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Artigos / Articles
MIDIOLOGIA DAS MENSAGENS SUBLIMINARES
NAS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS
Flávio Mário de Alcântara Calazans
RESUMO:
Panorama do “Estado da Técnica” da Semiótica e Midiologia Subliminares;
estudo de casos onde Técnicas subliminares são identificadas e classificadas
na História em Quadrinhos de autores brasileiros como Luiz Gê e Watson
Portela.
Outros autores internacionais como o norte-americano Will Eisner e o inglês Alan Moore admitem usar mensagens subliminares.
As cores são aplicadas para guiar o ritmo de leitura, tornando as imagens sexuais do cenário pintadas em cores frias, um fundo
subliminar, enquanto ao mesmo tempo, as personagens pintadas em cores quentes são
focalizadas - figura.
Outras tecnologias mais sutis podem ser empregadas em charges editoriais sequenciadas com objetivos político-ideológicos ou presentes
inseridos nos quadrinhos como merchandising de produtos .
Palavra-Chave: Subliminar-Midiologia- Histórias em Quadrinhos.
(obs:publicado originalmente na revista Líbero, da
Faculdade Casper Libero- Ano V - Vol.5- N.9-10)
SUMMARY:
Panorama of the "State of the Technique" of the Semiotics and Mediology
Subliminal; study of cases where subliminal Techniques are identified and classified in the Brazilian authors' Comics, like Luiz Gê and Watson
Portela.
Other international authors as the North American Will Eisner and English Alan Moore admit to use subliminal messages.
The colors are applied to guide the reading rhythm, turning the sexual images of the scenery painted in cold colors, a subliminal bottom ,
while at the same time, the painted characters in hot colors are focused -
illustration.
Other subtler technologies can be used in political cartoons editorials with political-ideological
objectives or presents inserted in the frames as "merchandising" of products.
Key word: Subliminal, Mediology , Comics, Cartoons.
EL RESUMEN:
El panorama del Estado de la Técnica del Semiotics y Mediology Subliminal; el estudio de casos dónde se identifican las Técnicas
subliminales y clasificaron en las Historietas de los autores brasileños, como Luiz
Gê y Watson Portela. Otros autores internacionales como el Will Eisner norteamericano y Alan Moore inglés admiten para usar los mensajes
subliminales.
Los colores se aplican para guiar el ritmo de lectura, mientras volviéndose las imágenes sexuales del paisaje pintadas en los colores
fríos, un fondo subliminal, mientras al mismo tiempo, se enfocan los carácteres
pintados en los colores calientes - la ilustración.
Pueden usarse otras tecnologías más sutiles en los editoriales de los dibujo animados políticos con objetivos político-ideológicos o regalos
insertados en los marcos como "comerciar" de productos.
La palabra Chave: Subliminal, Mediology, las Historietas, Charges.
RÉSUMÉ:
Panorama du "État de la Technique" des Sémiotiques et Mediology Subliminal; étude de cas où les Techniques subliminales sont
identifiées et ont classé dans les Bande Dessinée des auteurs brésiliens, comme Luiz Gê et
Watson Portela. Autres auteurs internationaux comme l'américaine du nord Eisner et
l'anglais Alan Moore admettent utiliser des messages subliminaux.
Les couleurs sont appliquées pour guider le rythme de la lecture, en tournant les images sexuelles du décor peint dans couleurs froides, un
fond subliminal, pendant qu'en même temps, les caractères peints dans les couleurs
chaudes sont concentrés - illustration.
Les autres technologies plus subtiles peuvent être utilisées dans les éditoriaux des Charges politiques avec objectifs politique idéologiques
ou présents insérés dans les cadres comme "faire du commerce" de produits.
Mot clé: Subliminal, Mediology, Bande Dessinée,.
1 ) - INTRODUÇÃO
A questão da percepção de estímulos subliminares, ou seja, as mensagens não percebidas conscientemente mas que causam efeitos no
inconsciente dos receptores, é uma questão que vem sendo pesquisada desde Demócrito
(400 a.C.), passando por Leibniz e Montaigne, entre outros intelectuais de diversas
épocas e países.
Objeto de estudo da Psicologia Experimental e da Ergonomia, os subliminares vêm sendo medidos estatisticamente até sua bem sucedida
aplicação clínica nos anos 60 pelo Dr. Silverman na cura da obesidade, tensão
pré-menstrual e tratamento de impulsos e práticas relacionadas ao homossexualismo
e indesejadas pelos pacientes, com o aparelho programador taquistoscópio (tecnologia adaptada para videocassetes por Beckers) e efeitos de pisca
(Flicker) em altas velocidades, em um enfoque voltado aos efeitos nos sujeitos receptores expostos ao sinal-signo subliminar individualmente e com
acompanhamento em condições de laboratório.
Por outro lado, outra linha de pesquisa não-estatística desenvolve estudos do subliminar com base na Psicologia Analítica de
Jung, na Semiótica , Midiologia e na psicologia da Gestalt.
Esta linha de pesquisa permite analisar as mensagens contidas nas Histórias em Quadrinhos (HQ's) aprofundando análises de conteúdo.
