ALAN MOORE     Senhor do Caos  /   Lord of Chaos
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Entrevistas  /  Interviews


J.M.TREVISAN, ROTEIRISTA, ESCRITOR, EDITOR, CRIADOR DE RPGs E D.J.                                                          

                                                                                           por Jose Carlos Neves

Quando comecei a navegar e a garimpar material na Internet, há alguns anos, o primeiro objeto de minhas “pesquisas” foi logicamente o autor Alan Moore. Buscava material inédito de e sobre ele, preferencialmente em Português.

  Não tive muito sucesso, mas um material que me chamou a atenção foi a tradução do famoso ensaio do mestre – recém-lançado em formato livro, pela Avatar Press - “On Writing for Comics”, postado no Site de um tal J.M.Trevisan.

Na sua “justificativa” ele escreveu:” Alan Moore é, sem dúvida, um de nossos maiores roteiristas na atualidade.  Este inglês de ar soturno, marcou presença na história das HQs mundiais com pelo menos três obras de valor inestimável: Watchmen, V de Vingança e A Piada Mortal. Sua narrativa quase literária e seus personagen sextremamente humanos cativaram milhares de leitores ao redor do mundo.Alan Moore On Writing For Comics foi publicado no Comics Journal, em 1988  e é um verdadeiro tratado sobre a arte de se escrever quadrinhos. Ao longo do texto, Moore descreve seus métodos e preferências dando dicas valiosas tanto para novatos quanto para veteranos.

 A tradução para o português foi feita por Fernando Aoki (um de meus mentores, embora tenha se perdido entre as dezenas de bons roteiristas e desenhistas vítimas da falta de condição de mercado na década de 80) à  partir de um exemplar emprestado por Klébs Junior. Ponderei muito antes de  colocar ...On Writing no ar (afinal, técnicamente trata-se de pirataria) mas creio que os benefícios do ato são compensam os prejuízos.

Se você pretende ser um roteirista ou simplesmente é um admirador do  trabalho de Moore, obrigue-se a ler ...On Writing (de preferência com A  Piada Mortal ao lado. Metade das técnicas explicadas por Moore podem ser encontradas nessa edição). O texto será disponibilizado aos poucos, na  forma de capítulos.

Espero que todos possam aprendender um pouco com o "mestre", do mesmo modo que aprendi...”(Nota: este texto clássico, já traduzido, encontra-se disponível no site-irmao www.alanmoore.cjb.net de Francisco Claudio Barros – JCN )

Depois, ao folhear exemplares das  revistas de RPG,  DRAGÃO BRASIL e TORMENTA, do meu filho, descobri que o mesmo era Editor-Assistente das mesmas.

Mais tarde soube que ele foi o co-criador dos personagens da  HOLY AVENGER, além de roteirista,  DJ, contista e ex-professor de história em quadrinhos.

Tentei  contata-lo  visando conseguir cópias do ensaio original de Moore, mas o site havia “dado pau” e o máximo que pude fazer foi mencionar o artigo e o Link em meu primeiro site (www.josecn.hpg.ig.com.br) . Portanto, é com prazer agora que consigo entrevistar este paulistano que tem sua “base-de-operação” na Lapa e, segundo sua própria “apresentação” tem como “Manias estranhas: sair pulando pela sala quando ganha um campeonato ou gritar palavrões para o computador quando perde (jogando Championship Manager). Também tem a estranha mania de elaborar planos de conquista  mundial sob o pseudônimo de Dr. Careca. “ Vamos lá.

  -Trevisan  , para iniciar faça-nos  sua apresentação: “J” e “M “de quê ? Idade, onde nasceu e cresceu, estado civil, filhos, formação acadêmica e profissional.

  TREVISAN: Nossa. Quanta coisa! Vamos lá. Meu nome completo é José Mauro Trevisan por causa do escritor José Mauro de Vasconcelos, do qual meus pais são fãs (irônico, huh?) e completo 28 anos em janeiro próximo. A abreviação vem mais por sonoridade do que por qualquer outra coisa. Nasci e cresci no bairro de Pirituba, em São Paulo, capital. Sou solteiro, formado em Publicidade e Propaganda pela Faculdade Cásper Líbero, além de ter freqüentado o finado curso de histórias em quadrinhos do SESC Pompéia durante dois anos. Profissionalmente trabalho com RPG na editora Talismã (antiga Trama) há cerca de oito anos. Também publiquei histórias curtas em quadrinhos e uma variedade de contos, todos nas páginas da revista Dragão Brasil.

