\n'; document.write(barra); } } changePage();
| INTRODUCTION | ACKNOWLEDGEMENTS | INTERVIEWS | ARTICLES | GALLERIES | BIBLIOGRAPHY | LINKS | WANTS |
| INTRODUÇÃ0 | AGRADECIMENTOS | ENTREVISTAS | ARTIGOS | GALERIAS | BIBLIOGRAFIA | LINKS | PROCURAS |
Entrevistas / Interviews
Quadrinista,Escritor e Editor REGINALDO CARLOTA
por José Carlos Neves
que
está determinado a matar todos os seus inimigos para preservar a paz na terra, Reginaldo
Carlota me informou que “Desde
que tomei conhecimento de seu site, há exatamente um ano,
nunca mais parei de entrar para ler todas as entrevistas,
principalmente as do Moore. Só não sou o fã número 1 do cara, porque
o 1 é vc, mas sou vidrado no trabalho desse cara, e li e reli toneladas
de vezes os principais trabalhos dele.”
-Reginaldo, idade,
onde nasceu, cresceu e vive atualmente? Estado civil? Filhos? Formação acadêmica
e profissão?
Como
diria nosso amigo estripador de Londres, “vamos por partes”, tudo bem que o
cara nunca disse isso, mas deixa pra lá. Nasci na cidade de Tatuí, interior de
SP em 1974. mudei para Itu aos dois anos de idade, e vivo até hoje na cidade,
embora já tenha morado um tempo em São Paulo, Praia Grande e Sorocaba.
Sou
solteiro e tenho uma filha de 8 anos. Desisti da escola no primeiro ano
colegial, e decidi completar minha educação com toneladas de livros e cursos.
Aprendi três vezes mais depois que deixei a escola. Estou me estabelecendo
profissionalmente como escritor e empresário de mim mesmo.
Tenho
vários cursos de administração e marketing, vendas , língua e literatura, e
é claro. Desenho artístico.
-O quê e quando iniciou seu interesse pela
Quadrinhos e desenho em geral?
Comecei
a desenhar com cinco ou seis anos de idade. Já quadrinhos, comecei
a ler por volta dos doze.
Não comecei com Disney nem Mônica. Minha primeira HQ foi a edição 87
do Capitão América (Abril).
Ganhei a revista de um amigo de escola. Fiquei apaixonado por quadrinhos
e creio que nunca mais vou conseguir parar de ler.
-Na
infância você lia muito, tanto HQ quanto Literatura mainstream?
Pode citar autores e obras que o influenciaram?
Comecei na literatura 3 anos depois de começar nos quadrinhos.Gosto muito mais de livros do que de Quadrinhos. Li praticamente todos os principais clássicos da literatura inglesa e norte americana, de Edgar Allan Poe a Herman Melville. Também sou apaixonado por literatura barata, tipo Clive Baker, Stephen King e Harold Hobbins. Do Brasil, posso não ter cara, mas sou fã de carteirinha dos livros da Coleção Vagalume , principalmente dos livros do falecido Marcos Rey, que ao lado do João Carlos Marinho são mes escritores favoritos. Nos quadrinhos sempre li os heróis Marvel e DC, portanto, passei a vida extremamente ligado em literatura mainstream. É claro que quando conheci os materiais alternativos norte americanos e os álbuns europeus, dei fim em todas minhas revistas Marvel e DC, mas isso é outra história. Minha principal influência na literatura, é o Harold Hobbins, se vc ler meu romance “Questão de Coragem” , vai sacar isso na hora, se vc conhecer o trabalho do Hobbins, é claro. Já nos quadrinhos, sou visivelmente influenciado pela maneira do Frank Miller contar uma história, e pela maneira de Alan Moore ver os super heróis
-Especificamente
no desenho, como você começou? Alguma escola? Autodidatismo? Influencias mais
marcantes? 