Objetiva-se analisar as mensagens subliminares nas HQ's brasileiras , dentro do recorte histórico delimitado dos anos 70 aos
anos 90; fazendo-se uso de uma releitura da metodologia desenvolvida originalmente nos
anos 70 pelo psicólogo canadense, PhD Wilson Bryan Key, com base na segunda linha de pesquisa dos subliminares citada acima.
As Histórias em Quadrinhos ( HQs) , tal qual o Cinema, são tanto uma forma de expressão, um bem cultural quanto um produto de
mercado oriundo da revolução industrial, e como integrante da Grafosfera ( Segunda
Idade Midiática) requisitam um parque gráfico editorial e uma estrutura de distribuição física até o
ponto de venda no qual são adquiridos pelo consumidor-leitor.
Devido a sua aparentemente inocente função de entretenimento, as HQs podem vir a ser empregadas para o envio de mensagens
subliminares, em uma pesquisa de tipologia exploratória na qual são recolhidos e
decupados-analisados espécimes midiáticos que venham a falsear ou corroborar a
hipótese intuitiva da presença destas mensagens.
Outra metodologia de apoio é a Observação Participante , na qual estou inserido na midiosfera analisada tanto como consumidor das
mensagens-signos culturais quanto como no papel de produtor de quadrinhos autorais desde
1979 na revista alternativa “BARATA” e como atuante em lides de classe
da AQC ( Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas) como Diretor Executivo
( eleito em 1986) bem como desenhista e roteirista profissional com trabalhos publicados na Editora Abril ( Revista “Aventura e Ficção” n.19) e na
revista Heavy Metal, entre outras de circulação nacional e em tiras de jornal,
tendo contato pessoal com os bastidores da produção dos autores brasileiros.
2) Da Semiótica Subliminar à Midiologia Subliminar.
Um dos aspectos que vem sendo mais negligenciado nas pesquisas sobre
os meios de comunicação de massa é justamente a questão dos mecanismos da mensagem
subliminar, uma linha de pesquisa cercada de preconceitos, “tabus” , desinformação e ignorância, sendo um aspecto até mesmo omitido e
apagado da História por alguns pesquisadores.
Há autoridades acadêmicas cuja reputação referenda e reforça uma postura predisposta por parte de alguns jornalistas e outros
comunicadores tendendo a mistificações ou abordagens superficiais, sensacionalistas
...ou até mesmo posturas anti-éticamente comprometidas com interesses de anunciantes e
patrocinadores dos jornais, revistas , rádio e TV que fazem uso desta tecnologia subliminar comercial e eleitoralmente , escondendo o
estado da técnica subliminar dos telespectadores, leitores e ouvintes.
Devido a este quadro teórico lacunoso, fazem-se necessárias algumas digressões e recapitulações no intuito de esclarecer melhor alguns
aspectos do corpo teórico da tecnologia subliminar.
A Semiótica Subliminar tem seus precursores no filósofo grego Demócrito ( 400 A.C.) que primeiro afirmou que nem tudo o que é
perceptível pode ser claramente percebido, tema continuado por Platão no “Timeu” e
detalhado por Aristóteles na obra “Perva Naturalia” com a teoria dos “Umbrais
da Consciência”, continuado até por Montaigne em 1580 e Leibniz em 1698 com as “ Percepções inadvertidas que tornam-se óbvias por meio de suas
consequências” , sendo que os estímulos subliminares começam a ser mensurados
quantitativamente pelo contemporâneo de Freud, Doutor Poetzle , que em 1919 estabelece a relação estatística de causa-efeito entre estímulo
subliminar e reação fisiológica; seguidos de Teóricos da Comunicação como o
canadense Marshall MacLuhan e o italiano Umberto Eco ; até mesmo no Brasil, pesquisadores
do porte e reputação do físico Mário Shemberg e do Filósofo das novas tecnologias Vilém Flusser abordam as tecnologias subliminares em suas
obras.
Entretanto, apenas em junho de 1934 a tese de doutorado de Collier em Psicologia Experimental detalha os esquemas de construção de um
projetor de
diapositivos de alta velocidade , o Taquicoscópio ( Táquion em grego significa
veloz e escópio é visor-projetor) cujas imagens chegam a 1/3000 de segundo, causando reações fisiológicas ao sinal subliminar.
Por outro lado, a Midiologia Subliminar tem o primeiro registro histórico entre os Meios de Comunicação de Massa na Videosfera com a
mídia eletrônica urbana Cinema, em 1956, quando a firma de Jim Vicary , “Subliminal
Projection Company” faz uso do taquicoscópio projetando a cada 5 segundos sobre
o filme “Picnic” a frase “Beba Coca”, na velocidade de 1/3000 de segundo
cada vez, aumentando em 57,7% as vendas no intervalo.
Já em 22 de junho de 1956, a BBC de Londres realiza, sob a supervisão técnica de James McCloy, a projeção de mensagem subliminar na
velocidade taquicoscópica de 1/25 de segundo com objetivo de pesquisar reações nos
telespectadores.
Somente em 1974 há registro de adaptação da tecnologia subliminar à televisão com objetivos comerciais, quando a frase “Compre-o” foi
inserida sobreposta ao “frame” 4 vezes durante o comercial de 30 segundos do
jogo para crianças “Kusker Du” nos Estados Unidos da América..
