço quando pedi pelo reembolso postal da Edrel e recebi uma
“graphic-novel” verdadeira, numa época em que Wil Eisner nem havia
cunhado ainda este
termo,
intitulada “Psicuy, Homens que Nascem Morrendo”, com desenhos de um
dinamismo, tomadas de cena e movimentação vertiginosa de mangá, mas contando
uma estória adulta, a la James Bond; O mesmo choque quando deparei-me com uma
revista em quadrinhos que não se enquadrava em nenhum gênero, super-herói,
terror, infantil, por englobá-los sinergisticamente a todos: a citada Ninja, O
Samurai Mágico.
Batizado
Chuji Seto Takeguma, Cláudio Seto
iniciou-se na profícua carreira pelo “Deptº de Desenho” da Votorantim,
Sorocaba-SP, em 1965.
Denunciando
seu espírito combativo e ao mesmo tempo cooperativista, que mais tarde o
caracterizaria frente aos amantes dos Quadrinhos tupiniquins, Seto foi candidato
a vereador, em Guaiçara-SP, em 69, onde chegou à presidência da Câmara.
Levando
as HQs como hobby, começou também a pintar em 1970, angariando vários prêmios,
inclusive internacionais (Iália, 1975, Concurso Internacionale Per Il
Manifesto Celebrativo), em óleo sobre tela no estilo neo-figurativista.
Participou
com destaque da “Mostra de Artes de Gegiká Shiran-Gakô, em Tóquio,
Japão.
Como
quadrinhista seus trabalhos abrilhantaram centenas de títulos, de forma
bastante eclética – desde “Garotas e Piadas” até a “Folha de São
Paulo”, passando pelo emblemático
Pasquim, Estórias Adultas, Humor Negro, Karatê 09 entre outras .
Publicou
vários livros e, no final dos anos 70, tornou-se o encarregado dos Quadrinhos
da Grafipar, fundando ali uma verdadeira “Casa das Idéias”, na Vila Maria,
em Curitiba, um forte movimento de combate aos enlatados americanos, que contou
em seus quadros – arregimentados pelo samurai – os veteranos Colin, Sérgio
Lima e o “samurai-mor” Shimamoto, e revelou talentos como Mozart Couto,
Watson Portela, Rodval Matias, Roberto Kussumoto, Franco de Rosa. Sebastão
Seabra, Maurício Veneza, Itamar Gonçalves, Bonini e tantos mais.
Hoje
com 60 anos, Seto ainda vive em Curitiba, Paraná, como um monge da seita Zenshi,
onde se dedica às artes e cultura, notadamente nipônicas, como o Bonsai,
Haiku, Tanka, Shodô, Kadô, Kendô e Kyudô, continuando ainda a pintar,
fotografar e escrever.
Portanto,
o Seto é um ídolo de longa-data e é um privilégio “bater o papo” abaixo
com ele, depois dele figura em minha “Lista de Procurados” desde o debut
deste site – e graças ao amigo Erik Lustosa, que me passou o e-mail da filha
do Seto, a gentil Mayumi, é que isto está sendo possível.
-Estimado
Seto, vamos “completar” a sua apresentação:
É uma história longa e complicada.
Nasci no Brasil e morei entre a infância e adolescência no Japão, durante 7,
quase 8 anos, por isso, é comum as pessoas (até meus parentes) pensarem que
nasci no Japão.
Fui
batizado de Cláudio para poder receber o diploma, quando me formei no curso
primário. Na época, na escola rural de Jundiaí, no bairro do Engordadouro, não
entregava diploma para pagão, então, meus
irmãos, eu, e mais meia dúzia de nisseis que estudavam lá, fomos devidamente
catequizados como faziam com índios na época colonial. Na verdade Cláudio é
o nome do meu irmão gêmeo que na época estava morando no Japão. Contam que
no tempo em que nascemos, existia um jogador de futebol do São Paulo F.C. com
esse nome. Portanto Cláudio é um nome cristão e inspirado em um nome de
jogador que até hoje não sabemos de quem se trata. Então eu, legalmente
registrado Chuji Seto Takeguma sou na verdade um falso Cláudio Seto. Já o
verdadeiro e registrado Cláudio Seto é o meu irmão gêmeo Cláudio Seto, que
tem o apelido de Chuji. A única diferença é que apesar de termos nascidos
juntos, ele é registrado com nacionalidade japonesa e eu como brasileiro. Pensávamos
que éramos o único caso existente de nome trocado entre irmãos, mas
recentemente fiquei sabendo que a atriz Suzana Vieira tem a história semelhante
a nossa. Suzana é o nome da irmã dela, que é desconhecida do grande público.
A
nossa é uma longa história que se contada em detalhes daria um livro. Mas
falando resumidamente, toda essa
confusão foi armada pela minha avó materna. Ela era uma pessoa do Período
Meiji (1868 a 1912), nascida no século XIX no Japão. O pensamento das pessoas
dessa e das épocas anteriores naquele País, a respeito de gêmeos, era o pior
possível. Para eles, os seres humanos tinham um filho de cada vez. Ter dois ou
mais filhos num mesmo parto, era coisa de bicho, de animal. Podia até acontecer
na classe baixíssima dos etá (parias), mas nunca de um samurai ou
descendente. Alias, essa era a condição divina e privilegiada do ser humano:
nascer um de cada vez. Tanto que no folclore ou literatura japonesa não existe
nenhum caso de gêmeos, se nascesse, matavam um e enterravam para ninguém ficar
sabendo.
