\n'; document.write(barra); } } changePage();
| INTRODUCTION | ACKNOWLEDGEMENTS | INTERVIEWS | ARTICLES | GALLERIES | BIBLIOGRAPHY | LINKS | WANTS |
| INTRODUÇÃ0 | AGRADECIMENTOS | ENTREVISTAS | ARTIGOS | GALERIAS | BIBLIOGRAFIA | LINKS | PROCURAS |
Entrevistas / Interviews
PENSADOR
RADICAL E CIENTISTA RUPERT SHELDRAKE
(conduzida originalmente em inglês e traduzida livremente por José Carlos Neves)
(click to read ENGLISH ORIGINAL VERSION)
Especificamente
poderíamos polarizar todas essas “escolas” num par antagônico: a
“mecanicista” – também denominada neo-Darwiniana – a qual considera os
sistemas biológicos máquinas complexas cujas diferentes partes funcionam
sinergisticamente; e a “vitalista”, que
concebe esses sistemas como se “impregnados” de alguma forma de “energia
vital” a qual explicaria holisticamente os organismos e o que se passa em seu
interior – ou, pelo menos, suplementaria as “deficiências” do modelo mecânico.
Um dos principais expoentes desta última é justamente o Dr. Rupert Sheldrake, um dos chamados “pensadores radicais”, cuja mundialmente aclamada “Teoria dos Campos Morfogenéticos” praticamente deixou para trás os meios acadêmicos para se imiscuir com força em todos os campos do conhecimento, seja ele erudito ou da cultura “pop”.
morfológica, ou seja, para o surgimento das formas no mundo orgânico e inorgânico.
De imediato, o livro suscitou violentas discussões em publicações científicas e nos grandes jornais. Subitamente, Sheldrake viu-se no centro de uma disputa, a qual se alastrou para além dos meios científicos e acabou por ser levada para os meios de comunicação
de massa, inclusive os Quadrinhos - sendo os mais notáveis "Animal Man"
e o próprio "Monstro do Pântano", de Alan Moore.
Por um lado, havia o "establishment" científico, o qual queria queimar o livro de Sheldrake - ao menos simbolicamente -, uma vez que não se podia ignorá-lo e, por outro, aqueles que viam no autor um cientista a ser visto com seriedade, inclusive até mesmo por ser um descobridor visionário.
Naquele tempo, Arthur Koestler classificou as teorias de Sheldrake como "incrivelmente estimulantes e desafiadoras".
Para
aprender um pouco mais com este grande sábio contemporâneo – principalmente
nós, ávidos leitores brasileiros – “convoquei” o Dr. Sheldrake para
“arranjar uma brecha em sua apertada agenda” e nos responder o questionário
que se segue. E, provando que a fama e os píncaros que o seu conhecimento já
atingiu, não o impedem de compartilha-lo com os “meros mortais”, ele
prontamente nos atendeu.
Conosco,
Dr. Rupert Sheldrake.
JCN:
O que o atraiu à Ciência? Quais suas lembranças primevas a respeito?
RS:
Desde criança que eu me interesso por animais e plantas. Tanto que mantinha
diversos bichos de estimação além dos costumeiros, como o cachorrinho da família.
Aos 5 eu já me fascinava com os pombos-correio e sua indefectível capacidade
de “sempre retornar à casa”. Também criava plantas diversas, no que sempre
era encorajado pelo meu pai, um farmacêutico e herbalista. Ele mantinha um
laboratório com microscópio bem ao lado do meu quarto e me familiarizou com
muitos aspectos da vida escrutinada
tão de perto, o que só amplificou
o meu interesse. Desde então eu sabia que seria um Biólogo
-Porquê,
especificamente, as “ciências não tão ortodoxas”, se o sr. consegue
me entender? Quais foram suas influências?
Quando
eu tinha 17, no interregno entre o ginásio e a universidade (Cambridge), eu
trabalhei temporariamente como um técnico de laboratório para uma companhia
farmacêutica de Londres. Pretendia adquirir experiência científica e
trabalhar com animais. No entanto, acabou que, sendo ali um laboratório de
dissecação, eu, o novato da turma, fui submetido à maior carga do “trabalho
duro”: assassinar centenas de ratinhos, porquinhos-da-índia e outras cobaias,
preparar gatos para dissecação, etc. Tudo aquilo suscitou sério conflito em
mim pois eu estava interessado em Biologia justamente porque gostava de animais.