Depois
que li minha primeira HQ, meti na cabeça que seria quadrinista quando
crescesse. Fiz um desenho horroroso e mandei para a Editora Abril. Isso foi em
1987 mais ou menos. Meu desenho era de um sujeito meio homem meio máquina. Era
só o que eu desenhava na época, pois minha primeira HQ era do Capitão América
contra o Deathlok e me influenciou bastante, Alguns dias depois recebo uma carta
da Abril elogiando meu trabalho e dizendo que eu tinha futuro. Estava assinada a
mão pelo SERGIO FIGUEIREDO PINTO. Cara, só não tive um orgasmo porque ainda não
estava na fase. Acreditei em cada uma das palavras que o cara disse, e guardei a
carta com tanto amor e carinho que abri a boca chorar quando ela sumiu durante
uma mudança. Hoje sei que o desenho era um lixo, mas o figa, foi sensacional
comigo, super gente boa mesmo. Se ele dissesse que eu não tinha futuro, talvez
não estaria fazendo quadrinhos hoje. Devo minha carreira a esse cara.
Interessante que conheci em um momento ou outro todos os editores da Abril dos
últimos 20 anos, menos o Figa. Um dia ainda dou um abraço no cara. Hoje não
desenho mais, mas na época minhas maiores influências foram os Três Johns que
eu mais admiro nos quadrinhos, o BYRNE, BUSCEMA e o ROMITA (senior).
Sempre
fui autodidata nos desenhos, mas nunca fui um grande artista. Sou bem melhor
como escritor, prova disso foi os mil exemplares do meu primeiro romance
vendidos em 90 dias. Levei o dobro disso para vender a mesma tiragem de uma HQ
que eu desenhei, e olha que era bem mais barata.
-Conte
nos a gênese do CÃO MARAVILHA,
suas motivações , repercussão...
O
Cão Maravilha apareceu pela primeira vez em 1995 (ano que eu o criei), nas páginas
do jornal República de Itu. O conceito era bem infantil, e o personagem
completamente diferente da versão atual. Mas o pior de tudo é que o suplemento
infantil do jornal pulou de 3 para quase 10 mil exemplares, devido a boa aceitação
do personagem. Em 1999 comecei a fazer a primeira reformulação no personagem,
dando início ao meu primeiro álbum. Ele ficou mais ou menos parecido com o
Super Homem pré CRISE. Terminei o álbum
em 2001, e o lancei nesse mesmo ano. Imprimi 1000 exemplares e vendi tudo em 6
meses. Como eu sabia que aquela ainda na era minha obra prima, e sim meu
primeiro álbum, optei por uma estratégia de marketing de nicho, e focalizei
toda a promoção e distribuição do livro na minha região. Apareci na capa de
tudo quanto é jornal da região de Sorocaba, e nas revistas e redes de TV
locais. Cheguei a receber congratulações de uma Deputada e da Câmara de
vereadores local. As motivações do Cão Maravilha na época não passavam de
clichês. Um cara superpoderoso que quer usar suas habilidades para salvar os
indefesos. A situação ficou complicada depois do 11de Setembro.
Olha só o que aconteceu. Meu livro estava fazendo um puta sucesso na região,
meu nome não saia dos jornais, só que eu estava me sentindo estúpido de estar
lançando um herói bonzinho, nobre altruísta e indulgente, enquanto os
criminosos do mundo real estavam assassinando milhares de pessoas na minha cara.
Acho que meu senso de humor acabou com a queda do WTC. Mesmo sabendo que poderia
lançar outra tiragem do livro que iria vender, decidi que não iria fazer isso.
Assumi uma postura extremamente radical perante os super heróis, e conclui que
se eles não tiverem autoridade e coragem para tomar medidas extremas no mundo,
eles se tornam apenas palhaços fantasiados.
Comecei
a escrever um roteiro sinistro onde o Cão Maravilha ficava revoltado com os
atentados e se tornava um vigilante fascista , extremamente perigoso que havia
decidido matar seus inimigos para preservar a ordem no mundo. Como eu tinha
clara consciência que não era bom o bastante para desenhar esse que seria meu
melhor trabalho, decidi contratar um profissional para desenhar no meu lugar.
