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      QUADRINISTAS BRASILEIROS DA  GERAÇAO 80


                                                                                                                        por Franco de Rosa


Vamos destacar alguns nomes da 3ª geração de autores de histórias em quadrinhos brasileiras, que estão agora trabalhando em outras áreas, devido ao fechamento da maioria das revistas em quadrinhos nacionais do gênero terror e aventura.
Devo, ainda, esclarecer aqui que estes dados e caracteres abaixo relacionados, foram traduzidos para o italiano e serão publicados na revista especializada para fãs de quadrinhos da Europa, "Wow".
Em artigo anterior falamos de N. Padrella, Watson Portela, Zenival, Kussumoto, Vilachã, Ataíde Brás, Roberto Câmara, Franco, Josmar, Wilde, Rodval Matias, Itamar e Homobono. Agora é a vez da última lista, a começar por:
SEABRA, de São Paulo, desenhista autodidata, pintor e contista. Profundo conhecedor de anatomia, e por isso dono dos desenhos de figuras mais elegantes das HQB. Toda força de seus desenhos estão na figura humana, mas não devemos desprezar a continuidade dos seus quadrinhos, que ele domina muito bem. Seus argumentos, causam normalmente, polêmicas, entre os leitores e os demais autores. Suas capas a óleo para os quadrinhos eróticos, são memoráveis pelas belas figuras femininas que apresentam. (Publicou na EBAL, Vechi, Grafipar e Três).
AUGUSTO MACHADO, de Curitiba, desenhista autodidata, aperfeiçoou-se fazendo desenhos infantis para a RGE como o Sitio do Pica-Pau Amarelo. E graças a este tipo de trabalho, Gustavo adquiriu seu estilo, bastante "redondo" e movimentado. Dos mais expressivos e ricos em naturalidade das HQB. A força de seus quadrinhos, estão justamente nas figuras humanas, soltas, naturais e "maleáveis". Suas garotas, assim como as de Seabra e Mozart, são muito especiais. (RGE, Vechi e Grafipar).
MOZART COUTO , de Juiz de Fora, desenhista, roteirista, pintor. O mais querido pelos leitores, o mais elogiado e invejado, sadiamente, pelos autores e considerado gênio por todos nós. Com apenas 23 anos domina totalmente anatomia, ângulos e continuidade. É um dos artistas que só aparecem a cada 50 anos. Maior expoente desta geração. Seus desenhos perfeitos e dinâmicos parecem vivos graças á luz e sombra que lhes dão um aspecto tridimensional a seus quadrinhos. (Grafipar e Vecchi).
MANO, do Rio de Janeiro. Artista plástico, desenhista e roteirista. Seu desenho primitivista atinge diretamente o leitor. Verdadeiro fenômeno de popularidade. Seu grande trunfo são os argumentos das histórias que escreve e desenha. Mano domina totalmente a continuidade, os planos e expressões. E a força de seus enredos, sempre prende o leitor à cadeira. Mano é um artista mais do que ímpar, é raro e talentosíssimo. (Vecchi e Grafipar).
LUSCAR, do Rio laneiro. Cartunista e artista gráfico da 2ª geração, que se tornou um dos mais prolíferos argumentistas da 3ª geração. Suas raízes e aptidões de cartunista, sempre estiveram presentes em seus argumentos, críticos, cáusticos e corrosivos. Mas sem deixar de ser linear, bastante digestivos e principalmente muito atuais. Luscar ou Basílio de Almeida, como também costuma assinar, publicou sempre pela casa Vecchi.
OLENDINO MENDES, (foto)de Minas Gerais. Roteirista e desenhista. Surge no fim do movimento, com desenhos ainda por amadurecer, mas mesmo assim já num estilo bastante particular. Como só pôde colaborar no gênero de terror e fez o melhor do gênero. Suas histórias mórbidas e esotéricas trouxeram um novo prisma para o gênero. Olendino escreve de forma tal que parece ser real o que narra, em tons proféticos e sinistros. E, como o mestre Poe, é desgraçadamente lírico e barroco. (Vecchi).
JULIO EMILIO BRAZ, do Rio de Janeiro. Argumentista de excelente nível. Situa muito bem o leitor ao clima de suas histórias. Quando escreve histórias de época é preciso nas pesquisas e as torna HQ dinâmicas e atrativas. Seu Jesuíno Boa Morte, com desenhos de Zenival, já é um clássico das HQB. Como grande conhecedor e divulgador de história do Brasil, frustra-se com a ignorância do público a este respeito. (Vecchi e Grafipar).