E comecei a constatar que havia algo seriamente errado com a concepção científica
mecanicista, a qual com absurda freqüência envolve matar animais para estudá-los,
ao invés
de justamente estudar o fenômeno que é a vida per si.
Quando
estava para me formar em Cambridge, fui apresentado à poesia do alemão Goethe,
a qual me inspirou a buscar a ciência numa forma holística. Comecei a perceber
o quão limitado era a visão mecanicista. Após minha graduação, estudei
Filosofia em Harvard, ampliando ainda mais a minha perspectiva. E concluí que
as revoluções científicas envolvem rompimentos paradigmáticos e a teoria
mecanicista não passava de um paradigma
de um modelo da realidade que poderia ser alterado, ao invés de ser mantido
como um aspecto necessário da própria ciência.
Quando
retornei à Cambridge para o meu Ph.D. em Biologia Desenvolvimental (BD),
comprovei existir sim diversos problemas que não podem ser solucionados por uma
concepção mecanicista. Comecei a me interessar pelos campos morfogenéticos,
campos que “moldam as formas”. É uma idéia já bastante conhecida em B.D.,
inicialmente proposta nos anos 20. Ninguém sabe o que são estes campos. Me
tornei convicto de serem eles uma nova espécie de campo para além dos
conhecidos pela Física. E ainda, de que eles detêm uma espécie de memória,
uma vez que se mostram capazes de desenvolvimento.
Isto
me levou á hipótese dos campos mórficos e ressonância mórfica, através dos
quais, influências pretéritas afetariam acontecimentos presentes, na base da
similaridade. Esta hipótese leva à idéia de que cada espécie possui um tipo
de memória coletiva, alimentada e compartilhada por cada um dos seus
componentes simultaneamente.
-Poderia,
por gentileza, resumir-nos aos pontos básicos, essa sua aclamada teoria?
Esta
hipótese faz diversas previsões sobre a organização dos seres vivos e do próprio
universo. Em termos gerais, ela propõe que as chamadas leis naturais não são
de fato, leis inexoráveis estabelecidas no momento do big-bang microcósmico
por um código napoleônico. Ao invés,
elas são “hábitos” que se desenvolveram junto com o próprio universo.
Esta
não é, de fato, uma teoria
vitalista, uma vez que eles admitem
influências causais ocorrendo nos organismos vivos enquanto o resto da natureza
funciona mecanicisticamente.
Minha hipótese atua não somente em organismos vivos, mas também em moléculas
e cristais. Penso que ambos portam alguma espécie de memória. E isto gera
conseqüências verificáveis. Por exemplo: em Química,
se um novo tipo de cristal é formado, não existirá uma campo morfogenético
já pronto para ele. Mas quanto mais ele é cristalizado, mais fácil o processo
se encaminha, se desenvolve, através justamente da ressonância mórfica de
seus precedentes congêneres.
A
substância
se cristalizará mais facilmente no mundo inteiro. Na verdade este é um fenômeno
bastante conhecido, em que pese os químicos usualmente alegarem que ele ocorre
devido a fragmentos microscópicos dos cristais serem carreados de laboratório
em laboratório nas barbas dos cientistas
migrantes! Ou que estes mesmos fragmentos são levados pelo ar na forma de invisíveis
partículas de poeira. Não concordo obviamente.
-A
TCM realmente “explica” holisticamente o organismo e o que se passa em seu
interior?
Os
campos mórficos explanam como os organismos vivos estão integrados e como as
suas diferentes partes trabalham juntas. Naturalmente
ela não nega a influência de campos eletromagnéticos e da química,
justamente por inclui-las e aos conhecidos aspectos da Física em sua moldura
mais abrangente.
Sob
este foco, a herança não é exclusivamente genética. Os genes permitem aos
organismos produzirem determinadas proteínas e alguns estão mesmo envolvidos
no controle da síntese protéica. Mas gerar as proteínas certas não é
suficiente para construir vida, muito menos dotá-la de suas herdadas formas de
comportamento, seus instintos; o que se dá justamente em virtude dos campos mórficos,
que não são transmitidos geneticamente, mas sim por intermédio da ressonância
mórfica, uma influência direta do passado no presente, através do tempo.