Promovi um workshop pela internet para achar um artista. Entre uns trinta
candidatos optei pelo Micael Holderbaum, que tinha exatamente o estilo dark
que eu queria para o meu personagem. Seguindo algumas orientações minhas, o
Mick transformou meu antigo cãozinho num herói truculento e sanguinário, que
mata primeiro e pergunta depois. Essa nossa parceria se transformou no álbum de
72 páginas intitulado de CÃO MARAVILHA, REENCONTRO MORTAL.
-O
que você tem feito atualmente? Quais seus novos projetos?
Bem,
acabei de editar REENCONTRO MORTAL, e estou ocupadíssimo com vários assuntos
relacionados ao álbum, desde o marketing e distribuição, até negociações
fora do Brasil, mas ainda não posso falar disso. Escrevi uma Graphic Novel intitulada
CADILLAC , A MATADORA
DE VAMPIROS. É uma hq hiper
violenta, com uma personagem que foi inspirada na Rita
Cadillac, na Trinity de Matrix e no Blade,
caçador de vampiros. Também não posso comentar muito ainda. Na literatura
estou escrevendo o primeiro romance da série “Contos Macabros”, que
pretendo começar editar ainda esse ano, mas também não posso falar muito
sobre isso, ou teria que te matar mais tarde, e pelas fotos suas que vi sem
camisa no site do Dark Marcos, deu pra ver que
vc é bem fortinho e sabe usar uma espada.
-Quando
foi seu primeiro contato com o trabalho de Alan Moore e
qual obra lhe causou algum impacto especial?
Para
as duas perguntas a resposta é uma só :WATCHMEN. Eu já tinha revistas com
histórias do Monstro do Pântano, mas ainda não havia lido.
-Qual
trabalho do mago bardo de Northampton que você considera sua obra-prima e porquê?
Novamente
Watchmen. É claro que Do Inferno, A Piada Mortal, Miracleman, e Liga Extraordinária
são fudidos, mas Watchmen é a obra prima dos quadrinhos. Incomparável. Nem o
próprio Moore consegue se superar. Mas sinceramente , sou apaixonado por tudo
que o cara escreve, inclusive o material que ele produziu para a Image. V de
Vingança é outra história fudida. A maneira em que o detetive descobriu o
esconderijo do anarquista enquanto estava chapado de drogas foi coisa de gênio.
-Ao
seu ver, quais foram as inovações mais importantes do autor? Especificamente
sobre Watchmen e sua instigante forma
narrativa – já apelidada de O Cidadão Kane da Nona Arte –
o que tem a nos dizer?
Em
primeiro lugar, a narrativa e diagramação são únicas. Moore conseguiu contar
a história inteirinha só com os desenhos do Gibbons. O texto foi a chave de
ouro. Nunca vi nada parecido antes e nem depois. Qualquer coisa que eu pudesse
dizer já foi dita antes. Sem comentários.
-Você
me disse uma vez que “Estou louco para falar sobre como o COMEDIANTE indiretamente induziu o
OZYMANDIAS a matar metade de nova York e salvar o mundo, exatamente
no dia em que ele colocou fogo no
mapa enquanto os heróis se reuniam, e perguntou:
QUEM VAI SALVAR O MUNDO?????????”.
Chegou
a hora,
o espaço e´ todo seu...
Vou
chover no molhado, mas vc sabe tão bem quanto eu e todo mundo, que se Watchmen
fosse um quebra- cabeça, o Comediante seria a peça principal que completaria o
jogo. Foi por causa dele que o Rorschak desenvolve sua teoria sobre o matador de
mascarados, que o levaria até o Ozymandias que havia matado o Comediante e mais
metade de Nova York, para impedir a
guerra nuclear que parecia inevitável. Só que duas décadas antes, o próprio
Ozymandias considerado o homem mais esperto do mundo, não passava de outro
palhaço fantasiado junto com outros vigilantes, que não faziam diferença
nenhuma no mundo. O Comediante era o único que parecia ver o mundo com
realidade, e no momento que ele queima o mapa na sala de reuniões, na
cara de todos os vigilantes, e pergunta “quem vai salvar o mundo quando os mísseis
estiverem voando”, o então jovem Ozymandias percebe que todos os heróis
fantasiados eram na verdade uma aspirina para um paciente em fase terminal, ou
seja não fazia diferença nenhuma. Exatamente por concluir que o Comediante
estava certo, ele abandona a carreira de herói e começa a criar seu plano
megalomaníaco, que mais tarde culminaria na matança em Nova York. Tudo isso
está na série, eu só queria comentar.