Beckers adapta a tecnologia subliminar às fitas de videocassete em 1985 para fins terapêuticos , e em 1990 já havia “softwares”( programas de
computador) inserindo mensagens subliminares nas telas dos terminais dos funcionários para motivar e aumentar a produtividade; chegando a um
“frame”, uma varredura do canhão de raios catódicos pela tela do monitor, o
equivalente a uma velocidade taquicoscópica-subliminar de 1/30 de segundo.
Aqui cabe inserir um depoimento pessoal meu a respeito da eficácia midiológica dos sinais subliminares, pois ainda em 1990, no
“Laboratório de Telemática da Unisantos”, desenvolví e implantei com a equipe (Prof.
Silvio Ênio Bergamini Filho e a jornalista Paula Prata Vandenbrande) uma experiência
de pesquisa empregando o “Know-How” ( Savoir Faire ) desenvolvido durante 10
anos de pesquisa sobre tecnologias subliminares ( incluindo minha dissertação de mestrado e tese de doutorado em Ciências da Comunicação na
ECA-USP)..
Adaptamos ao “logiciel” (programa de computador) da rede Videotexto (
antecessora francesa da Internet) algumas destas tecnologias com o objetivo de aumentar a interatividade da rede, cujo potencial dialógico era
sub-utilizado, sendo lida monologalmente como as mídias de massa da época .
Desta maneira, com os sinais subliminares ( Pisca-Pisca de frases e cores ) obtivemos um aumento de acessos na ordem de 550% em relação aos
meses anteriores, subindo de 200 acessos/mês em fevereiro de 1991 para 1.100 acessos/mês em abril , mantidos em maio, provando os efeitos da
Midiologia Subliminar ( cf. Relatórios Estatísticos Telesp do Videotexto do Brasil, março
a maio de 1991).
Por meio desta metodologia de Observação participante pude abalizar tanto a linha de pesquisa estatística quantitativa quanto a outra linha
de investigação qualitativa dos estímulos subliminares.
Em Tecnologias da Luz como Fibra Optica, CDRom , e outros registros em LASER e/ou empregando linguagens de programação mais modernas o comando
“Delay” pode acelerar o sinal subliminar até um nível de “Pulso” imperceptível
e
taquicoscópico.
2.1) A Midiologia Subliminar explica o Pânico Pokemon:
-Desenho animado causa epilepsia no Japão.
Três eventos marcaram a história dos meios de comunicação do século XX:
1) A transmissão radiofônica de “Guerra dos Mundos” por Orson Wells em New
York, gerando fugas em massa e pânico;
2) A experiência de Jim Vicary em um cinema de New Jersey enviando mensagens com tecnologia taquicoscópica subliminar e aumentando em 60%
a venda de produtos no intervalo
3) E o Pânico Pokemon, Japão, que uniu os fenômenos de ambos os eventos
precedentes, terror em massa e tecnologia subliminar-taquicoscópica.
Terça-Feira, 16 de dezembro de 1997, 18 horas e 30 minutos em Tóquio, Japão:
começa a transmissão do desenho animado “Pokemon” ( inspirado no video-game da
Nintendo “Poket Monsters”), o episódio tem por título “Den no usenshi porigon”
( Guerreiro de Computador Porigon) , transmitido em rede por 37 emissoras.
Vinte minutos após o final do episódio, ambulâncias correm pelas ruas
recolhendo centenas de crianças, todas com os mesmos sintomas: ataques
convulsivos, vômitos, hemorragias, olhos injetados, vertigens, desmaios..
lembrando um grave ataque epilético.
Aparentemente, o canhão de raios catódicos da televisão pode vir a ser empregado como um canhão de guerra, não apenas de Guerra Psicológica,
mas
também de Guerra Psiquiátrica com efeitos fisiológicos na saúde pública.
Quando os telejornais repetiram as cenas do desenho, houve nova onda de
internações, confirmando o fenômeno horas depois, na mesma noite.
Embora as agências de notícias tenham sido vagas e contraditórias, graças a meu correspondente no Japão, Consultor em informática e
automação industrial-Robótica, José Eduardo Junqueira Tavares, pudemos descobrir
o que realmente aconteceu: 729 pessoas foram internadas , na maioria crianças e
adolescentes, mas incluindo universitários e donas de casa das idades entre 3 e 57 anos, todos com sintomas de Epilepsia Fotossensível.
Em pesquisa oficial, 12.950 estudantes faltaram às aulas nos dias seguintes ( dados apenas de Tóquio) e um grupo de pediatras e
psiquiatras confirma ser o desenho a causa das crises em massa.
Ora, a literatura médica registrou apenas meros 17 casos de epilepsia fotossensível de 1981 a 1997, cerca de um caso por ano, e naquela noite
729
internações em poucas horas na mesma cidade!
Em 1996 a Nintendo lançou o video-game apelidado “Pokemon” , vendendo 8
milhões de cópias, com um mercado de 2 milhões de cds musicais vendidos, revistas de histórias em quadrinhos, 300 milhões de cards-figurinhas,
bonequinhos, etc.. em uma fatia de mercado de 500 bilhões de yenes por ano.