  -O quê e quando iniciou seu interesse pela Literatura, Quadrinhos e Cultura em geral?

  TREVISAN: Leio desde pequeno, mas me lembro de um ponto crucial que me fez começar a escrever. Além de adorar quadrinhos, sempre fui incentivado pela escola e por meus pais. Depois de ler um livro infantil sobre dois coelhos detetives (sou louco pra lembrar o título e caçar um exemplar!)  resolvi que escreveria minhas próprias histórias. Com 9 anos já escrevia contos enormes nas aulas de redação. Foi nessa época que escrevi um conto de pseudo-SCIFI em 42 páginas de caderno, o que impressionou bastante meus pais e a diretoria da escola (mas não se iludam rapazes: a história era tão rala quanto piscina de criança em prédio de apartamentos). Desde então não parei mais.

  -Na infância você lia muito, tanto HQ quanto Literatura mainstream? Pode citar autores e obras que o influenciaram?

  TREVISAN: Cheguei a ter contato com Alice no País das Maravilhas, a versão original mesmo, quando era bem pequeno. Mas minha primeira autora preferida foi Agatha Christie. Lia dois livros por semana, no mínimo.  

-Como se iniciou profissionalmente no gênero e qual foi sua primeira atividade?

  TREVISAN: Depois do curso do SESC montei um fanzine chamado Zine Insano, do qual faziam parte alguns amigos (incluindo Evandro Gregório, que hoje desenha para editoras americanas). Mostrei uma história curta para o Marcelo Cassaro, editor da Dragão Brasil e ele gostou bastante. Depois disso “empurrei”  um conto chamado “O Paladino e a Ladra”, que também agradou. À partir daí comecei a fazer trabalhos freqüentes para a revista até me tornar Editor-Assistente.

  -Quando foi seu primeiro contato com o trabalho de Alan Moore e  qual obra lhe causou algum impacto especial?

  TREVISAN: Não me lembro bem, mas acho que foi a série Monstro do Pântano. Mas a primeira a me impressionar foi A Piada Mortal. É uma história simples mas ao mesmo tempo profunda com personagens que nem sempre são tratados com tanta maestria. Foi a primeira vez que notei as técnicas de narrativa e estrutura que viriam a me influenciar tanto.

  -Qual trabalho do mago bardo de Northampton que você considera sua obra-prima e porquê?

  TREVISAN: Normalmente eu digo que há um empate técnico entre Watchmen e V de Vingança. Mas V tem algo a mais pra mim. Em V, Moore ensina política sem que você perceba que está aprendendo alguma coisa. É anarquia pura. Eu odeio política e já li a série umas 10 vezes!

-Ao seu ver, quais foram as inovações mais importantes do autor? Especificamente sobre Watchmen e sua instigante forma narrativa – já apelidada de O Cidadaõ Kane da Nona Arte  – o que tem a nos dizer?

  TREVISAN: Watchmen é uma série perfeita. A história, o desenvolvimento dos personagens, a narrativa. Tudo é extremamente equilibrado e funciona de maneira impecável. É o tipo de obra que você precisa ler umas 20 vezes para começar a perceber os pequenos detalhes. Watchmen, como Sandman, cresce e melhora conforme você vai ficando mais velho: hoje quando a releio sou capaz de encontrar referências e nuances que não percebi anos atrás. Conseguir isso numa obra é extremamente difícil.

  -E From Hell, você acha que Moore conseguiu atingir plenamente seu intento de forjar em uma BD o caldeirão que nos preparou o Século XX, com toda sua paranóia, conspirações, contradições, horror e beleza?

TREVISAN: Hmm...vou ter que passar essa. Infelizmente ainda não tive a oportunidade de ler From Hell.

- O que você achou da versão cinematográfica de From Hell e o que espera da de Liga dos Cavalheiros extraordinários?