Quando
minha mãe teve gêmeos, minha avó ficou apavorada.
Para ela, era a coisa mais vergonhosa do mundo. Um castigo Divino. Então
tratou de esconder o fato e só mostrava um quando as pessoas vinham visitar
minha mãe no pós-parto. Igualmente no cartório de Guaiçara só me
registraram. Meu irmão seria registrado mais tarde no Japão, para que ninguém
ficasse sabendo que éramos gêmeos. Por isso meu sobrenome é Takeguma (por
parte do pai) e o de meu irmão Seto (por parte da mãe). Assim, no segundo ano
de vida meu irmão foi levado ao Japão e ficou morando com a irmã da minha avó.
Quando
completei nove anos, fui para o Japão e meu irmão veio para o Brasil. E
durante toda nossa vida trocamos de lugar por várias vezes, inclusive na Edrel
e na Grafipar. Como somos gêmeos
idênticos pouca gente percebeu a troca, as únicas pessoas que ficavam
desconfiadas foram o Minami Keizi e o Faruk El Katib, ambos editores, que
costumavam comentar “o que você fez ? tá diferente...meio desligado”,
pensavam que eu tinha raspado a barba ou cortado o cabelo e ficava por isso.
Sempre achei por isso que os editores têm percepção mais
aguçada que outras pessoas. Como meu irmão também desenha nunca ouve
problemas. Mas o estilo é um pouco diferente, só perceptível para um
estudioso mais atento. Isso de certa forma lembra hoje, o caso dos irmãos
Caruzo, Paulo e Chico, ambos chargistas.
Casado?
Filhos – além da Mayumi? E no que vem trabalhando especificamente?
Casado
com Mitsue. Tenho três filhos: Noriyassu, Sayuri e Mayumi
e ainda mora conosco minha sobrinha Midori que é filha do meu irmão Cláudio.
Atualmente
sou mestre e representante oficial da Seita Zenchi, na América do Sul.
Meu trabalho consiste em fazer pregações, palestras, orações. Sou
artista plástico, pinto quadros de grandes dimensões, escrevo sobre cultura
japonesa para o jornal “Nippo-Brasil” de São Paulo e “Paraná Shimbun”
de Londrina, trabalho no jornal
“O Estado do Paraná” e também no jornal “Tribuna”, edito o “Planeta
Zen” e escrevo anualmente o almanaque astrológico “Garça da Sorte”, faço
pesquisa sobre imigração
japonesa no Paraná e está em fase final o segundo volume do livro Ayumi de 550
páginas. Faço estudos florestais de árvores nativas e desenvolvo técnicas
para fazer bonsai com árvores brasileiras. Diariamente cuido de bonsai, tenho
no momento 1158 e, é a arte que mais gosto. Também sou agitador cultural da
colônia japonesa de Curitiba, promovendo grandes eventos a cada dois meses.
-O
quê e quando iniciou seu interesse pelos Quadrinhos?
A
essência dos quadrinhos é a interação texto-imagem. Me marcou muito um haiku
(ou haicai se preferir) que meu avô desenhou quando eu tinha seis anos. Meu avô
era um budista fervoroso e rezava dia e noite, durante horas. Certa ocasião,
quando ele estava rezando no santuário que exista na fábrica de sake dele,
meus irmãos mais velhos (Yoshimitsu e Kuniomi) e eu,
resolvemos jogar bola no quarto do nosso avô. No primeiro chute a bola
de capotão (como era chamado), estourou o espelho enorme que existia na porta
do guarda-roupas. Nessa época todos os guarda-roupas tinham um espelho enorme
na porta. Daí fugimos e fomos dormir.
Na
manhã seguinte, quando o velho Seto foi nos buscar no quarto, pensamos que íamos
levar um castigo daqueles. Ele já
tinha recolhido os cacos do espelho e na porta do guarda roupas só havia uma
madeira branca que ficava atrás do espelho.
O
velho Seto nos fez sentar em posição seiza (lótus japonesa) diante do
guarda roupa e como castigo tivemos que ficar vendo ele pintar um haiku na
madeira onde antes existia espelho. Em tradução rápida o haicai dizia:
Espelho
quebrado
Vaidade
em cacos
Surge
o monte Fuji
O
velho Seto desenhou o monte Fuji no fundo, que é uma montanha sagrada do Japão,
um rio e um salgueiro. Os galhos do salgueiro pendentes tinham pequenas folhas
que iam caindo e dava continuidade transformando em ideogramas que eram os texto
do haicai. Essa interação texto-desenho-significado me impressionou muito e
durante muitos anos de minha vida, ficou na minha cabeça que arte é interação
desses três elementos: texto, desenho, significado. Achei um barato ao
descobrir nossa vaidade, pode estar ocultando o que há de mais sagrado em nós
seres humanos. Creio que aí está a origem de meu interesse pelos quadrinhos
durante uma certa época da minha vida.
-Pode
citar autores e obras que o influenciaram?