Nesta semana antecedendo as esperadas vendas “record” do natal de 1996, o “Pânico Pokemon” derruba em 4,1% as ações da Nintendo na Bolsa de
Valores de Tóquio, é fácil compreender a desinformação e censura às agências de
notícias em cujos jornais, revistas e Tvs a Nintendo paga anúncios de seus produtos.
Tudo começou com técnicas hipnóticas para aumentar a identificação do telespectador, uma
técnica que os desenhistas de animação nipônicos conhecem como “Shigueki”, termo que designa um forte estímulo visual que prende
a atenção; uma subdivisão desta técnica é chamado “Paka-Paka”, o pisca-pisca,
luzes de determinadas cores piscando em velocidade taquicoscópica-subliminar, mais veloz que uma lâmpada de estroboscópio de dançeterias.
Quanto mais rápido as luzes piscam, maior a emoção , na Inglaterra é proibido por lei piscar luzes na TV mais rápido que 3 vezes por
segundo; no Japão a cada episódio experimentavam luzes mais rápidas.
Na noite do dia 16, o monstrinho roedor amarelo e preto “Pikachu” piscou suas bochechas 54 vezes em cinco segundos.
Aplicando-se minha fórmula de mensuração de subliminares, o dividendo quantidade de informação emitida ( 54 imagens) e o divisor tempo de
exposição à mensagem ( 5 segundos), obtem-se o quociente de 10.8 imagens por segundo,
ritmo taquicoscópico subliminar ( confirme no meu livro “Propaganda Subliminar
Multimídia”, terceira edição, editora Summus, página 30) .
Estas mais de dez imagens por segundo ocasionam um efeito que a MIDIOLOGIA SUBLIMINAR denomina “clutter” , saturação, overdose,
hipertelia, um processo cujo resultado foi a “Epilepsia Televisiva” conforme o
psiquiatra Yukio Fukuyama, uma nova doença epidêmica ocasionada em massa via satélite pelo
sinal da televisão.
As cores em sequência piscadas: Vermelho, branco e azul, nesta velocidade , causam o curto-circuito epilético, pois o vermelho ( 760
nanômetros) ondas longas, acelera batimento cardíaco e eleva a pressão sangüínea, libera adrenalina; o azul (450 nanômetros) ondas curtas,
reduz a pressão sistólica , acalma e relaxa, este dilema subliminar de mensagens com
efeitos opostos gera o efeito epilético chegando a alterar a química do sangue,
um sinal subliminar que é uma agressão física aos orgãos sensoriais.
Outros desenhos animados empregam a tecnologia subliminar “Paka-Paka”
, Sazae-San e até mesmo Doraemon, entre outros, abusam de recursos
computadorizados similares.
Como o estímulo subliminar incide binocularmente, tapando um olho com a mão pode-se bloquear o sinal, evitando, assim , o ataque epilético,única forma
de auto- defesa ao pisca-pisca subliminar cromático.
Porém, em novas tecnologias de imersão como a Realidade Virtual, como tirar os óculos ou bloquear o sinal a tempo? Ele ocorre em momentos de
climax emocional e atenção focada ao extremo.
Pokemon, pioneiro histórico nestas tecnologias taquicoscópicas cromáticas, estréia nos USA em 1998 com grande sucesso.
Em 1999 , fevereiro, a rede de televisão Record comprou os desenhos e ia pôr no ar no programa infantil “Eliana”, ... mas como eu tinha
apresentado
minha pesquisa sobre Pokemon no Congresso Lapic da USP em 1998, fui entrevistado pela jornalista Mariana Castro , saindo na Revista CONTIGO
da editora Abril, 2 de março de 1999, página 42, em reportagem-denúncia que consegue adiar a estréia, ao que somou-se outra entrevista minha ao
jornal ESTADO DE SÃO PAULO de domingo, 14 de março de 1999, o adiamento desta estréia
foi uma vitória histórica da cidadania no Brasil.
Lamentavelmente, menos de 6 meses após a estréia Pokemon era uma febre midiática e modismo no Brasil a exemplo do ocorrido no Japão e USA.
Histórias em Quadrinhos de Pikachu e dos 151 Pokemons atravancam bancas de jornal e livrarias, e brinquedos lotam as lojas no natal de 1999 no
Brasil, Estados Unidos da América e Japão, o desenho animado longa metragem bate
recordes de bilheteria nos USA.
2.2) AS MENSAGENS SUBLIMINARES NOS QUADRINHOS BRASILEIROS
As HQ's assimilam toda a tecnologia de expressão plástica desenvolvida por todas as escolas de arte e teorias estéticas, entre as
quais as técnicas de embutir imagens subliminares que remontam a Hans Holbein, em "O
Jovem" (1533), Brüeguel, Dalí e tantos outros.
Em 1954, surge o polêmico livro "A sedução do Inocente", do D. Fredric Wertham, psiquiatra de New York que analisa a técnica de
inserção de "imagens no interior das imagens" e o subtexto sexual dos roteiros.
