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Entrevistas / Interviews
ESCRITORA
E PESQUISADORA ILANA CASOY
Pesquisadora
de Assassinos Seriais, sobrinha do Boris.
Estas
duas qualificações já fariam jus em
despertar o interesse de qualquer leitor para o livro de sua autoria, “Serial
Killer Louco ou Cruel?” – (Editora WVC, 2003)
Mas
Ilana Casoy e´muito
mais que isto.
Graduada em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas, casada, dois filhos, a autora vem dedicando-se já com muito afinco `a pesquisa dos serial-killers em caráter histórico e mundial, bem como aos crimes violentos.
Como
criador ficcional, não posso negar a minha atração também pela mente
criminosa, suas motivações, métodos e psicologia.
Por isto, depois de vê-la no Programa do Jô, prontamente me
interessei em entrevistar Ilana, mesmo sabendo de sua apertada agenda –
ela esta´ no momento terminando um segundo livro sobre o tema, agora
abordando apenas casos e criminosos brasileiros e participou, inclusive, das investigações policiais no caso do Maníaco
de Guarullhos.
Atestando
que o enorme sucesso de critica e de vendas não a impede de dar atenção
aos seus leitores mais simples, Ilana gentilmente concordou em nos saciar a
curiosidade.
-
Ilana, onde você nasceu, cresceu e vive atualmente?
Sempre
em São Paulo, Capital.
-
O quê e
quando iniciou seu interesse pela criminologia, matadores sádicos e investigação?
Desde
criança, assistindo seriados de TV. Com a Internet, abriu-se uma janela para o
mundo e de repente eu pude encontrar respostas para todos os casos reais que
"ouvi falar" e queria saber mais.
-
Na infância você lia muito? Pode citar autores e obras que a
influenciaram?
Fui
sempre uma leitora voraz. Li de tudo, desde Asimov
até Dostoyevski, Vinicius de Moraes, Drumond, Guimarães Rosa, John Steinbeck,
Machado de Assis, James Patterson, Paulo Coelho, Patrícia Cornwell, Robert
Ludlum, Sidney Sheldon, Scott Turow, Ken Follet, John Grisham, Jonathan
Kellerman, Agatha Christie, Jorge Amado... A lista não tem fim. Acho que a
influência é na vida, em como você encara o seu destino. A pessoa que você
é, também é resultado do que você lê e acaba se refletindo no seu texto e
nas suas escolhas.
-
O que a atraiu inicial e especificamente
pelos crimes bárbaros, afora o interesse pelo mórbido que e´ quase inerente
ao ser humano? – afinal, quem não tem vontade de dar uma parada para ir olhar
de perto um acidente de transito “horrível” ( sei que parece tétrico, e
minha mulher, por exemplo, não
nutre este mesmo interesse; mas como artista gráfico e pretenso escritor,
sempre tive essa curiosidade).
A
mente humana. Sempre o labirinto que é a saúde mental.
Afinal, como canta Caetano, "de perto ninguém é normal"!
-
Depois de tanto pesquisar, você já
sabe os porquês sociais,
morais, biológicos e psicológicos que transformam um ser humano na chamada
besta-fera, capaz de cometer atos tão atrozes e hediondos como se vê?
Já dá pra ter uma idéia do
conjunto, mas não existem respostas exatas. Em cada caso chego a diferentes
conclusões...
-
São cruéis ou loucos? Ou ambos?
Alguns são loucos, muitos são
cruéis e um não exclui o outro. Entrevistar um assassino doente mental é
chocante, porque você percebe que ele não calcula a dimensão de seus atos.
Entrevistar alguém apenas “perturbado”, o famoso “psicopata”, é
surpreendente, porque apesar de entender seus atos, não há controle sobre
eles.
-
Já li alguns estudos de um perito do FBI
, seu símile americano, que concluiu
ser a subjugação de outrem – notadamente do mais fraco, criança ou mulher
– e a resultante sensação de poder divino (o criminoso se sente um deus) mas na verdade diabólico, que
leva `a grande maioria desses crimes. Qual é a sua visão?
Concordo
com ele quando se refere aos criminosos que buscam, através da realização da
fantasia e do ritual de matar, o controle e o poder. Mas estes nem sempre são
os motivos. Muitas vezes a motivação é sexual ou algum motivo psicológico
obscuro que só o assassino entende. Para Marcelo Costa de Andrade, por exemplo,
matador de 13 meninos em Niterói, a motivação era a libertação das crianças
que tinham uma vida como a que ele teve, menino de rua abandonado e abusado.