No
tempo que morava no Japão gostava demais de Tezuka Osamu, inclusive nos finais
de semana íamos (os aprendizes de monge) visitar o estúdio dele. No andar de
cima do estúdio tinha um dormitório
com beliches, onde moravam vários jovens que vinham de toda parte do Japão,
para aprender desenho com ele. Porém os dois seguidores da escola de Tezuka que
mais me influenciaram foram Mizuno Hideko e Shirato Sanpei. O mestre Sanpei era
muito atencioso, me deu vários livros de manga, inclusive quando eu tinha
voltado ao Brasil ele me enviou os novos mangas que estava publicando. Quando
ele montou a Akame Productions, me convidou para ir trabalhar com ele, não fui,
naquela época era muito caro ficar indo e vindo ao Japão. Cláudio trabalhou
um tempo como aprendiz no estúdio dele.
--Como
se deu o seu “debut” nos Quadrinhos? Foi na Edrel? Obteve um feedback
imediato, ou demorou um pouco?
Eu
morava em Sorocaba no inicio da década de 60 e era auxiliar de caminhoneiro e
na folga, pintor de porta de caminhão. Na época todos os caminhões tinham águias
ou paisagens pintado nas portas. Eu ficava nos postos de beira de estrada na
rodovia Raposo Tavares e enquanto os caminhoneiros almoçavam eu pintava portas.
Daí um cidadão do tipo descobridor de talentos, me levou para a Fabrica de
Tecidos Votorantin e arrumou emprego na seção de desenho de tecido e fotolito.
Influenciado por um amigo chamado Wilson de Campos que era desenhista da
Votorantin, enviei umas piadas já diagramadas em páginas inteiras para a
Editora Bentivegna que foram logo publicadas. Anos depois fiquei sabendo pelo
Minami Keizi que o Salvador Bentivegna publicava
porque eu mandava já fotolitado. Como na época os filmes de fotolito eram caríssimos,
ele publicava por questão de economia. Pouco tempo depois, mudei para Lins para
estudar e comecei a trabalhar no departamento de publicidade das Lojas Arapuá
que estava começando suas atividades. A Arapuá tinha um jornal de ofertas e
deram duas páginas semanais para mim. Uma de quadrinhos e outra de passatempos.
Esse jornal (Jornal do Lar)
era enviado para muitas pessoas cadastradas, então pedi para a secretária incluir o nome de todas editoras existentes na época . Não
eram muitas, a Abril, Outubro,
Bentivegna, Ebal, La Selva e a nova Pan Juvenil. Assim os jornais com meus
desenhos começaram a ser enviados para
as editoras. Um belo dia desse, estou dormindo no meu quartinho de estudante, e
um cara me tira da cama para convidar a trabalhar para uma editora que estava
abrindo. Era o Minami Keizi que
estava fundando a Edrel. Assim, quase sem saber desenhar virei profissional. Era
final da década de 60. De cara o Minami me deu a revista Humor Negro para eu
tocar. Saiu dois ou três números com material só meu, um lixo. Na época o
Minami estava se saindo bem com a revista Tupãzinho de autoria dele com
desenhos dele e do Fabiano Dias.
Chegou a receber proposta da Editora Abril para que a revista fosse publicada
por eles. Então não aceitou e resolveu que atacaria o gênero infantil e me
pediu uma revista. Fiz o personagem Flavo no estilo manga para a revista Ídolo
Juvenil. Um misto de ficção e contos de fadas. Isso
porque as revistas Contos de Fadas e Varinha Mágica haviam feito grande sucesso
na Editora Outubro anos antes. Tanto a Humor Negro como a Ídolo Juvenil eram
revistas que já haviam saído alguns números e como estavam fracas de vendas o
Minami havia passado para mim. Como se dizia na época: “Fudido, fudido e
meio”. Reclamei numa reunião com o Minami que revista em fim de carreira não
havia santo que conseguisse ressuscitar. Então ele sugeriu que eu fizesse
projetos para novas revistas. Propus uma revista de ninja e outra de samurai.
Ele gostou da idéia e marcou lançamento em
30 dias. Sorte minha que meu irmão tinha voltado do Japão e desenhou o
“Ninja. O samurai mágico”, para mim . Como tinha trabalhado de auxiliar no
estúdio de Shirato Sampei, desenhava melhor do que eu. Eu desenhei “O
Samurai”. Minami gostou demais do Ninja, era da linha infantil que ele
idealizava na época, a exemplo de Tupãzinho. O Samurai N0 1 que fiz
além do desenho e texto horríveis, o tema era incesto, uma revista para
adultos. Naqueles anos de repressão e código de ética, decididamente não era
uma revista aconselhável a ser lançado. Creio que só saiu porque a Editora
precisava um xis número de revistas para
capital de giro da empresa. Ironicamente a revista para adultos, gênero de
quadrinhos ainda inexistente na época, acabou agradando e ninja não durou mais
que três números. A de se considerar que na época ninguém sabia o que era um
ninja ou um samurai. O Samurai durou vários números, e meu irmão desenhou
muitas delas. A revista só acabou porque o Minami inventou de fazer uma revista
chamada Estórias Adultas com mais de 100 páginas, e colocou nessa revista as
histórias de samurai.
-Ainda
mantém contato com os veteranos da Edrel?