Seu exemplo mais famoso é o subtexto homossexual de Batman e Robin, mas também analisa o lesbianismo sádico da Mulher Maravilha e o
onanismo de Super-Homem, além da violência latente e sugerida, que o Comics Code
represou nos comics americanos até a década de 80, quando Frank Miller assume o
sadismo e a violência ao reformular "Batman - O Cavaleiro das Trevas", mantendo
a pedofilia, agora com uma Robin feminina de menor idade.
Os quadrinhistas da época macartista negavam empregar técnicas subliminares, mas o desenhista Will Eisner, que desde os anos 40 fazia
o "Spirit" e que criou o termo Graphic Novel (romance gráfico) para definir os álbuns europeus de HQ adulta, escreve décadas depois o livro
"Quadrinhos & Arte Seqüencial", onde às páginas 26 e 61 afirma:
"The arrangement of ballons... address oursubliminal understanding...Tilting of panels and lettering seeks to create thesubliminal effect..."
Eisner quer dizer que, enquanto a fóvea (parte central do olho, formada pelas células cones) foca a figura das letras nos balões, o
fundo, os desenhos e cenários, são percebidos subliminarmente, de relance, pela
visão periférica (pelas células bastonetes).
Desta forma, a Gestalt fornece o princípio de percepção figura/fundo que, associado ao conceito de subliminar de Jung, envia
mensagens icônicas, sinais analógicos ao Inconsciente Pessoal.
Ao observar os balões, focar neles a consciência, o tipo físico dos personagens, figurino e expressão corporal estereotipados ou
mesmo arquetípicos vão depositar-se no Inconsciente Pessoal, condicionando a compreensão e mesmo os atos e decisões do leitor.
Meio de comunicação exclusivamente visual, a HQ influencia o hemisfério direito do cérebro, especializado no processamento de
imagens, também na angulação e enquadramento, a linguagem cinematográfica na
qual uma câmera alta diminui e fragiliza o personagem, uma câmera baixa torna-o
grande, poderoso e ameaçador, e closes dão uma intimidade televisiva.
A Psicodinâmica Subliminar das Cores também é empregada, segundo a qual azuis tranqüilizam, vermelhos excitam, etc. Está
presente tanto em reflexos de spots teatrais como nos fundos dos cenários e em telas
de Websites e de CDRoms
O roteirista premiado de "Watchmen", o inglês
Alan Moore, no seu artigo "OnWriting For Comics", parte 3, no "The Comics Journal" nº
121, de abril de 1988, explica que:
"... an ability to think visually will allow you to plannumerous small subliminal elements that greatlyenhance the reader's peripheral enjoyments of thestory... subliminaly reinforcing the ideas in theactual narrative".
Alan Moore detalha e exemplifica como "plantar" subliminares no cenário e no fundo dos desenhos de modo que influencie a visão
periférica do leitor no sentido da mensagem, argumento ou moral da história implícito
no subtexto.
Um exemplo de HQ engajada ou "de Tese" é sua mini-série "V de Vingança", na qual Moore prega o terrorismo com um forte subtexto
anarquista, propagando dissimuladamente sua ideologia libertária revolucionária no
Inconsciente Pessoal dos leitores enquanto faz contra-propaganda do governo monarquista da Inglaterra, alternando um ritmo simples na diagramação
com experiências de vanguarda na ocupação do espaço da página, como na série "Monstro doPântano", apelando para a simultaneidade narrativa
a-linear do lado direito do cérebro do leitor e divulga mensagens ativistas ecológicas.
As HQ's podem ser empregadas para envolver subliminarmente os leitores, forçando uma empatia-identificação com personagens que leve a
uma compulsão de consumo de produtos.
Em 17 de janeiro de 1929, no jornal de New York "Evening Standart", na tira "Thimble Theatre", o autor Elzie Segar introduz o
personagem Popeye, que, ao comer espinafre enlatado, adquire força sobre-humana.
O publicitário Jorge Abid afirma que este foi um dos primeiros merchandising (termo usado no Brasil com o significado de propaganda
subliminar de produtos e serviços) que ajudou a acelerar o consumo de uma super-safra de
espinafre. Esta técnica valeu a Popeye uma estátua em Cristal City, no Texas, centro produtor de espinafre.
O freqüente emprego das HQ's nos panfletos de propaganda eleitoral no nível de vereadores, deputados e até mesmo governadores
comprova sua eficiência no Marketing Político, tanto para persuadir a decisão
de voto dos eleitores como para consolidar novos governos - como fez Mao Tsé Tung ao
empregar HQ's educativas na China após a Revolução.
Em “strip comics” (Tiras de jornal) no Brasil houve o precedente da série“Afagos Amargos” do jornal “O Estado de São Paulo”
oferecendo-se abertamente para inserir subliminares de anunciantes ( cf. Calazans, Propaganda Subliminar Multimídia, 4.ed., 1999, p. 79 ) ,
conforme anunciado no “A Gazeta Esportiva” de 15 de maio de 1988.
2.2.1) A SIGNAGEM SUBLIMINAR CROMÁTICA NOS QUADRINHOS BRASILEIROS DE WATSON
PORTELA.