-
O escritor inglês Alan Moore, autor de uma vasta pesquisa sobre Jack, O
Estripador, extrapolando `as suas profundas implicações na gênese do século
20 – na sua novela-gráfica “Do
Inferno”, consideravelmente minimizada nas telas
por Hollywood - formulou
também a sua teoria;
segundo ele, quando era adolescente, estava um dia sentado na cozinha de sua
casa em Northampton, no coração
da Inglaterra, para sua mãe lhe amarrar os cadarços do sapato colegial. Ao
observar as costas frágeis de sua genitora, aos seus pés, e ver uma faca de
lamina amolada e brilhante sobre a pia, teve um ímpeto inexplicável de
empunha-la e esfaquear a mãe pelas costas violentamente.
“Lógico que foi um daqueles pensamentos loucos – explicou – próprios
de muitos adolescentes. Mas o que me diferenciou de um assassino foi justamente
não ter dado vazão `aquele impulso. Não ter agido “fora-do-script” “.
Para ele, um assassinato e´um
dos
mais extremos atos da experiência humana. Ato este que emana uma espécie de
energia assustadora. Que indubitavelmente “mexe no tecido da realidade” .Daí
ser o assassinato quase sempre um ato místico, ou relacionado (pelo menos por
muitos de seus perpetradores)
`a Magia, seja lá o que pensam disto. Em
suas pesquisas, você constatou também esta espécie de padrão, ou seja, da
associação de um assassínio cruel com um ato místico? O que pensa disto?
A seara dos crimes que envolvem
magia negra, seitas satânicas e semelhantes, merecem estudo à parte. Acho que
o impulso assassino é inerente ao ser humano: quem já não teve vontade de
matar, pelo menos na adolescência, a mãe, ou mesmo na vida adulta, um vizinho
insuportável, a sogra, o marido ou a mulher? O que nos diferencia dos homicidas
é o controle das emoções. Já os crimes místicos, em geral são em dupla,
trio ou seita. Aí a psicologia do caso é totalmente diferente.
-
Você conhece a Teoria
do Caos, aquela que preconiza a extrema dependência das condições
iniciais de tudo o que acontece? Ou seja, dado um sistema dinâmico, qualquer
alteração por mínima que for, nas suas condições iniciais, ocasionará
ilimitadas, às vezes dramáticas, mas sobretudo, imprevisíveis alterações
nas suas condições finais. “Uma borboleta bate as asas no Brasil e faz
chover na China”. Para Alan Moore,
o assassinato também tem esta propriedade; e´quando um ato humano colide
frontal e explosivamente com a paisagem histórica, gerando conseqüências
inteiramente imprevisíveis. Quando se mata uma mulher inocente, por exemplo,
pode estar se destruindo a chance do nascimento de um grande líder mundial, um
inventor cujo talento revolucionaria o mundo...
Nos
seus estudos, você já
se pegou enveredando-se esta ótica?
Mesmo que não , o que pensa disto?
Eu penso SEMPRE sob esta ótica.
O destino é uma coisa incrível! Se a vítima não saísse aquela manhã, se a
policia não soltasse o Matador de Crianças do Rio Grande do Sul, se o ônibus
quebrasse, se a mãe do Chico Picadinho não tivesse ficado doente, se o Marcelo
Costa de Andrade não tivesse ficado pelas ruas, se eu não escrevesse o meu
livro... Quem sabe?
-
E o certo “glamour”
que os assassinos “frios a cruéis “ parecem emanar, atraindo a atenção
do publico e da mídia ? Também
e´ uma “motivação” para eles?
Para alguns, sem dúvida. A
vaidade é característica de muitos deles e motivação para outros, como no
caso do Paulo Sérgio Guimarães, o Maníaco da Praia do Cassino. Ele queria ser
mais famoso que o Maníaco do Parque e achava que o RS não podia perder para SP
no quesito “matador em série”. A mídia lida muito mal com o assunto,
porque conhece pouco dele. O público é humano, e a violência é sempre
fascinante. É um circulo vicioso difícil de quebrar.
-
E o papel da mídia? Você acha que a divulgação
desses casos tem realmente que ser massiva?