Depois
que a Edrel acabou não tive mais contato com o pessoal porque mudei para
Curitiba. Somente com o Fernando Ikoma
que mora aqui e é artista plástico. As vezes participamos juntos de mostras
coletivas de pinturas. Minami escreve para o Jornal Nippo-Brasil de São Paulo,
onde também tenho uma coluna, mas não tenho contato com ele.
-E
da nossa saudosa Grafipar, na qual também tive a honra de publicar alguma
coisa, depois de pentelhar por meses com minhas cartas ao “Bico de Pena” –
e até ao “vaca Amarela”, o tablóide correlato, lembra-se?
Francamente
falando eu não lembro de muitas coisas, porque quadrinhos faz parte de um
passado remoto e não é uma fase muito importante na minha vida. Como artista
plástico, escritor e depois paisagista
e espiritualista, aprendi muito mais coisas e tive muito mais satisfação que
minha fase de quadrinhista. Eu me lembro bem de você e do Baldisseri de Araxá
porque eram os caras que escreviam carta quase que diariamente. Assim como o Cedraz
da Bahia no tempo da Edrel. Uns fanáticos por
quadrinhos. Eu nunca fui fanático por quadrinhos. Não sei nomes da maioria de
autores ou personagens, sempre encarei a coisa profissionalmente. Como outro
trabalho qualquer. Tipo ganha pão de cada dia. Por isso nunca tive desejo de
publicar na Hevy Metal, por exemplo, pelo fato de ter sido a melhor revista de
quadrinhos do mundo na época. Minha visão sempre foi o de fazer quadrinhos
desde que tenha xis paginas por mês, que me dê xis em dinheiro para que possa
viver. Fazer um trabalho esporádico
não me interessa. Não sou
um curtidor de quadrinhos. Só me interessa compromisso profissional. Por isso
no tempo que era editor procurava criar condições para que o pessoal pudesse
viver de quadrinhos, não como bico. Vaca Amarela se não me engano era editada
pelo Franco de Rosa e havia também outro jornal
o Batata Quente que o Carlos Magno editava. Bons tempos a Grafipar, mas se fosse
hoje faria tudo diferente.
-Sabe
do “paradeiro” dos quadrinhistas Nelson Padrela, Vilachã, Sebastião
Seabra, Mauricio Veneza, Gustavo Machado, Bonini, Kussumoto, Eros?
Padrela
mora em Curitiba vira e mexe aparece coluna dele em jornal local. Vilachã nunca
mais vi ou ouvi falar dele. Seabra
fiquei sabendo que mudou de nome para Sebastião Zéfiro. Maurício Veneza também
nunca mais soube dele. Gustavo Machado parece que mora em Londrina e trabalha
com animação. Bonini sumiu do mapa. Kussumoto está no Japão, de vez em
quando ele aparece nos jornais de lá, fazendo exposição. Eros está criando
minhocas em Morretes-PR.
-Quais
dos seus trabalhos você julga mais importantes e porque?
O
livro Ayumi de 450 páginas na primeira edição. É uma pesquisa documentada de
10 anos de trabalho. Fala sobre a imigração japonesa no Paraná e editada
pela Imprensa Oficial. Tenho também alguns bonsai que gosto muito.
-Voce
publicou no Exterior? O quê, quando e onde?
Não.
Me falaram anos atrás que viram um álbum da Maria Erótica na Bélgica
e na França. Quem vendeu meus trabalhos não sei, eu que não fui.
-Foi através do Artecomix , outro
agente, ou direto com as editoras?
Se
alguém publicou eu nunca cheguei a
ver. Sei que as editoras de São Paulo muitas vezes publicaram minhas h
\n';
document.write(barra);
}
}
changePage();
-Aqui
no Brasil, o pessoal paga direito?
Dizem que pagam, mas não pagam.
-Sobre
o atual estágio dos Comics no mundo, qual o futuro que voce antevê para a Nona
Arte?
Faz
anos que não acompanho o que anda acontecendo, portanto, não tenho condição
para opinar.
-O
quê voce acha que pode explicar o atraso brasileiro em relação, não digo aos
EUA, mas à Europa, por exemplo, no que concerne a álbuns de qualidade (salvo
raras exceções, é claro, como os de Mutarelli, Mestre Shima, Mozart Couto e
uns poucos outros abnegados)?
Quem
dita as regras é o mercado. Com meia dúzia de compradores de álbuns, jamais
haverá qualidade, é uma questão financeira e cultural. Pessoalmente sou
contra álbuns de luxo. Acho que o bom dos quadrinhos é a comunicação de
massa. Grande tiragem, qualidade pouco importa. É como num campo de futebol, o
que interessa são as
arquibancadas lotadas. Muita vibração. Se meia dúzias de milionários
comprassem todas entradas do jogo e fechassem o campo só para eles, os
jogadores perderiam a tesão da disputa. Nos quadrinhos brasileiros muitas vezes
acontecem isso, tem artista que só sonha em jogar para a elite. Se a intenção
é produzir para agradar a elite é melhor partir para artes plásticas.
-O
quê, ao seu ver, poderia ser feito para mudar para melhor este quadro?
É
só o brasileiro começar a ganhar bem que tudo se resolve.
-Mas
falemos agora do teu reconhecido trabalho. Como você se interessou por desenho?
Meu
irmão gostava de desenhar e fui influenciado por ele. Coisa de adolescente.