BONINI, do Rio de Janeiro. Desenhista do gênero infantil de grande talento. Passa a fazer quadrinhos eróticos e de terror com estilo bastante pessoal, criando figuras exóticas, combinando desenhos cômicos com histórias sérias. O acabamento dos desenhos de Bonini também aio alvos de admiração, limpos e bem definidos. Tais características tornam Bonini único dentro da história da HQB.
VENEZA, do Rio de Janeiro. Maurício Veneza, desenhista publicitário, que ao passar para os quadrinhos, trouxe muito da técnica gráfica da publicidade para suas HQ. Seu forte são os roteiros, bem planejados e lineares, procurando sempre finais surpreendentes. (Vecchi e Grafipar).
LOBO, do Rio de Janeiro. Artista plástico e ilustrador de magazines, César Lobo, nos quadrinhos, se apresenta como grande redator e ótimo desenhista. Seu estilo "elástico", personalizado e moderno, o destaca sempre dos outros artistas nos gibis. Suas histórias são dramáticas e seus desenhos muito criativos e expressivos. Destaca-se também como capista, por usar muito bem as cores e um aerógrafo mágico. (Bloch e Vecchi).
EROS, de Curitiba, ilustrador e artista gráfico, que descobriu nos quadrinhos a oportunidade de contar histórias. E o faz muito bem. Dono de apurada arte-final e grande técnica gráfica, em seu estilo bastante particular destaca-se diante dos olhos dos leitores que gostam de trabalhos hachurados. (Grafipar) 
JORDI, do Rio de Janeiro. Ilustrador Jordi também trabalhou em revistas infantis. Nos quadrinhos da 3ª geração, destaca-se por seu claro e escuro e por produzir bastante. (Vecchi e Grafipar).
OFELIANO, do Rio de Janeiro. Destacou-se na 3ª geração como capista de impacto visual. Seus desenhos fortes pelos volumes e sombras anatômicas sempre agradaram. Nos quadrinhos, seu forte está mesmo nos de terror, onde pode carregar nas sombras e figuras ameaçadoras. (Vecchi).
JONAS SCHIAFFINO, do Rio de Janeiro. Surge no final do movimento e de forma esplendorosa. Com estilo próprio e arrojado, desenhos soltos e muito expressivos. Jonas também desenvolveu-se do humorístico, porém, com uso de sombras e claros/escuros próprios do desenho "sério" (Editora Vecchi).
Estes foram, dos integrantes da 3ª geração de quadrinhistas brasileiros, os que mais se destacaram. Mas não posso deixar de registrar que esse movimento começou, digamos "oficiosamente", com o Otacílio, na Vechi, e que a grande maioria foi incentivada e influenciada pelo mestre Shimamoto -- que retornou aos quadrinhos, encabeçou o movimento e mostrou junto dessa geração o grande artista que é, realizando trabalhos de nível nunca antes alcançado em outras fases de sua carreira.
Shimamoto influenciou também o retorno (para a 8ª arte) de outros dois mestres contemporâneos dele: Flávio Colin e Saidemberg. Colin voltou renovado, moderno, esbanjando técnica e criatividade, mantendo em todos os seus trabalhos excelente nível artístico e técnico. Por outro lado -- isso porque a 3ª geração começou na Vecchi, no Rio de Janeiro -- aqui, em Curitiba, a 3ª geração foi ativada e vive até hoje, graças aos esforços do mestre Cláudio Seto. Remanescente da 2ª geração, onde revolucionou as HQB na Edrel, deu na 3ª geração continuidade a seu trabalho, atingindo então nível artístico e técnico muito superior ao de antes.
Voltaram também à ativa, nesse período, o mestre Fernando Ikoma (temporariamente), e os mestres Colonnese e Zalla. Sendo que Colonnesse e Zalla, nas páginas de Calafrio -- uma grande conquista do Zalla --, reapresentam aos leitores a filosofia das HQ de terror da primeira geração, com novos trabalhos dos velhos mestres Cortez e Cordeiro, entre outros.
Mas a grande obra da 3ª geração é a criação do Clube de Quadrinhos, por Claudio Seto. Serão destas poucas páginas, com trabalhos de jovens aspirantes, publicadas pelas revistas eróticas do Bico de Pena, que surgirão os componentes da 4ª geração.
(Matéria publicada no jornal O Estado do Paraná em 4 de julhol de 1982}

Visite na Seçao "Galerias de Arte" os trabalhos maravilhosos de Rodval matias, Mozart Couto, Mike Deodato, Frank Frazetta e muitos mais...

 

 

 

Predio da "Casa de Ideias" tupiniquim, a saudosa EBAL                                Capa de Watson Portela (Grafipar)