Acho o papel da mídia um
perigo, uma bomba-relógio. A informação não deve ser censurada, mas a
glorificação e mistificação sim. Veja o
caso do Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque. Muitas mulheres se
disseram estupradas por ele apenas para poder vê-lo de perto numa identificação
policial. Outras tantas escreveram para ele na penitenciária querendo um
relacionamento “mais intimo”. Ele chegou a receber 1.000 cartas por mês! É
lógico que a mídia teve responsabilidade. Em outros casos mais
graves, o
assassino interage com os meios de comunicação, como o Atirador de Washington.
Em casos assim, todos corremos perigo. Não acho mal divulgar os casos, mas a
abordagem deveria ser mais científica. No assassinato do casal de adolescentes
Liana Friedenbach e Felipe Caffé, apenas o Jornal da RedeTv foi buscar
entrevistas com psiquiatras e psicólogos forenses, na tentativa de entender
como um adolescente chamado Champinha cometeu crime tão brutal.
-
E´
verdade! Em "Do Inferno", Alan Moore explora esta faceta, quando a
policia londrina começou a ser abarrotada de cartas de pessoas se passando pelo
Estripador, ate´ de mulheres. E a consequente "divulgação
sensacionalista" pela midia escrita de então
- era o nascimento da imprensa-marron. E
o papel da industria de entretenimento, do cinema, da Literatura, historias em
quadrinhos, jogos de RPG, você também acha que eles podem influenciar de algum
modo uma mente doentia a extravasar seus atos insanos?
Quem é são pode assistir
Rambo 400 vezes que não vai matar. A ficção é livre, é imaginação. Os
pais devem estar presentes para discutir e orientar os filhos sobre aquilo que
assistem, lêem, jogam...Todos os livros que eu li, bons e ruins, tive com quem
discutir dentro de casa. Nada é proibido, contanto que seja discutido. Já a
mente insana é imprevisível. Qualquer coisa, qualquer coisa mesmo pode detonar
os atos insanos: um cabelo trançado, uma mulher de salto alto, seu poder
desafiado, uma humilhação e até mesmo um livro, um filme ou um videogame.
-
Você estuda igualmente as vitimas dos crimes violentos? Tanto quanto o que se
passa na cabeça dos criminosos no momento do seu ato,
o que será que se passa nas de suas vitimas? Só o puro terror, a
vontade louca de escapar a qualquer custo ou algo mais?
Acho que na cabeça das vítimas
é puro terror, é quase estado de choque. Você não pode acreditar que aquilo
está acontecendo com você, e não foi preparada na vida para pensar numa saída,
se é que ela existe. A dor física e mental é tanta que o único pensamento
que sobrevive é o de se manter viva, coisa quase impossível nas mãos de alguém
assim. Felizes aqueles que morrem rápido, porque até para morrer tem que ter
sorte!
-
Outros criminologistas tentam explicar freud/junguianamente
crimes hediondos imputando-lhes profunda conotação sexual
- grande parte dos serial-killers
sofreram abusos sexuais na infância. Isto e´ um fato ou um mito? O que você
acha que acontece na psique de uma criança vitima desses abusos que
desencandeara´ depois seu impulso criminoso? E o que seria o “gatilho” para
isto?
A grande maioria dos serial
killers tinham motivação sexual para cometer seus crimes. Muitos deles foram
abusados psicologicamente, fisicamente ou sexualmente na infância. Mas a
maioria das pessoas abusadas na infância não se torna um serial killer, nem a
motivação sexual faz parte da maioria dos crimes. No passado de cada criminoso
hediondo existe um tripé: biológico, social e psicológico. O gatilho que
desencadeia o impulso criminoso é a idade (entre 20 e 30 anos) e uma situação
de stress, que pode ser financeira,
casamento, separação, gravidez da companheira, perda do emprego etc.
-
E o assassino-de-massa difere dos outros, sob a ótica psicológica, em que?
Entendendo
que na definição do assassino em massa já nos fica clara a diferença:
é aquele que mata num só local, num só evento, o grupo que supostamente o
oprimiu, ameaçou ou rejeitou, numa explosão de violência.
-
Mesmo com todas estas teorias e justificativas,
o que explica um traficante de drogas frio e cruel, proveniente de uma família
abastada, a que teve uma infância “normal”? E pior, o caso como daquele
conhecido deputado – tão alardeado pelos noticiários televisivos há alguns
anos - que executava às vezes pessoalmente seus desafetos, com uma serra elétrica,
desmembrando-os?