-Frequentou
alguma escola ou é autodidata? Quais suas maiores influências?
Fiz
Faculdade de Filosofia e depois Faculdade de Desenho e Plástica, mas já era
profissional de publicidade e quadrinhos na época. Eu comecei desenhando manga,
toda minha infância e adolescência desenhei no estilo manga. Quando
comecei a publicar profissionalmente, fiz um esforço danado, copiando traços
ocidental para me livrar desse estigma do manga, porque me aconselhavam a
desenhar como os americanos e depois como os europeus. Agora parece que tudo está
invertido, o ocidente está copiando o mangá. Recentemente encontrei um sujeito
que gosta de desenhar e mandava cartas e desenhos para Edrel no início dos anos
70. Ele me disse entusiasmado. – Você é um gênio, ha 30 anos atrás já
desenhava no estilo manga , eu não gostava do seu tipo de desenho. Não
entendia porque a Edrel publicava seus desenhos e não os meus que era calcado
na melhor escola de quadrinhos: a de Hal Foster. Hoje reconheço que você
estava trinta anos na nossa frente!
Veja
o que é a obra do acaso. Eu desenhava no estilo manga, porque minha cultura e
formação em quadrinhos era mais o mangá. Na época da Edrel
existiam vários desenhistas colaboradores e 3 estúdios de quadrinhos
que garantiam o fornecimento das páginas necessárias para preencher as
revistas existentes na editora. O estúdio de Paulo Fukue, de Fernando Ikoma
e meu. Dos três a que menos produzia e tinha o pior material era o meu.
Atualmente por causa dessa febre de mangá, sou mais lembrado que o Ikoma e Fukue.
--Como reconhecido pelo Prof. Valdomiro
Vergueiro, você também foi vitima de alguma espécie de preconceito por se
dedicar ao estudo das HQs?
Desculpe
minha ignorância, não sei quem é esse professor. Não nunca tive esse tipo de
problema. Minha família sempre assinava várias revistas de manga e eu comprava
muitos gibis também.
Eu era o moleque que mais tinha gibi na cidade de Guaiçara. Acho que tudo é
uma questão cultural. No Brasil, com exceção do recente Maurício de Souza, não
temos nenhum exemplo de pessoa que tornou-se personalidade nacional por fazer ou
gostar de quadrinhos. Então acho que não se trata de preconceito, mas de
desconfiança do desconhecido, pois
pais e mestres não tem onde se espelhar para fazer um julgamento. Lembro que no
início da década de 70, na minha fase Edrel, meu irmão começou a freqüentar
o Manga-kai (associação dos desenhistas e argumentistas de
manga) de Tóquio e ele me escreveu que existia mais de dois mil
associados. Nosso universo de quadrinhos brasileiros ainda hoje é uma titica de
galinha, tanto que todo mundo conhece todo mundo. É meia dúzia de gato pingado
correndo em círculo vicioso, dizendo as mesmas coisas, repetindo as mesmas
ladainhas, por anos e anos, sem perceber que esse círculo está se fechando
cada vez mais. Na década de 50, 60 e até 70, as prateleiras de quadrinhos
abrangiam 50% de espaço das
revistas expostas nas bancas. Hoje não chega a 5%, em algumas bancas já nem
existem mais gibis.
--Eu
residi por um ano em Hong Kong a me espantava, realmente, como as pessoas
- até jovens yuppies de terno-a-gravata – liam quadrinhos normalmente
nas praças, no metro etc. Como você justificaria o real preconceito contra o gênero
no Brasil?
No
Japão é a mesma coisa, as pessoas lêem quadrinhos em qualquer lugar. Não
creio que seja preconceito é uma questão cultural, de formação, de hábito.
Aqui ninguém lê nada, nem livros, nem jornais, nem filmes legendados. E
principalmente o brasileiro não tem dinheiro para comprar gibi. Somos o País
do Gibi Zero. Eu acho isso ótimo,
num país tropical é melhor ficar tomando cerveja que
comprando esse lixo cultural chamado comix.
-A
influência do dinâmico mangá, é notória, não? Me parece que seu avô lhe
legou alguns daqueles calhamaços japoneses cujas tiragens ultrapassam
o 1 milhão mensal, não foi?
A
dinâmica do mangá também é uma questão cultural. Como o japonês fala pouco
tem que contar a história através de gestos e ações. O mangá tem tudo para
dar certo no Brasil. O brasileiro tem preguiça de ler então vai olhando as
imagens. Vantagem é que enquanto fala ao telefone pode ir lendo visualmente a
história. No mangá os personagens aparecem vivem a história e depois desaparecem. Isso dá oportunidade para novos heróis
surgirem e para novos artistas entrarem no mercado. Nesse aspecto é como as
nossas telenovelas. Já os super-herois parecem eternos, por isso um em cada 10
anos que consegue espaço no mercado.Também como as telenovelas brasileiras os
mangas são em vários capítulos. Isso permite criar mais tramas no roteiro e
desenvolver a personalidade de cada personagem.