Campos
mórficos não só nos ajudam a compreender o desenvolvimento da forma e do
comportamento, mas igualmente a organização dos grupos sociais.
Uma
revoada de pássaros ou um cardume, possuem um campo mórfico que ligam seus
membros entre si. Mesmo quando um deles abandona o grupo, este campo não se
rompe, ao contrário, “se estica” atrás do desertor, mantendo a conexão
original como se através de um elástico invisível. Penso até que esta conexão
entre membros de um mesmo grupo constitui a base da chamada telepatia.
-Sob
quais correntes de pensamento a TCM nos ajudaria a compreender mais
abrangentemente o fenômeno da vida? – É engraçado, inclusive que, quando eu
era criança, tínhamos um cachorro negro de estimação, chamado “Veludo”
que era muito apegado ao meu pai. Costumava ficar deitado ao portão esperando-o
chegar diariamente do trabalho. E o estranho era que, mesmo quando não estávamos
avistando o meu pai no final da rua longa e plana, Veludo já abanava o rabo ao
“sentir” de alguma forma a chegada do seu dono. E o mais incrível ainda é
que, mesmo quando meu pai viajava, o cão “sabia” quando ele ia chegar,
durasse a viagem o tempo que fosse.
Como
o cão poderia “saber” com antecedência sobre a chegada do seu dono –
principalmente não sendo “da mesma espécie”?
Acredito
que a telepatia é normal e natural entre os grupos sociais de seres viventes.
Ela permite-lhes manterem-se “conectados”mesmo à distância. O fenômeno já
foi exibido por diversos animais, principalmente domésticos, como cães e
gatos, quando eles desenvolvem um apego com as pessoas. Eu desenvolvi muitas
pesquisas sobre cães que conseguem captar os pensamentos e intenções de seus
donos telepaticamente – inclusive de seu retorno ao lar. Alguns cachorros
chegam a saber mais de 10 minutos antes, ás vezes até meia hora antes, que
seus donos estão chegando em casa. Em
centenas de experimentos controlados, filmados em vídeo, meu colega Pam Smart e
eu concluímos que os cachorros realmente sabem com antecedência da chegada de
seus donos, através de telepatia. Claro que nestas experiências ninguém da
casa também sabia quando o dono
estava chegando, e mesmo vindo eles de mais de 10 km de distância, de táxi,
num momento determinado ao acaso, os cães “acertavam”. Replicadas
independentemente por outros pesquisadores, estes experimentos exibiram os
mesmos resultados, que foram largamente publicados em jornais científicos –
os relatos completos das minhas experiências podem ser lidos no meu site. E
toda minha pesquisa foi englobada em meu livro “Cães
sabem quando seus donos estão chegando*”,
publicado também aí no Brasil pela editora Objetiva.
A
Teoria do Caos nos ajuda a reconhecer que a natureza não é mecanicisticamente
previsível como a ciência tradicional acreditava.
Há
uma grande parte da ciência que é indeterminada e absurdamente difícil de se
prever, exceto justamente em nível de dinâmica caótica.
E
é precisamente este indeterminismo que dá margem a outros fatores causais na
natureza.
Penso
que os campos mórficos funcionam através da padronização de eventos que, de
outra forma, seriam indeterminados.
Todos
os detalhes dessa hipótese eu exponho no meu livro “A
PRESENÇA DO PASSADO”, igualmente publicado em português pelo
Instituto Piaget, de Lisboa, Portugal.
-Sendo
um pouco filosófico novamente, qual é a sua concepção do tempo? Encara-o com
a 4ª dimensão do espaço, como preconizado por Einstein ou alguma coisa
diferente?
Não
vejo o tempo como a quarta dimensão espacial. Ele é a mensuração
do processo de mudança dentro do universo e a flecha
do tempo definitivamente foi “atirada” pela
expansão do universo (big-bang) o qual sublinha toda evolução cosmológica.
Eu não estou propondo que a ressonância mórfica ocorra fora do tempo e sim
através dele, do passado para o presente.
Existe
uma polaridade no tempo, entre o passado, presente e futuro e isto é
fundamental para todos os processos biológicos.