-Você
acha que ainda existe espaço para seres musculosos e com super-poderes, metidos
em colantes, na verdadeira Cultura Pop, mais madura? Pergunto porque muitos fãs
dos super-heróis, ao mesmo tempo que admiram Alan Moore, o detestam por
considerar que ele praticamente destruiu o gênero com Watchmen. E você?
Espaço
sempre existiu e vai continuar existindo enquanto houver quadrinhos e cinema.
Acho que os bilhões arrecadados em torno do filme e DVD do Aranha, deixam isso
evidente. Quanto a Moore, é um erro achar que ele destruiu o gênero. Ele
apenas jogou uma dose de realidade nos quadrinhos, e obrigou os roteiristas a
rebolarem um pouco mais para conseguir convencer o mundo de que um sujeito
precisa vestir um colante para combater o crime. Quem lê quadrinho esperando
que tudo seja plausível, é um imbecil na minha opinião, pois se quer
realidade, leia um jornal. Quadrinhos é magia, ficção, entretenimento. Se eu
não pensasse assim porque criaria um cachorro super herói, quando poderia
criar um “homem maravilha”?
-Discordo
de certa forma, pois Quadrinho tambem pode ser "realidade", como os de
Joe Sacco (Palestina), "My Cancer Year", "Love & Rockets"
e, principalmente, "Big Numbers". E From
Hell, você acha que Moore conseguiu atingir plenamente seu intento de
Com
toda certeza do mundo. Só a teoria de Moore de que a “imprensa marron” teve
inicio com jornalistas espertinhos que aproveitaram os crimes do Jack para
“criar’ notícias, deixou isso mais do que evidente. 
-.O
que pensa da Magia?
Tenho
bastante interesse pelo assunto. Acredito nela, mas não no mesmo contexto dos
quadrinhos, cinema ou literatura.
-Sabe
alguma coisa de BIG NUMBERS, a que seria a obra-prima do mago barbudo de
Northampton?
Só
o que li no seu site e em outras entrevistas de Moore.
-Voltando
aos seu trabalho, o que você fez que considera o melhor até agora?
Na
literatura, “QUESTÃO DE CORAGEM” nos quadrinhos “CÃO MARAVILHA,
REENCONTRO MORTAL”.
-Por
ter se interessado por Histórias em Quadrinhos em nível profissional, você
sofreu – ou sofre até hoje – alguma espécie de preconceito ou discriminação?
Como lida com isto?
Nunca
sofri preconceito algum, como disse o Edson Aran
(que por sinal é fã do Cão Maravilha) , “é cool saber sobre quadrinhos
hoje em dia” .
-Você
é indubitavelmente,
um dos batalhadores por um autêntico
Quadrinho nacional. Ele existe?
É
claro! Só falta uma industria forte.
-
O que você acha que dificulta para o quadrinista brasileiro sobreviver de sua
arte? Falta de talento ou de mercado?
Do Meu ponto de vista, acredito que existem 3 problemas:
Falar
de talento é absurdo, pois temos artistas tão bons como em qualquer parte do
mundo. Se escrevemos ótimos livros, quadrinhos seria brincadeira. Só que quem
escreve livros ganha dinheiro , já quadrinhos é mais complicado.
Bem,
o primeiro problema é o próprio mercado que está ha décadas entupido de
material enlatado e acabou condicionando as velhas e novas gerações de
leitores que só o americano é bom. Isso está mudando hoje, pois nunca tivemos
tanto material nacional de boa qualidade no mercado quanto hoje.