--Uma curiosidade: desde meu primeiro contato com os mangás, me espantei
também com a exploração, mesmo naqueles destinado ao publico infantil,
de temas ate´ hoje “tabus” em quadrinhos tupiniquins – e mesmo no
Ocidente – como incesto, iniciação sexual a escatologia explicita (ainda
hoje tenho um daqueles calhamaços japoneses com uma HQ que mostra crianças se
enfrentando com fezes, aparecendo os órgãos genitais,etc. Naquela época pelo
menos, vilões nunca morriam nem nas HQs, nem nos desenhos animados ocidentais
– quem poderia imaginar o Tio Patinha fuzilando um dos Irmãos Metralha ? . Já
desenhos japoneses – os animes – Ultra-Man cortava o monstro inimigo ao
meio, com um golpe de karate. Como
mangaká e de origem nipônica, como você explica este fato?
-Seu
espanto deve ser fruto da longa repressora e castrante educação cristã. Se
você lê quadrinhos ou literatura japonesa com pensamento aprisionado nos
moldes rígidos da falsa moral ocidental, certamente vai ficar chocado. Agora se
você partir para uma leitura com a mente livre de pré-conceitos moralistas,
verá que é uma coisa natural e realista. Vale dizer que hoje o super-heroi nipônico
corta o inimigo ao meio com golpe de karatê, porque seus antepassados faziam
isso freqüentemente com a espada. Se você ler uma história de samurai, é
comum o personagem fazer picadinho do adversário. As histórias são contadas
como realmente aconteciam na época. Já os quadrinhos americanos ou brasileiros
nunca mostraram os branco chicoteando os negros, currando as negrinhas, e
submetendo-os a toda sorte de tortura e humilhação. Em nome da moral e dos
bons costumes varre para baixo do tapete a cruel realidade. Alguns psicólogos
dizem que a leitura de quadrinhos serve de válvula de escape. Lendo uma história
chocante, violenta e cruel, a pessoa pode sublimar sua agressividade. Talvez
isso explique a baixíssima taxa de criminalidade no Japão, já que esse é um
pais onde as tiragem dos gibis semanais chegam a milhões de exemplares. E no
Brasil quem sabe a taxa de criminalidade seja a maior do mundo porque aqui ninguém
lê gibi. Aliás dentro desse raciocínio, o presidente Lula devia publicar montão
de gibi brasileiro e distribuir para o povo. Resolvia-se o problema da
criminalidade e os quadrinhistas nacionais estariam inclusos no projeto
fome-zero.
Agora
essa da guerra de fezes é muito boa, melhor e mais barato que os pastelões do
gordo e magro. No tempo da Edrel cheguei a escrever e desenhar
uma história onde havia merda o tempo todo. Nunca foi publicado.
Em poucas palavras era a história de um professor normalista que recebeu
uma cadeira para lecionar numa ilha no cafundéu do rio Amazonas. O alimento
principal dos ilhéus era um cogumelo que nascia da merda humana. Como o
cogumelo era importante para a sobrevivência deles, a merda que o fornecia
alimento era uma espécie de deus. Então o Deus-Merda era adorado por todos.
Ninguém se atrevia a pisar na merda, pois estaria cometendo um santo sacrilégio.
A nova escola que o professor ganhou em pouco tempo ficou com o assoalho forrado
de merda, portanto impossível de dar aulas. Assim quase toda ilha estava
forrado de merda e o povo tinha muito alimento porém, pouco espaço para lazer
ou trabalho. Assim por diante a historia vai se desenvolvendo até o professor
morrer atolado na merda, gritando “ ser professor no Brasil é uma merda”.
Essa história bolei quando eu dava aula de Mobral, no Hospital Clemente
Ferreira que ficava entre Lins e Guaiçara. Era um hospital de tuberculosos e
havia muito comércio de escarros lá dentro.
Já
essa questão de mostrar órgão genital nos desenhos japoneses é encarado com
certa naturalidade. No Japão ainda existem termas com banheiros mistos. No começo
do séculos vinte, quando a imigração japonesa chegou no Brasil, os
colonos nipônicos voltavam da roça e iam todos pelados, homens,
mulheres e crianças tomar banho no rio. Foi maior escândalo causado no Brasil.
Jornais de 1908 até 1912 falam muito disso. Chamando os imigrantes japoneses de
promíscuos. Igualmente quando havia luta de sumô na colônia japonesa, muitas
pessoas ficavam escandalizadas vendo a bunda
de fora, dos lutadores de sumô.
-Será
que a repressão sexual, o tradicionalismo chauvinista a ate´ mesmo a “atração
pela morte”, como uma “saída redentora” – é notório o fato de até
mesmo crianças se suicidarem no Japão, por terem saído-se mal em exames
escolares – poderia explicar esse fenômeno cultural?
Não seria contraditória eles serem um povo tão pudico, não afeito a
expressar emoções, e explorarem o contrario em suas formas de entretenimento?
Não
creio que os japoneses sofram de repressão sexual, pelo que vivi e conheço, o
assunto sexo sempre foi dito abertamente e naturalmente em conversas familiares.
Aqui no Brasil sexo é conversa de rua e boteco.
A
meu ver não se trata de atração pela morte, mas sim fanatismo pela preservação
da honra. Então muitas e muitas vezes a honra sobrepõe a vida e morte. No caso
de suicídio de estudantes é a mesma coisa, a honra japonesa é algo muito
pesado a ser carregado.
A
expressão da emoção é uma linguagem cultural. Existe o modo refinado de se
expressar e o modo vulgar de se fazer a mesma coisa. Quando se tem uma cultura
milenar, aprende-se a expressar através da essência.