TREVISAN: Embora não tenha lido From Hell acho que da pra opinar. Acho que o que aconteceu com os dois filmes foi algo meio parecido: alguém da indústria cinematográfica leu as duas séries, gostou da idéia e teve vontade de fazer filmes com o mesmo conceito. Pra evitar um processo por plágio, os estúdios resolveram comprar os direitos e, à partir daí, tomar as liberdades necessárias. Acho que foi isso. Não vi a Liga, mas parece bem claro pelo trailler que eles sequer tiveram a intenção de fazer algo parecido com a história contada no quadrinho.

-Ainda a propósito, o que você pensa da Magia?

TREVISAN: Geralmente não costumo tomar posições absolutas sobre esse tipo de assunto...não posso dizer que acredito totalmente. Mas também não duvido. Digamos que já tive uma ou outra experiência razoavelmente mística...

  -E de Big Numbers a inacabada magnus-opus, a Teoria do Caos, os Fractais? Você acha que uma HQ tem a capacidade de abarcar tamanha complexidade e ser compreendida?

  TREVISAN: Acho que sim. O tema é absurdamente interessante. Sempre tive vontade de escrever algo que englobasse a minha visão da teoria do caos. Sobre atos pequenos e suas conseqüências em cadeia que vão se multiplicando e aumentando de intensidade até resultar em algo extremamente distante do evento original. Quem sabe um dia...

  -Já leu alguma obra do filósofo-matemático soviético P.D.Ouspenski ou de seu mentor, Gurdjief? O que pensa sobre elas?

  TREVISAN: Hmmm...não. Tenho sérios problemas com filosofia e matemática. Uma é pouco prática e a outra muito complexa. Pelo menos para a minha mente simplória.

-Quais suas considerações sobre o Tempo? Você o pensa como a quarta dimensão do espaço,como preconizado por Einstein ou tem uma outra visão?

  TREVISAN: Vai ser meio complicado explicar...mas para mim o tempo parece uma coisa maleável, em movimento. É engraçado como às vezes duas coisas que aconteceram na mesma época parecem ter acontecido em épocas diferentes. Por exemplo: vejo minha ex-namorada uma vez por ano, mas quando isso acontece parece que não se passaram dois dias desde a última vez. Ao mesmo tempo sei que me esqueci de várias pessoas que conheci semana passada. Às vezes o tempo se embaralha na minha cabeça...talvez cada um perceba o tempo de uma forma diferente... (eu disse que isso ia ser complicado!:)

  -Como você imagina um objeto ( o famoso “Tesserato”) ou ser da 4ª Dimensão se o mesmo pudesse aparecer em nossa realidade tridimensional?

  TREVISAN: Acho difícil até imaginar um ser desses. Fico curioso em saber como seria...que tipo de percepções teria, que tipo de comportamento. Isso dá o que pensar.

  -Pergunto isto porque, como escritor de RPG e tramas de Magia e Fantasia, você parece ser um interessado leitor , também, de Filosofia e extrapolações científicas e esotéricas. Estou certo?

  TREVISAN: Pode parecer estranho...mas não. Nunca fui muito teórico. Gosto de pesquisas, mas apenas como um pequeno ponto de partida. Gosto de fazer minhas próprias extrapolações científicas e basear minhas histórias em suposições filosóficas fora do circuito acadêmico. No final das contas, sem querer o que você pensou de bobeira acaba se encaixando no que um filósofo disse há 50 anos atrás e você nem sabe disso! É um método caótico, mas é como eu gosto.

  -Em termos de Roteiros para Quadrinhos especificamente, qual considera o melhor que já escreveu e porquê?

  TREVISAN: Existe uma história curta de 4 páginas desenhada pelo Gregorio chamada Happy Hour. Foi publicada numa Dragão Brasil ou Só Aventuras. Não me lembro exatamente. É uma das minhas favoritas porque escrever um história de 4 páginas é bem difícil. Você tem pouquíssimo espaço para apresentar a trama, criar empatia com o personagem e fechar o enredo de modo satisfatório. Acho que em Happy Hour tudo se encaixou perfeitamente. O final sarcástico, quase trágico caiu como uma luva.

  -Como você desenvolve seus roteiros digamos assim, passo-a-passo, para que também o roteirista amador possa “se situar”nesta questão? E quais recomendações passaria a um iniciante?