O
segundo problema é o próprio quadrinista nacional, que é frustrado por
natureza , e se torna invejoso por opção. É claro que existem exceções a
essa regra, mas grande parte dos caras são assim. Você não acredita em
quantos quadrinistas que já disseram por aí que estão torcendo para que eu
quebre a cara com o Cão Maravilha, porque eu sou mala, pretencioso, idiota e
uns adjetivos a mais. Tudo isso porque eu trabalho como um condenado e tenho
capacidade de criar e administrar meus próprios projetos sem precisar pedir
esmolas para nenhum editor. Na verdade nunca bati na porta de nenhuma editora. Digo isso porque no Brasil os editores acham que estão fazendo
um favor para um cara quando publicam sua hq, e não um negócio. É claro que essa é uma maneira estúpida de pensar, mas de qualquer
forma nunca bati na porta de nenhuma editora. Não
espero ninguém me dar oportunidade. Acredito no meu trabalho e crio minhas próprias
oportunidades. Se isso é ser mala, então eu sou, e o pior, sem alça.
O
terceiro problema é a falta de visão
do quadrinista nacional, que não consegue meter na cabeça que quadrinho é um
produto tão normal quanto leite ou feijão. Esse produto precisa ter um público
alvo, precisa de publicidade , precisa de uma boa distribuição, e o conjunto
desses fatores cria uma industria, como a de automóveis ou de leite.
Não
adianta querer ficar bancando o rei da contracultura e ficar com o trabalho
amarelando na gaveta.
-Como
um profissional, também considera que o
nosso artista “se vende” quando passa a publicar no Exterior, nos EUA
principalmente, adequando-se ao
estilo e mudando até mesmo de nome?
Se
quadrinista nacional não fosse invejoso como eu acabei de dizer, nunca
existiria essa conversa. Tenho o maior orgulho de
saber que artistas brasileiros estão desenhando os maiores ícones dos
quadrinhos mundiais.
-Ainda
nesta área, conhece e o que acha do trabalho de Mike
Deodato, atual campeão no desenho de super-heróis emblemáticos, da Marvel/DC?
Conheço
o trabalho do cara desde que ele lançou 3 Mil Anos Depois, nos anos oitenta eu
acho. Sou fã do cara e tenho o maior respeito por ele. Não o conheço, mas
quem sabe um dia pego um avião e vou lá na Paraíba...
-E
os artistas brasileiros da “velha guarda” como Jayme Cortez, Ignácio Justo
, Walmir Amaral, Salatiel de Holanda, Igayara,
Colin, Shima, Edmundo Rodrigues, você
conheceu o trabalho deles. Em rápidas pinceladas pode comentar cada um?
Conheço
o trabalho de todo esse pessoal, pois li praticamente todas as edições de
Mestres do Terror e Calafrio, mas com exceção do Colin e do Cortez, que são
meus preferidos dessa turma, não me lembro muito do trabalho deles para fazer
algum comentário, mas acredito que sem eles muita gente não seria artista
hoje, pois influenciaram uma geração inteira.
-E a “geração
Vecchi/Grafipar? (Franco,
Rodval Matias, Mozart
Couto, Watson Portela, Olendino e tantos
outros)?
Todos eles são ótimos.
-Você
concorda que, depois de uma onda iniciada, ao meu ver, na Image, o desenho de
super-heróis tem optado por uma arte mais realista – em termos de visual e não
de temática.Melhor explicando: seres de músculos anabolizados impossíveis não
são realistas. Mas sua representação no papel,
quase sempre iluminados por no mínimo duas fontes de luz – uma mais
forte e no lado oposto a esta, outra mais fraca, ou de luz rebatida, torna as
figuras mais realistas, mais tridimensionais, se me entende – como faz Dale
Keown e principalmente o italiano
Paolo “Druuna”Serpieri. Concorda que existe esta tendência?