-E
o “fenômeno-Ninja”, tão em voga no Ocidente, ate´contemporaneamente, como
você observa a exploração desse verdadeiro mito folclórico no próprio
pais-do-sol-nascente? Seriam os “ninjas” para eles, algo como os nossos
“cangaceiros”?
-De
lá para cá, tanto você como eu aprendemos bastante sobre a cultura japonesa.
-Não
tem nada a ver Jorge Amado com Yoshikawa. A única coisa que fez sucesso do
Yoshikawa foi Musashi, e nem precisava ser ele o escritor, Musashi já era um
personagem de sucesso antes de Yoshikawa nascer. No Japão existem milhares de
livros, folhetins, gravuras, crônicas, peças de teatro, marionetes e canções
sobre Musashi. Assim como os 47 samurais, pouco tempo depois dos acontecimentos
reais, Musashi tornou-se legendário. Atualmente existem vários filmes e
seriados de tevê, sobre esse personagem real. Mesmo aqui no Brasil pudemos
assistir recentemente o seriado de Musashi pela NHK tevê. No Japão existe
muitos pesquisadores que se dedicam a estudar a vida de Musashi, como também
existem muitos pontos turísticos, dos lugares em que ele travou duelos, museus
com suas peças de arte e até a caverna em que ele se isolou para escrever O
Livro dos Cinco Elos. (publicado pela Ediouro como "O
Livro dos 5 Anéis"1984-JCN)
-
Você acredita nos feitos quase
“mi (s) ticos” do “ninjutsu”? Tem livros ou algum documento histórico
sobre o tema? Já leu “Ninja” de Eric van Lustbader?
-Não,
não conheço o livro desse Eric, nem tenho curiosidade. Tudo que foi escrito
sobre a cultura japonesa pós Segunda Guerra Mundial é lamentável. No final da
década de 40 e início de 50, meu avô lia para meus irmãos e eu, um livro
sobre ninjitsu, de aproximadamente 500 páginas, que ele trouxe do Japão no início
da década de 30. O livro era envolvente e passava clima de pura magia. Havia
algumas ilustrações que ajudava a formar imagens refinadas e elegantes dos
acontecimentos na história. O personagem principal se chamava Jiraya. Quarenta
anos depois, vi na tevê um seriado com nome desse personagem. Que decepção.
Que merda que ficou, adaptaram o ninja e mais parecia super herói. A leitura
moderna que fazem do ninjitsu, leva até mesmo sem querer, para uma visão
comercialmente aceitável, tirando de certo modo a carga mítica original.
Existem muitos documentos históricos, não traduzíveis por questão de bom
senso no Japão. Tradições familiares, seitas acéticas (Suguendô, Shingon
sectário, Jinja Shintô, Zenchi) que trazem ainda hoje os ensinamentos dos
tempos do período Sengoku, quando floresceu a classe dos ninjas. A iniciação
ninja é uma iniciação religiosa, austera, e possível somente com completo
desapego. Uma verdadeira escola de kamikaze,
-Não
me culpe por essa desgraçada magia que o ninjitsu fez na sua cabeça. Quem
escreveu e desenhou a história foi meu irmão Cláudio. Transmitirei a ele sua
consideração.
-Sim
cultivo bonsai que são árvores em bandeja. Mas como meus bonsais são de
jaboticaba, pitanga, jatobá, aroeira, primavera, jaca, pau-brasil, café,
guabiroba, ipê, angico, cabreuva,
cabuí, canela do brejo, figueira, goiaba, guauvira, jequitibá, tamarindeiro,
pau ferro, uvaia, etc, minha casa não tem tatami, nem esteira de palhinha, nem
salão de chá, nem portas deslizante de bambu e papel de seda. Tenho uma velha
espada que pertenceu aos meus antepassados e que usava para treinar kendô
quando era jovem.
-Mascara
de Samurai, não sabia que tem esse nome sofisticado de graphic-novel, quanta
frescura! Essa história foi publicada na Edrel, depois meti sexo dentro e
publiquei na Grafipar. Os originais joguei fora, talvez se der uma vasculha na
bagunça ainda haja alguma página.
É
a mesma coisa, agradou americano, agrada brasileiros. Os desenhos dos quadrinhos
de Musashi são muito bonitos. Só não me agrada o nome, por que “Vagabond”?
Não tem nada a ver. Devia chamar-se Musashi.
Sabe
que desde o tempo em que eu produzia a revista O Samurai, nos anos 70, tinha
vontade de desenhar a história de Musashi. Cheguei
a começar várias vezes, mas nunca dei continuidade porque a história dele é
muito
comprida e não cabia num só gibi. Se eu soubesse que ia fazer tanto sucesso 30
anos depois, teria feito mesmo com muito sacrifício. Cheguei a fazer um estudo
minucioso sobre o ponto de vista do horóscopo oriental, já durante toda sua
vida ele, Musashi, mostrou-se tentando
dominar os cinco elementos da natureza. Tanto que sua obra final é Gorin no
Sho (O Livro dos Cinco Elos). Sobre esse ângulo é interessante o duelo com
Sasaki Kojirô, que como ele, era do signo de Macaco. Musashi era do elemento
Madeira e Kojiro do elemento Água. Como Kojirô era melhor espadachim que ele,
sua estratégia foi a de privar seu adversário do uso da força dos elementos.