Ainda
não encontrei assassino violento com infância normal, família abastada etc.
Em algum lugar estava o “podre”. Sobre o desmembramento: existe uma diferença
entre o desmembramento ritual e aquele cometido por motivos “práticos”. Uma
coisa é mutilar um cadáver de forma especifica e repetitiva, outra é
esquarteja-lo para poder
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Ao que me parece, são infinitas as motivações, métodos e prováveis
justificativas. Nunca teremos uma “teoria-do-tudo” na criminologia,
concordas? Ou acha que tem um certo “padrão “ que se faz mais visivel pelo
menos estatisticamente?
Estatisticamente sempre é possível
instalar-se um padrão, mas não é suficiente para a solução de crimes.
Acredito hoje na teoria de Brent Turvey e seu método dedutivo, onde cada caso
é analisado separadamente com base nos conhecimentos adquiridos de forma geral.
Agora, no Brasil estamos há anos luz da criminologia internacional. O caso dos
meninos mortos no sul do país demonstra como somos fracos nesta área.
Ali não foi estudado o modus
operandi do criminoso, a assinatura, nem mesmo a policia admitiu uma
conexão entre eles antes da confissão do criminoso. E ainda assim, com um réu
confesso nas mãos, falam em diferentes autorias. No Brasil, ainda tenho que
“convencer” a polícia que serial killer existe... E não é só em
Hollywood.
-
Nas suas muitas leituras de pesquisadora, você leu algum livro do conhecido
criminologista Colin Wilson?
Não,
ainda não. Por onde eu começo?
-
Dos
publicados no Brasil, sugiro-lhe:
Outsiders,
(Martins Fontes); O Oculto(
Fco.Alves,82);O Sr. dos Mundos Subterrarenos-Jung e o Sec.XX (M.Fontes-1985
e
ainda
"Da
Natureza dos Monstros",de
Fernando Nazário.
Chegou
a ler “From Hell”, de Alan Moore, ou viu o filme?
Vi o filme. Para uma reprodução
hollywoodiana dos crimes de Jack, até que não foi tão ruim, apesar de bem
incompleto.
-
A
novela-grafica e´imensamente mais profunda e, na verdade, o autor nem aprovou a
"violentação
hollywoodiana" . Ele sempre
gosta de afirmar também que, “quando você olha dentro do abismo, o abismo
olha dentro de você”. Ao se envolver em pesquisas tão pontuadas
de dramas e sofrimento, isto não afetou de algum modo, não ?
Me afeta todos os dias. Estar
em contato com o sofrimento humano faz você repensar muitas coisas. Mas
finalmente me sinto fazendo alguma coisa à respeito. Saí do papel de mera
espectadora para colocar a mão na massa.
-
Você gosta da “adrenalina” ao “sair a caça”, colaborando com a
investigação policial, como sei que já ocorreu, ou foi puro interesse de
escritora?
Adoro a caça! Morro de medo,
mas sinto que meu conhecimento pode ajudar se minha contribuição for aceita.
Esta é a parte difícil.
-
Num nível mais lúdico, o que gosta de ler? De ouvir? De ver no cinema?
Como eu passo a semana inteira
trabalhando com verdadeiros dramas, na completa acepção da palavra, procuro
nas horas de folga interagir com coisas mais leves. Adoro filmes água-com-açúcar,
do tipo comédia-romance. Seriados de TV onde os crimes SEMPRE são resolvidos (CSI,
Lei e Ordem, Jordan) são bem vindos. Ouço música de todo tipo, principalmente
brasileira. E aqui sofro a influência de um filho músico. Agora, literatura...
É só trabalho, porque o número de livros que eu quero ler ocupa totalmente o
meu tempo destinado à essa atividade.
-
O que achou de “Cidade de Deus”?
Cidade de Deus
é um grande filme, que mostra bem a influência
do meio em diferentes pessoas. Temos o Zé Pequeno, que era psicopata desde
garotinho, mas temos também o Buscapé, que apesar do meio, consegue sair para
uma vida digna.
-
Fale-nos sobre a gênese do seu próximo livro, que abordara´ os “serial
killers” tupiniquins. Em que pe´ já se encontra? Você teve dificuldades
para coletar os dados necessários?
Está
no fim. Já colhi todos os dados e estou escrevendo a última versão das histórias.