“No decorrer desta década, houve uma transformação muito profunda no panorama global da arte (...) outras possibilidades se baseiam sobre
efeitos hipnóticos e psicodélicos bem conhecidos, inclusive percepções sublimanais.”
SCHENBERG, Mário, Caminhos da Arte Atual.
In: Pensando a arte, São Paulo, Nova Stella, 1988, p.203-205
“As cores penetram nossos olhos e nossa consciência sem serem percebidos, alcançando regiões subliminares, onde então funcionam.”FLUSSER, Vilèm, Ensaio sobre a fotografia: para uma Filosofia da
técnica.Lisboa, Mediações, 1998 , p. 82.
“A diferença entre quadrinhos em preto e branco e em cores é profunda, afetando
cada nível da experiência de leitura.”McCloud, Scott, Desvendando os quadrinhos. São Paulo, Makrom Books,
1995, p. 192.
O problema referente à mídia impressa “Histórias em Quadrinhos” tem por
base o corpus teórico da Semiótica Subliminar e da Midiologia Subliminar empregando a Gestalt e a psicodinâmica das cores para ser formulado:
Há algum quadrinhista brasileiro atuante no mercado que empregue ou tenha empregado técnicas subliminares cromáticas?
A isto responde-se com a hipótese: sim, embora sejam raras as oportunidades de publicação a quadricromia, a capacidade do
quadrinhista brasileiro de fazer uso da cor como elemento subliminar é altamente
provável e pode ser empiricamente provada pelo levantamento de espécimes no mercado
(pesquisa exploratória) e estudo de caso.
Objetiva-se provar a existência de pelo menos um espécime que seja demonstrativo do emprego de subliminar cromático nas Histórias em
Quadrinhos.
A metodologia empregada será de estudo de caso, no universo delimitado da produção de HQ colorida nos anos 80 e 90, no território brasileiro e
de autoria de desenhistas brasileiros.
A tipologia da pesquisa qualitativa será exploratória na primeira fase de levantamento, classificatória na segunda fase e o estudo de caso
dar-se-á na terceira fase do cronograma.
2.2.1.1) A SIGNAGEM SUBLIMINAR CROMÁTICA
As HQs vem assimilando estéticas e técnicas das artes plásticas e de outras mídias.
No período macartista os quadrinhistas negavam estas acusações de empregarem subliminares, porém, o desenhista Will Eisner, que desde os
anos 40 desenhava o personagem “Spirit” escreve nos anos 80 o livro “Quadrinhos
e arte seqüencial” no qual, à página 26 afirma que “The arrangement of
ballons... adress our subliminal understanding”.
Eisner afirma que enquanto a fóvea (parte central do olho, formada pelas células cones) foca a FIGURA das letras nos balões (leitura
digital-linear do hemisfério esquerdo do cérebro, vide Sperry, 1981, Prêmio Nobel) os
desenhos e cenários são o FUNDO subliminar (Gestalt, lei da FIGURA-FUNDO).
Ora, a isto soma-se o já citado depoimento do premiado roteirista inglês Alan Moore da série “Watchmen”, que no seu artigo
“On writing for comics”, parte 3, no “The Comics Journal nº 21”, Abril, 1988, expli
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Somando-se os depoimentos do desenhista Eisner e do roteirista Moore, percebe-se que estas conhecem o termo subliminar e o empregam
corretamente ao descrever as técnicas de uso dos balões e dos cenários, confirmando
Werthan.
No universo delimitado foi encontrada a revista “Interquadrinhos” nº 2,
de São Paulo, Editora Ondas, volume 1, que publicava HQ colorida nacional.
Entre os autores encontrou-se a HQ de título “Sol”, de 4 páginas (19 a
22) assinada pelo desenhista Watson Portela.
Watson demonstra conhecer HQ internacional, pois seu personagem “Falcão” é uma evidente referência visual a “Valerian”,
personagem de HQ de ficção científica francês, e o emprego de balões quadrados
lembra Tintin de Hergé e todos os expoentes do estilo linha clara da Bélgica.
Watson coloca os balões forçando o salto de olho do leitor a focalizá-los como figura em zigue-zague na página final (22), e o leitor
adolescente masculino ansioso por ler o final acelera seu ritmo de leitura, passando os
personagens e o cenário despercebidos, como ensina Eisner.
Observe-se o cenário de FUNDO do quadrinho 7, no qual uma vulva cinzenta mescla-se às rochas da caverna, oculta sob as cores quentes da
personagem feminina em primeiro plano, cujo vento ergue sensualmente a saia. Ora, o cinza é uma sensação acromática neutra e esta vulva escondida
confirma Werthan.
Já o quadrinho 3, a silhueta negra com reflexos vermelhos (vermelho é a cor de maior vibração, 610 a 760 nanômetros, seu tempo de percepção é
de 0,02 de segundo) sobrepõe-se às rochas iluminadas de cor amarela disfarçando
lábios vaginais.
Porém, no quadrinho 5 as cores quentes dos personagens (laranja = 590 a 610 nanômetros, tempo de percepção 0,1 de segundo) força
fisiologicamente as células cones da fóvea do leitor a focalizá-los como FIGURA (Gestalt) o
que deixa o cenário como FUNDO (azul= 450 a 500 nanômetros, tempo de 0,06 de segundo) indiferenciado, subliminar, são os “small subliminal elements”
de Moore estas mensagens sexuais.