Por isso chegou de barco ao duelo, e não permitiu que Kojiro corresse para a água
(seu elemento). Kojirô era mestre do Fussui (Feng Shui, em chinês), ou
seja Vento e Água, ele treinava seu estilo deixando a ponta da espada dentro da
água do rio e cortando andorinhas em pleno vôo (elemento vento). Uma vez que
Musashi desembarcou do mar isolando-o da água, e com cabelos amarrados de modo
estranho, que dava impressão errada da direção do vento, de certa maneira
desnorteou Kojirô, o melhor espadachim da época no Japão. Eliminado esses
dois elementos, Musashi desembarcou a tarde, deixando o sol (elemento fogo) a
suas costas. E venceu a luta porque usou o remo como espada. O remo é do
elemento Madeira que é do seu signo de nascimento. Enfim, dos cinco elementos só
restou o metal (espada) para Kojiro. Também todos seus duelos tiveram horário
e data que favoreciam seu signo (Macaco) em
detrimento de seus adversários. Esse tipo de raciocínio, passa quase sempre
desapercebido quando no Ocidente traduzem as histórias japonesas.
Não
pretendi nada. Só desenhei porque naquela época estava na moda esse negócio
de agente secreto, com o sucesso de James Bond no cinema.
É
uma história real, nada mais.
A
história é real e as datas é de quando acontecem os fatos. Jornais da época
deram repercussão aos acontecimentos.
Essa
pergunta deve ser feita para o Mozart Couto, eu
desenho com muita dificuldade, um verdadeiro parto cada história.
Não
entendo dessas coisas, nem sei o que é Image.
Só sei que Druna é a mais gostosa das personagens femininas que já
apareceu.
Sei
lá, acho que o melhor modo de desenhar é não ficar pensando em como desenhar.
Serpieri
não me interessa, mas a Druuna realmente é inigualável.
Desculpe
minha ignorância, não sei quem é Alan Moore.
Magia
é arte.
Tenho
pintado bem menos do que pintava a 11 anos atrás. Perco muito tempo fazendo
bonsai.
Tenho
viajado entre o figurativo e o abstrato informal. Jamais pintai para mim.
Tenho
perdido muito tempo com o computador Mack.
Já ganhei lesão por esforços repetitivos graças ao mouser. Mas acho
que é mais rápido desenhar e pintar a mão livre. Não conheço muitos sobre
programas, apenas a que uso intuitivamente.
--E
este lance de sua Arte em 3D, outro assunto que sempre me fascinou (desde os
anaglifos, do holandês Ducos du Hauron, até a estereoscopia e os hologramas de
hoje).Alguma forma de me enviar "uma amostra"?
Não
entendo de hologramas, nem sei o que é anaglifos, ou estereoscopia, nem quem é Duco du Hauron. As pinturas que
fazia a 15 anos atrás, eram intuitivas baseadas nos ensinamentos do mestre zen
Takuan. Depois descobriram mais tarde que eram iguais as chamadas 3D. Na verdade
quem revelou os efeitos foi as reportagens de teve. Eles filmaram meus quadros
fora de foco e foram focando aos poucos. Quem estava assistindo teve nesse
momento, a medida que o quadro ia sendo focado, perceberam que eram em 3D.
Ficaram maravilhadas, daí muita gente telefonou para a teve, pedindo informações
sobre a exposição que foi um sucesso no puro acaso.
-Dos
artistas nacionais, quais os que você mais aprecia e porquê? E dos gringos?
Acho
que o Mozart é o melhor. Dos gringos Shirato Sampei.
-Sobre
os fanzines, onde , parece, quase todos nós brasileiros começamos você acha
que eles ainda têm espaço neste novo mundo de Internet?
Acho
fanzine uma punheta. Tudo bem enquanto adolescente. Acho que os desenhistas
nacionais precisam raciocinar como profissionais. Já vi pessoa se orgulhar
porque seu fanzine está com mais de 7, 8 ou 10 anos de edição. É como um
jogador de futebol comemorar 10 anos de amadorismo, depois de tentar ser
profissional por esse período.
-Continua
lendo Quadrinhos? Pensa em “voltar”?
Dificilmente
leio quadrinhos, aliás nunca fui de ficar lendo as histórias. O que eu faço
é dar umas olhadinhas nos desenhos. Não
perdi a mania de comprar revistas, porém dificilmente as leio. Só vejo. De vez
em quando me dá vontade de desenhar quadrinhos, mas fica só na vontade. Falta
coragem, não tenho vontade de bancar o super herói.
Há alguma pergunta que não fiz e que
você, por julgar que teria algo interessante a dizer, gostaria de ter
respondido?
Não
tenho muito a dizer. A não ser sobre a seita Zenchi. Mas isso ocuparia muito
tempo e espaço.
-E,
finalizando, o que achou do nosso modesto site e o que recomenda para aperfeiçoa-lo?
Prometo
que quando tiver um tempo vou dar uma olhada minuciosa no seu site. No momento só
posso dizer que você não bate muito bem da cabeça. As coisas que você faz e
diz, não é de uma pessoa normal.
Acho que estou dando entrevista para um cara pirado.
-Obrigado pelo elogio.