Parei
de prestar atenção nos desenhos, meu lance é mais roteiro, mas se vc observou
esta tendência, ela existe.
-O
que você pensa do desenho anatômico do italiano Paolo Eleuteri Serpieri,
criador da voluptuosa Druuna, principalmente em termos do uso da iluminação
bi-lateral que ele faz e também de sua arte-final em traços cruzados, de
diversas formas, para interpretar os vários tons de sombreamento no desenho?
Sem
comentários, o cara é ótimo.
-Quais
dos nossos autores e artistas você julga mais em condições de produzir uma
obra de fôlego?
Sem
querer ter um ataque de modéstia, se eu achasse que não sou capaz de produzir
uma obra de fôlego, que do seu ponto de vista deve significar ser
comercialmente viável, eu simplesmente iria vender planos de saúde ou qualquer
outra coisa, menos escrever quadrinhos. O que na falta neste país, é gente
capaz.
-
Como o leitor interessado pode adquirir seus Quadrinhos e livros, quais os que
estão disponíveis,etc?
É
só entrar no meu site que fica sabendo de tudo: www.carlotaproducoes.com
-Acha
que as chamadas artes populares e de entretenimento, como o Cinema e os
Quadrinhos, têm
também esta capacidade de, através de seu experimentalismo formal,
metalinguagem e outros recursos estilísticos, mas sobretudo de conteúdo
humano, que realmente nos enleve, nos atingir em cheio como as obras literárias
? Pode mencionar exemplos?
Os
filmes “Titânic” e “Em Algum
Lugar do Passado”, ao lado da Graphic Novel “A morte do Capitão Marvel”,
me fizeram chorar muito mais do que qualquer clássico da literatura, e olha que
li quase tudo de Shakespeare.
--O
que você acha que acontece com a consciência após a morte?
Não
tenho certeza de nada, portanto prefiro não comentar.
-Quais
foram os eventos mais importantes que já ocorreram em sua vida?
Ser
pai aos 21 anos de idade.
-Qual
foi a experiência mais louca que você já experimentou na vida?
Minha
primeira relação sexual.
-Qual
foi o sonho mais louco que você já teve?
Sonhei
uma vez que estava sendo abduzido por alienígenas.
-Pelos nossos papoeletronicos – e algumas imagens mais cabeludas que vi no seu site – você e´ fanzaço da “chacrete”Rita Cadilac. E´ amigo pessoal dela? Como conseguiu a proeza?
Eu e a Ritinha somos
amigos desde 2001. Sem querer ser injusto com minhas ex namoradas e comprando
briga com as futuras, considero a Rita Cadillac uma das mulheres mais gostosas
do Brasil. É impossível ficar perto dela sem pensar em sexo. Mas não vou te
contar mais nada, senão terei que te matar, e já disse que não vai ser fácil.
-E
atualmente, o que lhe é realmente imprescindível, seminal?
Preciso
ganhar 60 mil reais esse ano de 2004. pretendo ganhar essa grana com as
vendas do meu álbum no Brasil e em outros países da vizinhança.
-Quais
sites da web você visita com freqüência?
HQ
MANIACS, UNIVERSO HQ, OMELETE, ÂMAGO E O SEU.
-Quase
finalizando, o que tem a dizer sobre nosso modesto site, criticas e sugestões
para aperfeiçoá-lo?
Sem críticas e só
sugestões. Você está dando uma contribuição enorme para o mercado de HQ
nacional, publicando essas ótimas entrevistas que serve tanto como forma de
incentivo para quem está começando, divulgação para quem já está no
mercado,e fonte de inspiração ,aprendizagem e referência para quem esta
querendo entrar no mercado. Minha sugestão é que vc dê continuidade a esse
seu excelente trabalho e não pare tão cedo. Se um dia parar, venda o site para
outro continuar tocando a bola.
Obrigado,
Amigo.
Eu
é que agradeço pela oportunidade de ser entrevistado por um cara que já
entrevistou os maiores profissionais do mercado.
Abração e muito sucesso!