Estas técnicas subliminares cromáticas enviam para o inconsciente do leitor os lábios vulvares abertos (à esquerda) e a cena de penetração
do pênis na vagina (à direita) durante o folhear rápido da leitura da HQ.
Tal espécime (a 4ª página da HQ “Sol” de autoria de Watson Portela) vem
comprovar a hipótese de haver mensagens subliminares cromáticas nas HQs brasileiras, o que, apropriadamente, permite considerar esta hipótese
plausível até pesquisa que venha falseá-la.
A HQ de Watson vem somar-se às teorias de Werthan e aos depoimentos de Eisner e Moore, bem como, ao corpo teórico anteriormente formulado (cf.
CALAZANS, 1991 e 92).
O emprego de cores com efeitos subliminares já era antevisto pelo filósofo da comunicação Flüsser e pelo crítico de arte e físico
Schenberg, e McCloud afirma que a HQ a cores afeta cada nível de experiência do
leitor, ou seja, isto inclui níveis subliminares.
2.2.1.1). CONSIDERAÇÕES SOBRE O CASO WATSON
A última página da HQ colorida “Sol” de Watson Portela, espécime coletado dentro da delimitação espaço/temporal do território brasileiro
nas décadas de 80 e 90 confirma a hipótese do uso de subliminares pelos autores
nacionais, sendo a evidência visual que serve de prova analisada segundo a metodologia do estudo de caso.
Futuras pesquisas poderão estudar outros espécimes até que seja possívelcorporificar massa crítica suficiente para formular um
paradigma, uma teoria para os sinais –estímulos subliminares cromáticos na HQ.
2.2.2) - A CHARGE SUBLIMINAR CENSURADA PELA DITADURAMILITAR.
No Jornal “Folha de São Paulo” de 22 a 30 de outubro de 1977 ocorreu
outro caso histórico nos anais da História Midiática dos Sinais Subliminares.
Nestes “Anos de Chumbo” da Ditadura Militar brasileira a Censura vetava material editorial, textos e ilustrações, que os jornalistas
substituiam por receitas de bolo e poesias- um código cujo subtexto o leitor identificava
como censura; um protesto sutil contra o cerceamento à liberdade de expressão e
à proibição do livre fluxo da mercadoria notícia.
A Charge é um espaço do jornalismo opinativo, e equivale a um editorial.
O Chargista Luiz Gê
detalha o caso anos depois em entrevista concedida à revista : “Mil Perigos” n. 3 de setembro de 1991, editora
Dealer, São Paulo, às páginas 38 e 39, segundo Gê:
“...a fase de censura da Folha. A charge era censurada, e eu comecei a fazer uma série de ilustrações para artigos de filósofos que tinham sido
colocados no editorial como forma de protesto.Eu tinha uma preocupação de não
descaracterizar o espaço da charge, que é geralmente um desenho que emite uma opinião. Então fazia uma ilustração que ninguém pudesse dizer que não
estivesse ilustrando o texto, mas que ao bater os olhos você entendesse o desenho
e aquilo passasse uma mensagem.”
O leitor frequente da mídia jornal foi condicionado a esperar, no verso da primeira página, uma charge editorial opinativa, uma
posição política sobre os fatos; recorde-se que a palavra “Charge” vem do humor
gráfico francês, sugnificando o verbo “Charger”, com o sentido semântico de
“Carga” ou ataque, e demonstra a interpretação do jornal sobre os fatos cotidianos.
Ora, Gê como experiente chargista, faz uso deste condicionamento para enviar aos leitores uma mensagem dissimulada ,
aparentemente ingênua se vista isoladamente, mas com uma rede de significados subliminares em nível de subtexto-contexto, o silogismo Entinema ( no
qual a ausência de uma premissa acarreta o desencadeamento da Lei da Completitude da
Gestalt, forçando o leitor a completar o sentido em um “output” inconsciente, é
o mesmo mecanismo psíquico que nos leva a passar despercebidamente sobre uma palavra digitada por nós mesmos na qual falte uma letra, o Princípio da
Totalidade gestaltico na prática.) em forma gráfica sequenciada.
O Chargista continua seu histórico depoimento:
“...comecei a publicar uma espécie de História em Quadrinhos de um quadro por
dia, uma sequência. Consegui fazer isto durante uma semana.Chegou um determinado ponto em que até o cara que era o censor mor do jornal já
estava gostando da idéia, curtindo....de repente veio uma ordem lá de cima : -
Gê está fazendo PROPAGANDA SUBLIMINAR .”
Neste trecho Gê registra a presença do censor oficial de plantão no jornal e
refere-se às autoridades militares de brasília ao citar a ordem “Lá de cima” , esfera competente na qual foi corretamente
identificada a técnica subliminar do chargista, que explica as consequências:
“Jornal é uma loucura, normalmente. Numa época de repressão então, é um absurdo. Conversei com o Bóris Casoy, que na época era o editor do
jornal, e ele me deu mais dois dias para terminar a história.