-
Como pensador contemporâneo que é, o sr. acredita na “Interpretação de Múltiplos
Universos? O que o faz acreditar que a realidade é mais complicada do que
aparenta?
A Interpretação de Múltiplos Universos da Mecânica Quântica é apenas um dos diversos caminhos
que tentam lidar com os paradoxos gerados por esta teoria.
Para mim ela é totalmente mirabolante. Supor que o universo se bifurca a
cada instante que um processo quântico ocorre e que há um número quase
infinito de universos paralelos ao nosso próprio pode ser uma idéia profícua
para a Ficção Científica, mas muito anti-econômica enquanto hipótese científica.
Ela contradiz cada um dos princípios de economia e evidência ao postular um
infinito número de universos paralelos sem nenhuma evidência no final das
contas.
A Teoria Quântica preconiza que eventos
ocorrem probabilisticamente e sob meu ponto de vista os campos mórficos atuam
restringindo as possibilidades de forma que, de todos os possíveis fatos que
poderiam sobrevir, somente alguns efetivamente sucedem. Minha hipótese de
casualidade formativa através dos campos mórficos está estreitamente
relacionada com a teoria quântica, fornecendo um entendimento muito mais plausível
e satisfatório do fenômeno do universo do que aquela dos universos paralelos.
E é muito estranho que cientistas
prontos a aceitar esta teoria, mesmo sem nenhuma evidência, manifestem-se
rigorosamente contra fenômenos
como a telepatia, para o qual já
existe considerável evidência. Eu mesmo penso que é melhor trabalhar bem próximo
dos fatos biológicos, para estudar fenômenos que não entendemos e postular
hipóteses razoáveis para explicá-los, do que se aventurar
em direção a especulações muito mais metafísicas do que científicas.
As novas possibilidades da ciência são
fantásticas e ainda existem muitos fenômenos que não compreendemos, como os
diversos aspectos do comportamento animal, o instinto, fenômenos “psi” e até
da própria mente humana. Estamos nas bordas de um novo e regozijante período
de desenvolvimento científico.
É isto, Dr. Sheldrake! É muito gratificante aprender com o sr. Muito obrigado.
Rupert Sheldrake
Ciência 476 páginas
Tradução: Claudia Guimarães
ISBN: 8573023007
Cientista explica poderes surpreendentes de nossos animais de estimação
Cachorros que sabem quando os donos estão a caminho de casa muito antes destes chegarem. Gatos que correm para perto do telefone quando é o dono que está
ligando. Cavalos que conseguem encontrar a direção de volta para casa atravessando às vezes longas distâncias. São histórias assim, sobre percepções
que têm os animais, ainda não compreendidas à luz da ciência atual, que o bioquímico Rupert Sheldrake reúne em CÃES SABEM QUANDO SEUS DONOS ESTÃO
CHEGANDO, livro tão fascinante quanto bem fundamentado sobre poderes dos animais
relativos à telepatia, senso de direção, premonições e outras características
psíquicas.
Pesquisador respeitado da Universidade de Cambridge, Inglaterra, autor de diversas obras científicas, Dr. Sheldrake realizou uma longa pesquisa e diversas
entrevistas sobre o comportamento animal, apresentando inúmeros casos de percepção singular. Localizou, por exemplo, animais domésticos que previram a
ocorrência de terremotos e mesmo um cachorro que tinha a capacidade de antecipar
os ataques epilépticos de sua dona. Ele explica tais fenômenos através da teoria
das "células mórficas", segundo a qual há campos invisíveis de conexão entre os
seres.
Em CÃES SABEM QUANDO SEUS DONOS ESTÃO CHEGANDO, Dr. Sheldrake prova que há muito
mais sobre a mente dos animais do que nossa imaginação pode conceber. Entre outros méritos, seu livro nos leva a questionar os limites do pensamento
científico convencional. Ao abrir novos horizontes sobre a comunicação dos bichos uns com os outros e conosco, o cientista britânico nos faz reavaliar
esses estranhos – e encantadores – poderes de nossos animais domésticos.
LEIA AQUI OUTRA ENTREVISTA (EM INGLÊS) COM O DR. SHELDRAKE
VISITE TAMBÉM O SITE OFICIAL DO DR.SHELDRAKE: www.sheldrake.org/