  TREVISAN: Sou do tipo que evita se meter no que o desenhista vai fazer. Por isso evito me envolver na diagramação. Dou poucos detalhes. Em geral descrevo os personagens e divido a história em “cenas”. À partir dessa descrição o desenhista tem a liberdade de desenvolver a história como bem entender. Assim, se o quadrinho envolve um batalha dentro de uma igreja abandonada o que eu faço é anotar alguma referência do tipo:

  “Personagem 1 e 2 brigam dentro de uma igreja abandonada. Vários bancos já estão revirados, no teto há buracos por onde passam os raios da lua, os vitrais foram apedrejados há muito tempo e algumas imagens de santos resistem em seus pedestais como fantasmas rachados.”

  À partir daí fica à cargo do desenhista desenvolver as cenas e os ângulos. Esse é o modo como eu gosto de fazer mas nem sempre é possível Quando há um número de páginas definido é dever do roteirista fazer essa divisão pra facilitar o trabalho do ilustrador e ter uma noção de espaço para que a história não fique corrida ou lenta demais. Ainda estou treinando este método.

  Quanto aos iniciantes. O importante é ler. Não só quadrinhos, mas literatura também. E quando digo literatura não é o que os outros dizem que literatura é: leia o que te interessar. Eu sou fã de Stephen King e aprendi a escrever diálogos através dos seus livros, mesmo com os pseudo-intelectuais metendo o pau nas histórias do cara. Ao mesmo tempo sou fascinado por Shakespeare. O bom quadrinhista tem que saber absorver o melhor de tudo: desde o manga até a novela da Globo.

  -Sobre leituras específicas, o que já leu e o que recomenda? – digo em termos de “técnicas de roteirização”, como os conhecidos livros Roteiro, de nosso Doc Comparato.

  TREVISAN: O melhor ate hoje foi On Writing. Existem coisas muito legais na Internet também...as colunas que o Warren Ellis costumava escrever contém dicas bem interessante. No momento estou lendo “ Como Resolver Problemas de Roteiro”, do Syd Field.. Outra leitura importante são os livros do Scott McCloud “Desvendando os Quadrinhos” e “Reinventing the Comics”, além da obra-prima “Quadrinhos e Arte Seqüencial” do papa Will Eisner.

  -Sobre RPG o que você acha que explica esta verdadeira “febre”que envolveu tanto  os jovens e crianças principalmente – e às vezes at;é com resultados funestos, como o grupo de jogadores que assassinou uma colega aqui no Interior de Minas, seguindo as “regras”de um jogo ?

  TREVISAN: A Febre do RPG aconteceu no início dos anos 90 e depois disso o mercado estabilizou. Somos um dos poucos numa posição razoavelmente confortável. O RPG é um meio de entretenimento que permite que você vá além do quadrinho, da literatura e do cinema no sentido de vivenciar a experiência. Quem nunca viu Star Wars e quis ser o Han solo ou o Luke Skywalker? O RPG te permite isso e é esse fator é que fascina tanto. A história dos assassinatos foi uma exploração sensacionalista. No final das contas o assassino sequer sabia o que era RPG. Acho que como em qualquer coisa, o exagero também pode causar prejuízos, mas até hoje não ouvi nenhum depoimento verídico de um caso extremo como esses.

  -Alan Moore fala muito do Ideaspace, onde tudo é possível e tudo pode acontecer, justamente aquele “espaço mental” em que, segundo único, se tem um lugar onde deuses e demônios existem e atuam incondicionalmente e com certeza, seria nele. Poderia se dizer que a realidade virtual também seria um desses espaços, mas a VR também é criado na mente. Não seria o RPG um beco – ou subterrâneo – da Ideaspace? Algumas práticas do RPG não se coadunam, ao seu ver, com alguns rituais de Magia, que poderiam alterar de alguma forma, ainda que inofensiva, a consciência ou a psique dos praticantes? Elabore sobre isto. Será muito interessante.