A seqüência começava com uns troncos retorcidos, meio antropomórficos, secos. O
texto se chamava Kierkegaard e o desespero ...no dia seguinte entra um lobo mau no meio da floresta. Aí os caras acharam que era PROPAGANDASUBLIMINAR
... as matérias dos dias seguintes eram uma sobre o fascismo e outra sobre Einstein .
Então falei com Bóris o seguinte: eu tiro a floresta, só que o lobo continua andando, carregando um feixe de lenha, que evidentemente caracterizava
o corte...tinha uma relação com o fascio, do fascismo. E no dia seguinte o lobo
chegava para o Einstein e dizia: Einstein, E=MC2 ! . Que era aquela coisa de democracia relativa, que todo mundo estava falando na época...o feixe
de lenha é o fascio, o lobo mau é a loba romana...”
Com um experiente “timing” e senso de oportunidade do momento, o chargista emprega subliminares da tipologia iconesa ( icone=signo
figurativo analógico, eso=dentro) denominada “Efeito Arcimboldo” ; criando a
floresta antropomorfica de pessoas retorcidas sofrendo, gritando, atormentadas-torturadas, cujas folhas vão caindo a cada quadro ( o Outono
desesperançoso e escuro) , e faz referências ao contexto da época associando por
contiguidade ( Eixo Sintagmático) o lobo mau fascista à ditadura militar censuradora;
e emprega o traço estereotipado do Lobo Mau da Indústria Disney que os leitores
estão familiarizados ( E a influência da Colônia Italiana em São Paulo coloca o
fascismo de Mussoline como WolksGeist, inconsciente coletivo paulistano, arquétipos).
Igualmente são inseridos signos culturais diversificados, como o Sigma ( a suástica dos Integralistas), a águia do Império Romano ( e
dos USA) , os textos criptografados, o fascio e a insinuação de “Democracia relativa” em uma complexa rede de referências.
Esta rede de associações inconscientes é veloz, na rapidez de leitura de quem folheia um jornal.
Neste período os representantes dos Poderes Legislativo e até Executivo eram “Biônicos” , artificiais, indicados-nomeados-impostos
pelos Generais e não eleitos por voto direto ( cidades como a capital São Paulo e a
cidade portuária de Santos tinham militares impostos no cargo de prefeito) .
Este fato era justificadompelos ideólogos militares com argumentos sobre a pretensa relatividade do regime democrático , habilmente sugerido pelo
floresta cortada (referência de forte impacto emocional em um contexto no qual jovens
desapareciam , podados e cerceados por meio de torturas e execuções sumárias).
Todo o argumento da HQ é implícito, fica no subtexto entinemático e é
completado inconscientemente pelo leitor , como o corte, a censura, representado pela sequência : floresta-feixe de lenha. A
elipse-omissão do ato violento de cortar as “pessoas-árvore” retorcidas leva o
leitor, pela Lei da Completitude da Gestalt, a preencher o vazio, imaginando o quadro
ausente, participando ativamente da construção do sentido e tornando-se “Cúmplice” de Gê e do jornal em suaopinião sobre o contexto
histórico em andamento ( o ZeitGeist , espírito do tempo, memória coletiva imediata,
estereótipos) , uma adesão emotiva em resposta ao conjunto de signos analógicos
em uma seqüência narrativa bem Greimasiana.
Todo este mecanismo entinemático-elíptico descrito cientificamente pela Lei da Completitude da Gestalt trata-se meramente
do fenômeno que o filósofo francês Henry Berson denomina “Memória Involuntária” e
que é fartamente descrito nos romances de Proust.
Recorde-se que as definições da Semiótica Subliminar aos produtos midiáticos
abrange a “Arqueologia dos Argumentos” ou às camadas hermenêuticas de sentido ocultas em subtextos implícitos nas
entrelinhas , subentendidos e insinuações que forçam a resposta do leitor segundo seu
repertório no dado contexto histórico ( cf. Calazans, Teoria da Comunicação Subliminar, 1998, p. 136).
3) CONSIDERAÇÕES FINAIS
As Histórias em Quadrinhos, por suas características midiáticas eminentemente visuais, propiciam o emprego de diversas técnicas
subliminares, desde o envolvimento com o subtexto entinemático e suas camadas sucessivas de
sentido hermenêutico até os iconesos subliminares visuais figurativos ou cromáticos - que remontam a 1500 d. C. na obra de diversos pintores
europeus.
Fica, desta forma, demonstrado por meio de evidencias visuais e depoimentos pessoais que os autores de Quadrinhos conhecem os
subliminares e deliberadamente os embutem nas HQ's com fins estéticos, comerciais, ou
até mesmo de propaganda ideológica, e o emprego desta linguagem visual por políticos com fins eleitorais ou educativos vem reiterar o poder de
comunicação
emocional e subliminar dos Quadrinhos, também úteis para a venda de produtos como, por exemplo, espinafre enlatado.
Futuras pesquisas comprovarão mais detalhadamente as técnicas e efeitos subliminares dos Quadrinhos ou falsearão as hipóteses aqui
levantadas.
4 ) - BIBLIOGRAFIA:
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Leia AQUI nossa Entrevista com Calazans; e AQUI seu Artigo sobre o escritor de horror Clive Barker