Adiei o projeto porque queria entrevistar alguns serial killers vivos, e
consegui. Falei com o Chico
Picadinho, com o Vampiro de Niterói e com o Estrangulador de Juiz de Fora.
Dificuldade? Foi só o que tive. As informações não estão organizadas.
Muitas vezes encontrei os processos por pura sorte. Outras, dependi da boa
vontade de muitos. A minha mãe sempre diz que acha que as vítimas “me
ajudam”. As vezes é tão difícil e a solução tão mágica, que eu acabo
acreditando nisso!
-
Quais os seus futuros
projetos?
Se
for possível, acabar o livro sobre o crime Von Richthofen antes do julgamento.
Se não for, quero estudar as crianças que matam.
-
Muitos ficcionistas escrevem para tentar lidar com a desordem emocional que
ele(e todos nós
) vivemos e nos encontramos. E no caso dos que escrevem “fato”, como você,
na temática que pesquisa, e´ para saciar a própria curiosidade ou
exorcisar seus próprios demônios?
Na
medida em que você sacia a curiosidade, e a minha é imensa, você também
exorciza os demônios. E eu exorcizei demônios! A violência urbana do nosso
dia-a-dia é o que causa pesadelos, e não a busca de conhecimento da mente
humana. Talvez entendendo os fatos seja possível modificá-los. Nunca encaro
este assunto com frieza; também me revolto, esbravejo e não me conformo. Mas
nos momentos mais difíceis me lembro que os mortos precisam contar sua história,
muitas vezes interrompida por um “ser humano” cruel e violento. Este lado
bestial de nós não é discutido no Brasil, apenas aparece quando casos como o
do Maníaco do Parque estão no auge. Acho essencial percebermos através dos
casos mais extremos a importância de estudar e cuidar da mente humana e da
justiça no país. Fico perturbada ao assistir um filme “Hannibal”, onde
muitos ficam na torcida para que o assassino consiga escapar e acham “lindo”
seu gesto romântico, ou ainda quando vejo um jovem com o rosto do Charles Mason
estampado na camiseta. Mas quando deito a cabeça no travesseiro fico aliviada
por estar fazendo alguma coisa para que este conceito seja modificado!
- Quais foram os eventos mais
importantes que já ocorreram em sua vida?
Todos
os eventos têm seu lugar e importância, os bons e os maus. A somatória deles
fazem a pessoa que sou, e traçam o caminho que eu sigo.
- E atualmente, o que lhe é
realmente imprescindível, seminal?
A
verdade e a humildade. Aqueles que pararam de aprender e ainda querem ensinar são
os que mais incomodam. Os falsos e afetados deixaram de ter lugar na minha vida.
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Eu
acredito totalmente na Magia, na Cabala, ou como você quiser chamar essa força
desconhecida. Dizia um rabino que "a casa de Deus tem muitas portas, você
pode entrar por aquela que desejar". Concordo com o Padre Quevedo quando
ele diz que existem vigaristas que exploram a ingenuidade de muitos, mas é
certo que os grandes estudiosos sabem que os caminhos do desconhecido são
infinitos. Já tive muitas provas de “forças maiores” que atravessaram e
sinalizaram meu caminho, mas este é assunto para o meu último projeto, lá no
fim da estrada.
-
Quais sites da web você visita com freqüência?
-
Qual foi a experiência mais louca que você já experimentou na vida?
Ir
fazer uma endoscopia com duração prevista de meia hora e acordar na UTI do
Hospital Albert Einstein 24h depois, entubada e desenganada. Até eu entender o
que tinha acontecido, demorou.
-
Qual foi o sonho mais louco que você já teve?
Escrever um livro que desse
certo e me proporcionasse caminhos para o conhecimento.
-
Tem alguma pergunta que não foi feita mas que, por você ter algo realmente
interessante a acrescentar, você gostaria de responder?
Não, José Carlos. Acho que
esta é uma das entrevistas mais profundas e completas que já respondi. Foi uma
grata surpresa, pois, de forma geral, as pessoas lidam com o assunto de forma
superficial e pasteurizada. Cansei de responder “qual caso mais te
impressionou?” ou “você conversou com a Suzanne Von Richthofen?” etc.
Adorei a oportunidade de poder expressar meu pensamento de forma digna e não
sensacionalista.
Obrigada, Ilana, por compartilhar conosco um pouco do seu precioso tempo.
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