  TREVISAN: Eu acho que não. Vejo o RPG como um exercício conjunto de criatividade, um entretenimento como jogar futebol ou videogame. Não mais que isso. Alguns vêem como arte. Outros como um ritual maligno. Sou bem simplista nesse caso. O RPG é uma evolução das brincadeiras de criança. Garotos brincando de polícia e ladrão na deixam de estar jogando uma forma primária de RPG. Meninas brincando de casinha também. Para mim RPG é só isso: diversão.

  -E Atualmente, o que tem escrito? Algum projeto profissional?

  TREVISAN: Na maior parte do tempo produzo material de RPG, mas tenho tentado resgatar algum tempo para os quadrinhos. Estou envolvido na arte seqüencial desde muito antes de me interessar por RPG, mas hoje as pessoas me conhecem apenas por causa do meu trabalho com o jogo. É uma vergonha.

  Tenho alguns projetos, como SPY (uma série contínua meio humor, meio ficção científica anos 50 e espionagem)e High Falls (sete histórias sobre o cotidiano de sete moradores de um prédio de apartamentos) que eu espero encaminhar ano que vem. Além disso, devo escrever um especial de Holy Avenger.

  - Sobre os nossos Quadrinhos,  o que acha que falta para nossa  produção ser alavancada de vez? Será que seria bons roteiros – pois bons desenhistas nós temos até para exportação, não é?

TREVISAN: O grande problema é que não existe um mercado de quadrinhos. Existe um punhado de heróis tentando publicar a qualquer custo. E só. Como você disse, desenhistas bons nós temos bastante, mas roteiristas bons são bem raros. E isso atrapalha. A mania de alguns desenhistas de acharem que sabem fazer roteiro também não ajuda muito (é o que eu chamo de síndrome dos anos 90). Há uma tradição no Brasil de se ignorar o roteirista. Na maioria das editoras o pagamento pra esse tipo de profissional nem é previsto no orçamento e, se o é, trata-se de uma quantia ínfima (e mesmo o pessoal envolvido com arte não ganha grande coisa). Quando digo que escrevo quadrinhos os leigos perguntam se sou eu que “coloco as palavras nos balões”. Muita gente acredita que fazer quadrinhos é desenhar. E não é. Acho que esse é um dos problemas mais graves que enfrentamos. O resto está um pouco além de nossas forças. Coisas como situação financeira do país, disposição das editoras, etc,etc,etc....

  -Quais suas considerações sobre o trabalho de desenhistas nacionais de projeção, como o Mestre Mozart Couto, o velho samurai Shima, o inovador Mutarelli, o nosso outro mineirinho Marcelo Lellis, e os não tão em voga na área comercial, Rodval Matias, Watson Portela, Mano – sabe do paradeiro deste? -  e Olendino Mendes?

 TREVISAN: Quando eu comecei a me envolver com HQ parte desse povo era o Olimpo do quadrinho nacional. Época de Porrada Special e outras revistas. Mas o mercado é tão estranho que hoje em dia esses caras, que deveriam estar no auge, com status de super-star, estão no mesmo patamar de muita molecada que começou agora. Tudo isso porque o mercado de quadrinhos brasileiro é obrigado a seguir o que é vendável pra se manter vivo e não tem um histórico de preservar seus medalhões. É lógico que todo mundo respeita o Shima, o Watson e o Mozart, mas você não vê uma editora correndo atrás dos caras pra oferecer um título mensal como acontece nos Estados Unidos com os artistas que produziam na mesma época.

  -O que achou de nosso modesto Site e quais as suas sugestões para aperfeiçoa-lo?

  TREVISAN: O site é bem completo, o que me chamou a atenção logo na primeira vez. Particularmente achei o máximo a idéia de colocar alguns trechos dos roteiros originais. Foi no mínimo instrutivo. Espero que você possa continuar com o bom trabalho que vem desenvolvendo até aqui.

  -Finalizando,amigo, o que você acha que o mago dos Quadrinhos irá fazer agora que pretende pendurar as  chuteiras depois de faturar – mesmo sem querer – com as hollywoodianas versões de From Hell e Liga dos Cavaleiros Extraordinários?

  TREVISAN: Sinceramente? Não acredito que ele vá pendurar as chuteiras. Um escritor só para de escrever quando morre. Ou morre se parar de escrever....

Obrigado, Amigo.

TREVISAN: Eu é que agradeço a oportunidade.